quarta-feira, 6 de maio de 2026



Padre João Valverde
Da redação * Firmino Leal

Muitas são as histórias que envolvem a passagem da figura lendária de padre João Valverde pela Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes em Conquista, Minas Gerais. A sua transferência de forma drástica e inesperada, ocorreu em consequência de uma animosidade com uma das famílias poderosas da época, como ratifica curioso oficio nº 151 de 10 de dezembro de 1938, emanado do então Executivo Municipal, endereçado a autoridade eclesiástica da época reivindicando a sua remoção.
Vejamos nas palavras do professor e historiador Daniel Amatângelo no seu livro: A Caminho do Alto... Uma Saga Comunitária, algumas particularidades sobre a sua atuação em Conquista:
“Em 1929 toma posse o Padre João Valverde. Com característica, muito exigente, rigoroso até no cumprimento dos valores morais e religiosos da época. Foi com ele que a Igreja Matriz tomou grande impulso para seu término. Promotor de vocações. Criou na comunidade associações e para a matriz, adquiriu imagens e deu continuidade a sua construção. Fundou o Apostolado da Oração, a Associação de São José, o Apostolado da Oração, a Pia União das Filhas de Maria e Congregação Mariana. Fundou ainda, junto com Francisco Zago Sacon e outros, a Confraria São Vicente.
Muitos o admiravam pelo seu dinamismo e atenção junto aos conquistenses. Também colaborava com as irmãs franciscanas no Colégio, proporcionando materiais para aprendizagem das menores e gêneros alimentícios.
Pessoalmente, foi um grande incentivador de vocações e diretor espiritual.
Com a saída do Padre, muitos paroquianos afastaram, pois não aceitaram o que ocorrera, a submissão da paróquia para o Poder Executivo de então”.
Naquela época, teve início a corrida industrial, ocasionando o famigerado êxodo rural, contribuído para o declínio das pequenas cidades brasileiras, em Conquista não foi diferente, um acentuado marasmo e um visível estado de estagnação tomou conta do lugar. Daí muitos atribuírem esse declínio em consequência de uma “praga” emanada do Padre João Valverde sobre a cidade, proferida quando da sua inesperada saída.
Outro fato curioso: no dia de sua saída, foi fretado o táxi do Sr. Alfredo Damião para levá-lo até o seu destino. Acontece que, pessoas estranhas e de caráter duvidoso, circundavam a então Praça Rui Barbosa, causando certo pavor no próprio padre e nos curiosos que espreitavam o acontecimento, dificultando assim, o traslado das bagagens e pertences do religioso da casa paroquial até o veículo estacionado ao lado. Foi então, que o Sr. Artur Damião, juntamente como o comerciante Innocentte Fragonezzi, decidiram de forma ousada, carregarem os pertences e a bagagem até o automóvel. Além disso, deram uma espécie de cobertura até que o veículo desaparecesse.
Conta a crônica local que a chagar em um mirante já fora da cidade, o religioso ordenou que o Sr. Alfredo Damião parasse o automóvel, no que foi obedecido, aí então, teria proferido a seguinte frase: Conquista! Tu nunca passarás de Conquista!

Outra versão descreve um gesto inusitado do religioso: ele teria tirado suas sandálias, que era o calçado comum à época e batido uma na outra, dando a entender que não queria levar de Conquista nenhuma lembrança, nem o pó das sandálias. Na nossa concepção, fatos improváveis em decorrência da sua profunda religiosidade e fé e por tratar-se de um religioso carregado de humanismo e compaixão. Além disso, a teologia católica ensina que o sacerdote é chamado a amar e abençoar, e as pragas são vistas como um ato contrário à sua missão de ser "bom pastor", daí a razão de não acreditarmos nos relatos da crônica local.
Crônica extrada do livro Memória Conquistase que encontra-se no prelo.
Bibliografia e foto: Livro a Caminho do Alto... Uma Saga Comunitária
Professor Historiador Daniel Amatângenlo

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