São 30 de agosto de 2007, em Conquista - Minas Gerais. A aurora desperta trazendo consigo os primeiros clarões. Foi nesta data, há 96 anos, que Conquista nasceu. Deixou de figurar como distrito de Sacramento para perpetuar-se na constelação da Pátria.
Sentindo a ausência de qualquer outra alvorada alusiva a esta data marcante, ou de algum burburinho provocado pelo “ir e vir” dos alunos das escolas da cidade, ou talvez o tráfego dos transeuntes (rumo ao local onde porventura estivessem acontecendo às comemorações), pus-me a esmiuçar os meus velhos alfarrábios, em busca de alguma fotografia que ilustrasse os tempos áureos quando, religiosamente, a cada ano, aconteciam as comemorações com pompas e júbilos, tornando esse lugar um torrão alegre e feliz das Minas Gerais.
Tomado pela emoção, saí pelas ruas da cidade em busca de algo que preenchesse esse vazio que extravasava pelo meu ser. Conquista, com suas belas avenidas, largas e retilíneas, estava vazia. O que teria acontecido? Onde estariam seus filhos? Indaguei. Segui, notei que alguns membros da Ordem Colossal, naquele momento, hasteavam o pavilhão de Conquista. Um outro, a estender uma faixa com dizeres em homenagem à terra querida. Pensei! Talvez seja essa a única homenagem reservada ao aniversário de Conquista. Já que ninguém sequer, encomendou uma Missa em Ação de Graças.
Confesso! Senti saudades... Como faz falta o saudoso Amélio Guardieiro! Carinhosamente conhecido por “Ninão”. Onde está a professora e diretora Marisa Canassa? Professor José Carlos Scandar, onde está? Não ouço seu grito entusiasta. “Avante escola! Atenção”! E João Nunes porta-bandeira?
Lembram-se da fotografia que fui buscar em meus alfarrábios? Encontrei-a. Veio-me a lume a história contada por Ângelo Rodolfo Canassa, de saudosa memória. Dizia ele: “certa ocasião a Fanfarra Conquistense foi convidada para um desfile na cidade de Sacramento, visto que sua fama expandiu-se além fronteiras. Naquele dia, no coração de Sacramento, Conquista fez-se ouvir: seus clarins, tambores, taróis e atabaques, sob a batuta do mestre e maestro, Ninão. Que, como herói, saiu aplaudido de pé”.
Fiquei preocupado! Como pode um filho não comemorar o aniversário da sua mãe? Interpelei alguém. A resposta me foi dada por uma sábia anciã, que, no afã de regar as plantas do seu jardim, ali estava, assim como Conquista, ostentando os seus 96 anos de idade. Prudente, calma, solícita, afável, ela, gentilmente, confortou-me: “meu filho, não se preocupe, não se aflija, talvez tenham deixado as comemorações para Sete de Setembro”...
Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.
