sábado, 5 de setembro de 2009

O Jornalista do Interior



Por mais uma década Conquista foi brindada com a circulação do noticioso Tribuna de Conquista. Tratava-se de um excelente jornal, que tinha a batuta do jornalista Ariston Timóteo, um dos pioneiros da imprensa do Triângulo Mineiro, haja vista, outro jornal fundado por ele e por Walmor Júlio Silva, grande jornalista, professor e decano da imprensa mineira, ter completado ano que passou, 40 anos de profícua existência, o grande jornal O Estado do Triângulo.

Foi nas páginas do Tribuna de Conquista que me deparei com os textos do डॉ Carlos César Bragatto, conhecido popularmente como “Badaia” desde os tempos memoráveis da gloriosa Associação Atlética Conquistense, onde, com maestria, ele envergou por muitos anos, a camisa de número oito.
Na famosa coluna “Badaia nos Esportes” e depois “Coluna do Badaia” ele propiciava a todos, leitura gostosa, de fácil entendimento। Badaia sabe como ninguém, prender os leitores. Com o passar dos anos, me tornei seu leitor e seu fã de carteirinha, talvez, pelo gosto e afinidade que temos em comum, ou seja, gostamos de música, principalmente do Rei Roberto Carlos, Jovem Guarda. Gostamos de Futebol, da Rádio Dinâmica FM, e de grupos musicais, sendo ele, exímio baterista e eu, apenas arranho as cordas de um violão.
Tenho guardado nos meus alfarrábios várias crônicas pitorescas, engraçadas e outras até trágicas, da lavra do Badaia. Uma até faz parte do meu modesto livro “Vozes da Ribeira”. Mas as três que passo narrar, certamente me marcaram bastante: certa ocasião, Badaia viajou a capital mineira em companhia do saudoso Hecmat Wazir, ao chegarem na Estação Rodoviária de Belo Horizonte, Badaia com seu faro jornalístico aguçado, descobriu no meio da multidão, a presença do grande treinador da Seleção Brasileira Telê Santana. Numa fração de minutos, ele soube extrair o máximo do mestre Telê Santana, resultado: brotou o artigo para a próxima edição do Tribuna de Conquista “Telê, Uai”।

Em outra ocasião, ao entrevistar o grande artilheiro Rivaldo Antônio Boense, o popular “Amigo da Onça”, se viu em grandes dificuldades, pois, após minuciosa enquete, foi surpreendido e passou de entrevistador a entrevistado, eis que, o “Amigo da Onça” sorrateiramente, surpreendeu a todos com a seguinte pergunta: Badaia, eu fui bom de bola? Imediatamente, saiu em disparada deixando o jornalista com um tremendo abacaxi pra descascar।
Com peculiaridade, Badaia sabe descrever suas emoções. Quando do falecimento do seu grande amigo de infância Dr. Luciano Furiati, Badaia descreveu com primazia o que lhe ocorrera ao presenciar a luta do amigo pela vida, diante da implacável enfermidade. Como última homenagem e como prova de amizade sincera, dispensou ao saudoso amigo, um texto poético carregado de emoção e sentimentos: “Ciao Bambino. Ciao”. Foi uma das mais brilhantes declarações de verdadeira amizade que vi ao longo de minha existência।
Ano passado, 20 de agosto, quando tive a ousadia e coragem de criar O Conquistense, não hesitei: fiz o convite ao Badaia para enriquecer suas páginas com seus artigos e suas crônicas. Amigo: o convite ainda está de pé. Um abraço daqueles de quebrar costelas... Apareça. 

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.