terça-feira, 12 de maio de 2026



Leone Valente: o pioneiro das estradas
Da redação *Firminno Leal

Girolamo (Jerônimo) Antônio Valente casado com Giulia Crosara Valente migraram para o Brasil, vindo também os filhos, Frederico Valente, José (Ermenegildo), ficando na Itália, o filho Leone Valente, que deu entrada em Trento a 11 de agosto de 1909, a fim de lutar na guerra Ítalo-Turca. Em meados de 1914 veio para Conquista, Minas Gerais, onde estavam seus familiares. Em 12 de junho de 1915 casou-se com Maria Francisca Fuquizatto, e dessa união nasceram 11 (onze) filhos. Residiram por um curto tempo em Monte Azul, Estado de São Paulo, depois em Uberaba e retornou a Conquista. Trabalhava com balsa no Rio Grande, no lugar denominado “Porto de Volta Grande”, perto da emborcadura do Córrego Lajeado, fazendo travessia de cereais com rebocadores e chalanas.

Com os filhos crescidos, precisando estudar, retornou a Conquista, passando a trabalhar no açougue do amigo Júlio Caramóri, na fabricação de salame e não ficou muito tempo, pois o que ele gostava mesmo, era de um volante. Comprou um carro Fiat 501, depois um Ford 1926, passou a ser “chauffeur” na praça, de 1924 a 1927. Resolveu conhecer novas cidades; mudou-se para Sacramento, que estava em franco progresso, montou a Fábrica Sacramentana de Bebidas sem Álcool, próximo a igreja Nossa Senhora do Rosário.

A indústria ficou a cargo da esposa, e ele foi a São Paulo comprou uma jardineira Ford 27, e abriu a linha de ônibus Sacramento à Conquista e vice-versa. Mai tarde vendeu a jardineira para o Sr. João Gonçalves Rios, mais conhecido por João Pescoção. Leone Valente, mudou-se com a família para Martinópolis (Distrito do Município de Uberlândia criado em 27 de setembro de 1926, e instalado em 17 de maio de 1927, como consta a Lei 935).

Leone Valente iniciou a linha de jardineira de Martinópolis a Uberlândia; funcionou durante um ano, entrou concorrente, Leone mudou-se para Uberlândia, abril a linha de Uberlândia a Pontal e vice-versa, entrou concorrente.

Em 1932, Leone passou a fazer Cruzeiro dos Peixotos a “Quilombo, pequena vila de italianos”, como das outras vezes não faltou concorrente, mas como Leone era mesmo um valente, pioneiro das estradas e denominador do volante, comprou um caminhão Ford 33 e começou a trabalhar com o comerciante da Transportadora Tubal Vilela da Silva, partindo de Uberlândia com carga de banha, rumo a São Paulo e de lá trazia uma carga de cem caixas de gasolina importada marca Energia. A embalagem era um caixote com duas latas de 20 litros e o preço de caixa era 64$000.

Abriu uma linha de jardineira de Uberlândia a Araguari, mais tarde de Monte Alegre a Canápolis, Taribaté, aproximadamente em 1940 seus filhos Arnolpho, Júlio, e o genro Brasilino Magnino, vieram juntar-se a ele, e eram três veículos Chevrolet, antiga marca ramona.

Em 1945, surgiu a união das empresas e a família Marques compôs com o nome Expresso Triângulo Mineiro S.A. Leone Valente ficou até o ano de 1951, continuando, ficou Júlio Valente. Leone Valente então fundou a primeira Auto Escola de Uberlândia.

Com a colaboração dos filhos, Sauro e Mineres, Leone abriu uma linha de Goiânia a Inhumas, começou a se sentir doente, vendeu a linha e veio para Uberlândia.

Em 29 de novembro de 1952, Deus quis que a batalha do Pioneiro das Estradas de Chão, dormisse o sono sem sonhos, na viagem sem volta. No Cemitério São Pedro, no lado direito da segunda fila, ele foi repousar. A seu lado, em 1º de novembro de 1979 sua esposa ficou concluindo o seu pedido de ficarem juntos para sempre.

No fim de todas as estradas uniram-se para a eternidade.

Fonte: Fagulhas de História de Triângulo Mineiro/Maura Afonso Rodrigues
*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, biógrafo, locutor, historiador, jornalista, bibliotecário. 

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