domingo, 11 de julho de 2021

Encontro com Chico Xavier na “Esquina do Enjeitei”.
Firmino Libório Leal

Jornalista. Escritor







Idos anos 70... Naquele tempo Uberaba fervilhava cultura. Cidade universitária se tornara também referencia regional na medicina. Tudo conspirava para que a metrópole se tornasse mundialmente conhecida. A ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, instituição que agrega em suas fileiras o rol de criadores da raça zebuína com espécies de alta linhagem, se preparava para transferir sua sede da Rua Manoel Borges no centro da cidade, para a pujante sede dentro do Parque de Exposições Fernando Costa.

Além disso, a Doutrina Espírita desenvolvia naturalmente extraordinário turismo religioso, com numeroso fluxo de pessoas de outros estados e até do exterior em busca de suave encontro com o Médium mundialmente conhecido, Francisco Cândido Xavier.

O centro da cidade era pura poesia. A Praça Rui Barbosa era circundada por belíssimas construções estilos: neogóticos, coloniais e aparente ecletismo.

No inicio da Artur Machado tínhamos a Notre Dame de Paris numa esquina, e na outra, o Bar 1001, este nunca fechava e era o local predileto dos notívagos da Uberaba boêmia.

Seguindo a rua, quase na esquina com a Avenida Leopoldina de Oliveira, tínhamos o famoso Café JB e mais adiante, a “Esquina do Enjeitei”, ponto tradicional dos grandes negociantes da raça zebuína, os quais cotidianamente ali se reuniam para realizarem seus negócios e contatos comerciais.

Esse emblemático local uberabense ficava sob a marquise do antigo Banco Financial de Mato Grosso, na confluência de Rua Artur Machado com a Avenida Leopoldino de Oliveira, era ali, naquele períbolo, que fervilhavam os acontecimentos de Uberaba, junto a eles, as falácias: Eu enjeitei tanto em minha boiada! Outro: Eu também enjeitei tanto no meu boi, no meu touro! E assim, aquele local ficou conhecido e impregnado na população uberabense, como a “Esquina do Enjeitei”.

Pois bem, certa tarde ao sair do estabelecimento bancário em que trabalhava rumo ao Café JB, qual foi minha surpresa ao cruzar a “Esquina do Enjeitei”, me deparei de frente com Chico Xavier. A emoção extravasou meu ser; trocamos ligeiro olhar, e ele afável, me dirigiu cortês vênia com um leve aceno movimentando sua cabeça verticalmente, no que prontamente respondi.

Pasmo, fitei seu jeito leve no andar até sumir no meio da multidão que o saudava incessantemente, assim como eu também o fizera. Daquele momento inesquecível guardei para sempre na minha lembrança um simples fato: do lado direito de sua algibeira, portava um chaveiro contendo inúmeras chaves as quais, adornavam e combinavam com sua calça cinza envelhecida.

Os anos se passaram... Certa ocasião ao ler a obra “Reencarnação no Mundo Espiritual” da lavra mediúnica de Carlos Bacelli, pelo espírito do Dr. Inácio Ferreira, me deparei com uma narrativa do Chico dizendo que certa vez ao atravessar aquele logradouro para ir cuidar dos afazeres comerciais e bancários, um grupo de entidades trevosas no mal, praticaram tentativas e atos de agressões e achincalhamentos direcionados à sua pessoa. Porém, protegido pelos benfeitores espirituais e por suas orações, ele saiu incólume daquelas perseguições de nossos irmãos trevosos.

Ao me debruçar sobre essa leitura, espírito áspero e rude que ainda sou, mesmo assim, me lembrei daquela feliz tarde do meu encontro com Chico Xavier na “Esquina do Enjeite” e, viajei num ousado sonho imaginário e quase real: quem sabe não foi naquela tarde do nosso encontro que o Chico se desvencilhou daquelas entidades trevosas?

Quanta ousadia e vaidade de minha parte! Porém, desde aquele dia passei ver o mundo e os meus semelhantes de forma diferenciada, com conceitos alicerçados na fé, na esperança e no amor.

Que Jesus nos abençoe!

 


 

Cel. Teotônio Borges de Araújo

Teotônio Borges de Araújo nasceu no recuado ano de 1858 na Fazenda Ponte de Pedra, então Santo Antônio de Pratinha, hoje, Pratinha/MG. Faleceu em Conquista no ano de 1922.

Aos 35 anos casou-se com Ubaldina Maria de Jesus. Desse enlace tiveram as seguintes filhas: Ana Borges de Araújo (1897); Cherubina Borges de Araújo (1898); Veríssima Borges de Araújo (1900).

Segundo a crônica local, foi um cidadão de bem, destemido, honrado e zeloso com aqueles que lhe eram grados e agregados. Pecuarista de destaque foi um dos pioneiros na criação do Zebu em Conquista. Em Uberaba, deixou seu laborioso nome figurando entre os fundadores as Fábrica de Tecidos Santo Antônio do Cassú. Além disso, foi membro ativo da firma Borges, Irmãos e Cia.Ltda.

O Major Teotônio Borges de Araújo como era conhecido, sempre esteve ao lado todas as iniciativas que se prenderam ao progresso de Conquista. Ele contribuiu denodamente com o embelezamento da Vila, realizou importantes doações, contribuindo pecuniariamente com o município, aflorando assim, a generosidade, característica própria do seu caráter. Porém, o ato mais expressivo de desprendimento, patriotismo e amor a Conquista, foi quando aconteceu a criação do município em 30 de agosto de 1911, através da Lei estadual 556, consoante a divisão administrativa e territorial do Brasil. A partir daquela data, Conquista passou a existir configurando como mais uma estrela na constelação da Pátria brasileira. Passados os dias de comemorações e júbilos inerentes a importante acontecimento, todos se deram conta da triste realidade: a Conquista recém emancipada não tinha um prédio para instalar a “Intendência”, hoje, Prefeitura, foi então que o Major Teotônio ou Cel. Teotônio bradou:“Podem utilizar o meu solar como sede administrativa do Município até que se construa um novo prédio em local apropriado”. Assim aconteceu que a sua residência oficial passou a abrigar a Intendência ou Prefeitura até o ano de 1917, ocasião em que foi inaugurada a sede própria do Poder Executivo Municipal, na Praça Cel. Tancredo França.

Como todo importante personagem interiorano, sua história é carregada de fatos pitorescos, engraçados e às vezes até dramáticos, os quais permeiam e fazem parte do fadário conquistense, contribuindo assim, histórico e culturalmente com a azáfama local, vejamos: Teotônio Borges de Araújo foi amigo leal e inseparável do major Leopoldo Ferreira de Mendonça, ambos vinham sistematicamente à cidade para tomarem “umas e outras”. Teotônio, montado em seu cavalo de estimação por nome “Jaú”, vinha procedente da sua imensa fazenda situada às margens do Ribeirão Dourados demoninada “Jaratataca”, cuja dimensão num cálculo pessimista, orçava em cerca de mil alqueires mineiros. O Major Leopoldo, vinha da Fazenda Ilha Grande montado em sua mula Arisca. Celebres, subiam a Rua Grande, onde existia o comércio ativo da época, até chegarem ao local de destino, por uma questão de ética, deixamos o local no anonimato.

Tudo bem! A chegada sempre era altaneira, porém a volta, tinha seus percalços devido o efeito da linfa destilada à base de cana de açúcar. Ao descerem a Rua Grande, era “um vai e vem” danado: o cavalo Jaú e a mula Arisca seguiam sistematicamente o caminho de volta como se fossem adestrados. Às vezes ocorria algum deboche de um ou outro transeunte dirigido a ambos, se destinado a eles, às vezes acontecia um leve esquecimento, aceitação. Porém, se o deboche ou gracejo, fosse alusivo ao cavalo Jaú a mula Arisca, com certeza alguém ia ser responsabilizado.

Teotônio logo após conquistar sua lucidez, escolhia um homem de sua confiança e ordenava: vá a Conquista e traga “fulano de tal” (referindo-se ao autor do gracejo), para se desculpar comigo! E se ele não quiser vir coronel? Traga uma de suas orelhas, ou se preciso for, as duas!

Pra ratificar o apreço reinante entre ambos, conta-se que Teotônio auferiu junto Guarda Nacional além da patente de Major, a patente de Coronel, no entanto, em decorrência da fiel e leal amizade ao seu amigo Major Leopoldo, recusou-se a ostentar a referida patente, ficando assim conhecido nos anais da história como Major Teotônio Borges de Araújo.

A propósito: a numerosa prole dos descendentes de Teotônio Borges de Araujo e Ubaldina Maria de Jesus formam numerosa prole e figuram dentre aqueles que formam a grei dos “Borges”, ilustre família conhecida e acatada no Estado de Minas Gerais, os quais continuam construindo a saga encetada por seus antepassados neste rincão alegre e feliz do Triângulo Mineiro.

Homenagem:

Em sua homenagem existe uma Rua em Conquista denominada de Teotônio Borges de Araújo, onde situa-se o solar que outrora pertence ao ilustre benfeitor e que por vários anos serviu e abrigou a primeira sede da prefeitura de Conquista.

 

Pesquisa realizada pelo jornalista Firmino Libório Leal

Conquista-MG e-mail liborio.leal@gmail.com

 

 

 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Zenon Zoroastro Borges (Carta a...)

 


Zenon Zoroastro Borges (Carta a...)

O fato que passo a narrar é verdadeiro. Em meados do ano de 2020 resolvi me candidatar para o cargo de vereador concorrendo pelo município de Conquista, Minas Gerais. Mesmo sendo funcionário efetivo da Câmara Municipal de Conquista como jornalista Assistente de Comunicação por mais de duas décadas, nunca havia pensado na possibilidade de uma candidatura, porém, de repetente em detrimento de vários percalços e situações de agruras sofridas na Casa, resolvi tomar essa decisão: Candidatei-me, sendo eleito com a maior votação de minha sigla partidária, ou seja, Partido Verde.

Daí então, entre o período pós-eleição e os dias que antecediam a eleição da Mesa Diretora, a cidade adornou-se de mim, era uma sensação estranha, como se todos quisessem que fossemos eleito presidente da Casa. E assim aconteceu, no dia a Sessão Solene de Posse fomos eleitos presidente para o biênio 2021/2022.

Após cair a ficha, aquele frio na barriga, a insegurança e medo tomaram conta de mim. Só me restou recorrer aos amigos que passaram pelo mesmo cargo aqui na terra e que agora estão de moradia na Pátria Espiritual. Os textos abaixo elucidam o nosso clamor e a pérola de resposta aos nossos anseios a nós gentilmente enviada pelo nosso protetor,  amigo e irmão Zenon Zoroastro Borges. Ei-los:

 

Conquista, Minas Gerais 02 de dezembro de 2020

Meus amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo:

 Através do nosso estimado Irmão e médio Emmanuel Alves da Silva, recorro a amiga e protetora Maria Cantora rogando-lhe interceder junto aos irmãos abaixo relacionados ou outros que possam me orientar, inspirar, ajudar, no seguinte questionamento:

Em 15 de novembro passado fui eleito pelo povo conquistense para o cargo de vereador. Acontece que a maioria das conversações, reuniões e troca de ideias sobre a formação da Mesa Diretora, meu nome desponta para o cargo de presidente, sendo expoente para a maioria dos novos eleitos, os quais atribuem ser uma aspiração dos eleitores.  No entanto, estou inseguro diante da nova situação por assumir tão importante cargo. Assim sendo venho pedir-lhes: orientação, inspiração, ajuda e clareza, se devo disputar ou não a presidência da Câmara?

Zenon Zoroastro Borges, que foi o primeiro secretário da Câmara Municipal;

Paulo Assunção Valentino, que presidiu a Câmara Municipal de Conquista;

Ronaldo Vidal de Morais, que também presidiu a Câmara Municipal de Conquista.

 

Com fé, esperança, estima, consideração e apreço,

Firmino Libório Leal

Modesto frequentador da Doutrina Espirita em

Conquista – MG

 

Vejam que Maravilha de resposta:

 

Mensagem

Meu caro Irmão,

Pude através do médium ter conhecimentos de sua carta.

A luta para que a paz alcance a todos é uma labuta constante dos bons. E não podemos esquecer meu irmão que o lírio no pântano não se mistura ao barro e nem se contagia com podridão, isso já nos deixou um sábio na terra. Compreender que aqueles que estão à frente do dever político social devem reverter por um dever Cristão social.

Os conflitos políticos na terra estão buscando o caminhar da evolução desde o velho Egito, Babilônia, Grécia, Roma e vamos caminhando de tempo em tempo, onde os homens compromissados com a politica faltam com seus deveres e suas obrigações morais. Não basta ser político, é preciso ser fiel aos objetivos Cristãos e ter com sabedoria o bem e a paz de consciência. A política exige burilamento moral e transformação, exemplos de edificações para o bem comum.

Coragem meu irmão, se abraçaste a causa, trabalhe para que ela seja bem desempenhada pelo teu esforço de amor.

Não te afrontas ante o teu dever com a sociedade, compreendas que está em uma das missões a cumprir em teus ombros, mas não esqueça que Deus não dar fardo pesado a ombros fracos, busque nos grandes vultos que estão a zelar pela nossa cidade sobre a rogativa de Barsanulfo, que eles te inspirem e te doem diretrizes de luzes ao teu caminhar.

Que Tancredo França te ilumine, como o irmão Mello, o irmão Pena, dando-lhes força e coragem nas lutas do bem e da obra da paz.

Com a certeza de que roseira sabe retirar do estrume o melhor para vitalidade das pétalas e do perfume, vós também saberá construir a justiça e verdade para que o bem se torne fruto da razão.

Com a certeza que o alto está a nos guiar, sempre o irmão em nome dos amigos.

Zenon Zoroastro Borges

Mensagem psicografada recebida pelo Médium Emmauel Alves da Silva em sessão Pública realizada na Casa Assistencial São Vicente de Paulo, na data de 14 de dezembro de 2020.

Firmino Libório Leal: E-mail. liborio.leal@gmail.com  Fone 34 98814-4055

 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Programa Recordar é Viver - 18 anos de Sucesso


Os comunicadores Libório Leal e Hércules Antônio Zara, o popular Zarú, fizeram programa especial domingo, 08 de março de 2015, em comemoração ao décimo oitavo aniversário do programa músico-cultural “Recordar é Viver”. São dezoito anos em que, todos os domingos de 10 às 14 horas, os conquistenses desfrutam da boa música brasileira, associada a poesia, crônicas e causos.
Radialistas Zarú e Leal
 
Comenta Liborio Leal: “o nosso objetivo é levar ao público conquistense a verdadeira música brasileira, fugindo assim, da mesmice. E ainda, a divulgação de musicistas, literatos, artesãos, poetas, em fim; promover Arte & Cultura, não só do Brasil, bem como, de nosso município. Talvez seja esse o motivo do programa atingir extraordinária audiência e ter caído nas graças do povo”.

 

Criado em março de 1997, o programa tinha no início a batuta dos comunicadores: Zarú, Marcelo Dalbello e Libório Leal. Com o passar dos anos, Zarú e Marcelo se afastaram do Rádio, ficando o comunicador Libório Leal no comando do horário até os dias de hoje.
A Rádio Dinâmica FM 105,9 Megahets, com 25 Watts de potência, possui Outorga Definitiva oriunda do Ministério das Comunicações. Foi fundada em 1996, por um abnegado grupo de pessoas ligadas à cultura da cidade, na oportunidade, lideradas pelo Pe. Alécio Donizete Freire. São 20 anos de bons e relevantes serviços prestados a comunidade conquistense.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Antônio Martins Fontoura Borges “Toniquinho”. Uma página esquecida na história de Conquista



Antônio Martins Fontoura Borges - “Toniquinho”. Industrial, banqueiro e fazendeiro nos municípios de Uberaba e Conquista. Nasceu em Uberaba, na data de 23 de março do recuado ano de 1898 e faleceu na mesma cidade na data de 13 de maio de 1984, aos 83 anos.

Foi casado com a senhora Cornélia de Oliveira Borges “Cornelinha”, sendo ela filha do Coronel Joaquim Martins Borges e Cornélia Cândida de Oliveira Borges. O casal Toniquinho e Cornelinha teve um filho descendente: Joaquim José Martins Borges.

Antônio Martins Fontoura Borges, juntamente com seu primo, Ronan Rodrigues Borges, em 1943, fundaram e foram os principais diretores do Banco Nacional do Comércio e Produção S.A., que tinha a sua sede na cidade do Rio de Janeiro e foi, posteriormente, incorporado ao Banco da Lavoura; e este, por sua vez, incorporado ao antigo Banco Real, atual Santander.

Como industrial participou, da Cia. Têxtil do Triângulo Mineiro - que era situada na época de sua fundação na Fazenda Caçu, Zona Rural de Uberaba, despois a fábrica foi transferida para as novas e modernas instalações, na zona urbana de Uberaba, tendo como sócio, seu pai, Antônio Martins Borges, “Tonico”, seu irmão Alberto Martins Fontoura Borges, e os senhores José Ferreira de Mendonça e José Bahia Mascarenhas. 

Foi um homem extraordinário para os padrões da época, abastado criador de gado Zebú em Conquista, onde possuiu importante propriedade agropastoril com grande criação da raça zebuína de alta linhagem. Foi banqueiro em Conquista com filiais de sua instituição financeira em grandes capitais como, Rio de Janeiro e São Paulo. Foi também industrial, hoteleiro e proprietário de casas cinematográficas em Uberaba.

Homem probo, íntegro, conciliador, de conduta ilibada.  Com natural desprendimento, participou ativamente com largos haveres para criação e construção da Santa Casa de Misericórdia de Conquista e da Escola Estadual de Conquista, atual Escola Estadual Dr. Lindolfo Bernardes dos Santos. Além disso, mantinha em suas propriedades dezenas de famílias, entre agregados e funcionários, onde como patrão honesto e justo, tratava a todos com distinção, lhaneza proteção e abrigo. 

Homem de grande prestígio. Possuía muitos bens, dentre propriedades rurais, edifícios, imenso rebanho zebuíno, a sua mansão situada nº 1.412 na Lagoa Rodrigo de Feitas, em área privilegiada da cidade do Rio de Janeiro, era de uma beleza extraordinária, tanto que, foi cogitada várias vezes para abrigar a Embaixada dos Estados Unidos da América, ideia rechaçada por “Seu Toniquinho”.

Ao me debruçar em meus alfarrábios nessa pesquisa e dissertar pálida crônica sobre esse vulto importante da história conquistense, posso lhes afirmar com convicção: “conspira contra sua própria grandeza, o povo que não cultua seus feitos heroicos”. Antônio Martins Fontoura Borges “Toniquinho”, injustamente, é uma página esquecida na história de Conquista.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Memória Conquistense: Usina Cajuru e Conquista, 47 anos de benfazejo labor


O escritor empírico realiza suas pesquisas baseando-se nas suas experiências e no relato das pessoas, não havendo, portanto, um estudo profundo, científico; daí às vezes, não consiga alcançar o apogeu da sua essência. Como sou daqueles que ainda acredita no homem, concordo que: “o maior espetáculo para o homem, ainda é o próprio homem”, por isso, acredito e boto fé nas pessoas.

Foto de Alessandro Abdalla
Situada no Ribeirão Borá e distante quatro quilômetros da cidade de Sacramento, (para uns e cinco quilômetros para outros), a Usina Cajuru, foi inaugurada em 1913. Durante mais de meio século forneceu energia elétrica para Sacramento e Conquista. Foi também de 1913 a 1938, geradora de energia para a sustentação do bonde elétrico que ligava a cidade de Sacramento à estação férrea do Cipó, aproximadamente 15 quilômetros da cidade de Sacramento. Foi construída por engenheiros/empreiteiros alemães da firma Bomberg & Cia. Cujo material para o seu funcionamento foi importado da Alemanha. A Usina Cajuru forneceu energia para Sacramento até 1964 e até 1970, forneceu energia para a Vila Simpson. Quanto a Conquista, a desativação do fornecimento ocorreu no recuado ano de 1960, pois a cidade conseguiu fornecimento de energia elétrica da CEMIG, como veremos adiante.

Diante do exposto, traçarei aqui um breve relato entre a Usina Hidrelétrica Cajuru e a Cidade de Conquista, cujo resultado foi fruto de entrevistas que realizei com quatro moradores de Conquista, os quais são testemunhas autênticas e vivas deste acontecimento.

Inicialmente, gostaria de afirmar a veracidade e coincidências das narrativas a mim reveladas pelos entrevistados em convescote descontraído e cordial.

Segundo relato da crônica local, a Usina Cajuru foi fruto de uma iniciativa pioneira do povo sacramentano. Entrou em atividade a partir de 1913, na ocasião, foi estabelecida uma parceria no sistema de cotas entre os dois municípios irmãos e limítrofes: Sacramento, e a então recém emancipada Conquista, sendo que a Sacramento pertencia 60% das cotas e a Conquista, logicamente o restante, ou seja, 40%.

O vigor dos 220 volts era fato de admiração de todos. Tudo isso sob os cuidados técnicos do profissional “Beviláqua”. A potência era tanta, que em Conquista houve até um fatídico caso, em que faleceu eletrocutado, o Sr. Sebastião Canassa, filho do Sr. Orestes Canassa.

Tudo corria muito bem nas primeiras décadas, mesmo com a concorrência de fornecimento de parte da energia para locomoção dos “Bondes de Sacramento”. Os anos se passaram, o Brasil começava a se industrializar, em nossa região não foi diferente: fábricas de sabão, de guaraná, máquinas de beneficiar arroz e café, bares, padarias careciam e demandavam maior consumo da eletricidade. Foi daí que surgiu a expressão “luz tomate” tão conhecida e perpetuada no fadário conquistense. Ocorria que nos horários de “pique”, a voltagem caía substancialmente, ocasionando além do fenômeno já conhecido “luz tomate”, a impossibilidade da utilização e ligação dos motores mais potentes.

Conquista, Minas Gerais
A carência de uma energia elétrica mais potente despertou no povo conquistense, o sentimento de conquistarem independência no abastecimento de energia da cidade, que resolvesse os problemas que vinham acontecendo há anos. Aconteceu que o povo se aglutinou, fizeram várias reuniões e decidiram interceder juntos aos políticos da época, que tinham afinidades com a cidade. Foi então, que surgiram dois personagens importantes para que Conquista lograsse êxito no seu intento: o deputado estadual Renato Azeredo, que juntamente com Alfredo Campos tinham ligações afetivas com o município. Outro personagem que muito influenciou nas decisões políticas favoráveis a Conquista foi o deputado federal Maurício de Andrade, primo em primeiro grau do influente fazendeiro conquistense Dr. Vanderlei Andrade. Estes atendendo chamamento e apelo do então refeito prefeito José Julião Tângari (1955 a 1958), arregimentaram seus préstimos junto ao governo estadual e principalmente, junto a CEMIG – Companhia Energéticas de Minas.

Cumpridas todas as prerrogativas, percorridos todos os caminhos, a CEMIG exigiu que os conquistenses adquirissem ações que formasse um montante considerável de capital, o qual serviria de contra partida e ajudaria nas despesas de implantação do empreendimento. E assim aconteceu, mais uma vez, o povo conquistense deu ares de desprendimento, sentimento patriótico e nativista, adquirindo ações Preferenciais e Nominativas da Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG.  Um registro: hoje as referidas ações se encontram desvalorizadas, em consequência de correções inadequadas, bem como, fruto dos sucessivos planos econômicos mirabolantes que permearam as últimas décadas. 
Certo é que no ano de 1960, na gestão do prefeito guaximense Lourenço Zaia, (1958 a 1960), a CEMIG inaugurava a nova rede de energia elétrica em Conquista, quando governava Minas Gerais, o Dr. José Francisco Bias Fortes.
Curiosamente, até hoje Conquista mantém certa dependência de Sacramento no campo da energia elétrica. É que, por não possuir Estação própria de energia, depende exclusivamente da Estação que abastece Sacramento, cuja energia chega até Conquista através de linha de transmissão. Em consequência das intempéries, constantemente desarma, causando apagões e demora do reabastecimento, pois não há um ponto de pronto atendimento da operadora CEMIG na cidade. Curiosamente o município de Conquista desde 1998, tornou-se exportador de energia elétrica através dos 210 megawatts (MW) gerados pela Usina Hidrelétrica de Igarapava, geradora que ocupa e abrange 28 quilômetros de margem lacustre do território conquistense.
Finalizando, essas são considerações que modestamente apresento por ocasião da mesa redonda presidida pela prefeita de Conquista, professora Véra Lúcia Guardieiro, sobre os 100 anos dos “Bondes de Sacramento” no V Festival de Inverno do Parque Náutico de Jaguara, em 08.06.2013.

Firmino Libório Leal, jornalista e escritor, Editor do Jornal O Conquistense.

Entrevistados:

Alberto Bragato, 93 anos comerciante aposentado, que por várias décadas manteve estabelecimento comercial, “Bar” defronte a Estação da Mogiana, em Conquista;

João Vasco Fuquizatto, 79 anos, contabilista e produtor rural aposentado;

João Sampaio Anacleto, 76 anos, odontólogo e professor de história, aposentado;

Felipe Caramóri, 84 anos, advogado, professor e serventuário da Justiça aposentado.

Bibliografia:
Usina Hidrelétrica de Igarapava
Prefeitura Municipal de Conquista
Câmara Municipal de Conquista
Prefeitura Municipal de Sacramento
Livro: os Bondes de Sacramento
 

Gente de nossa terra: Genoveva Filiacci Guardieiro, exemplo de trabalho, constância e determinação




O Conquistense abre o espaço “Gente de nossa Terra” para homenagear uma filha querida e ilustre de nossa mui querida Conquista: Genoveva Filiacci Guardieiro.

Genoveva nasceu em 17 de junho de 1920 em Conquista. Teve uma infância feliz na propriedade de seus pais, que situava nas proximidades da cidade, o sitio “Coqueiro”. Filha de Luiza Bizinoto Filiacci e Fernando Filiacci, ela faz parte da numerosa prole de 11 filhos, sendo 8 mulheres e 3 homens.

No sitio Coqueiro, os trabalhos se resumiam nos pequenos serviços do lar e na roça, mas o que marcou a sua infância, ficando para sempre perpetuado em sua memória, foi sem dúvida, as hortaliças tenras e frescas que a família produzia e vendia na cidade.

Ainda moça, contraiu núpcias com então alfaiate, Ítalo Guardieiro, “Seu Niva”. Com ele, aprendeu o santo ofício de costurar, e então, foi para a máquina de costura, ajudar no sustento da família, especialmente criar e educar as filhas: Beatriz e Véra. Em pouco tempo, tornou-se conhecida e famosa, devido habilidade, traquejo e fino acabamento das peças que lhe eram confiadas para costurar. Rapidamente, as maiores e melhores alfaiatarias da época lhe confiaram seus serviços, dentre muitas, destacamos: Alfaiataria de Moacir Rotelli, Gelindo Monte, João Bragato, João Vidal de Morais, dentre outros.

Devota de Santo Antônio, Dona Genoveva, mineiramente leva sua vida com simplicidade, outro dia, nos deparamos com ela em rua residência, defronte à sua maquina de costura e prestes a completar 93 anos de idade, (17/06), ela terminava mais uma encomenda para “A Caprichosa”, empresa do ramo de alfaiataria e confecções criada pelo saudoso João Vidal e Morais, e agora sob o comando de Dona Zilda Vidal de Morais. 

Há mais de meio século, Dona Genoveva com suas mãos de fada, deixa vestígios de capricho, delicadeza, requinte, perfeito arremate e fino acabamento, especialmente nas calças dos conquistenses que primam em vestir com elegância e bom gosto.

Acredito que o exemplo fala mais do que as palavras, acho que com Dona Genoveva tem sido assim, daí a razão de podermos afirmar com convicção: Dona Genoveva é exemplo de trabalho, constância e determinação. 

Que Deus a abençoe a gora e sempre!!!
Conquista, MG, 17/06/2013