sexta-feira, 14 de junho de 2013

Memória Conquistense: Usina Cajuru e Conquista, 47 anos de benfazejo labor


O escritor empírico realiza suas pesquisas baseando-se nas suas experiências e no relato das pessoas, não havendo, portanto, um estudo profundo, científico; daí às vezes, não consiga alcançar o apogeu da sua essência. Como sou daqueles que ainda acredita no homem, concordo que: “o maior espetáculo para o homem, ainda é o próprio homem”, por isso, acredito e boto fé nas pessoas.

Foto de Alessandro Abdalla
Situada no Ribeirão Borá e distante quatro quilômetros da cidade de Sacramento, (para uns e cinco quilômetros para outros), a Usina Cajuru, foi inaugurada em 1913. Durante mais de meio século forneceu energia elétrica para Sacramento e Conquista. Foi também de 1913 a 1938, geradora de energia para a sustentação do bonde elétrico que ligava a cidade de Sacramento à estação férrea do Cipó, aproximadamente 15 quilômetros da cidade de Sacramento. Foi construída por engenheiros/empreiteiros alemães da firma Bomberg & Cia. Cujo material para o seu funcionamento foi importado da Alemanha. A Usina Cajuru forneceu energia para Sacramento até 1964 e até 1970, forneceu energia para a Vila Simpson. Quanto a Conquista, a desativação do fornecimento ocorreu no recuado ano de 1960, pois a cidade conseguiu fornecimento de energia elétrica da CEMIG, como veremos adiante.

Diante do exposto, traçarei aqui um breve relato entre a Usina Hidrelétrica Cajuru e a Cidade de Conquista, cujo resultado foi fruto de entrevistas que realizei com quatro moradores de Conquista, os quais são testemunhas autênticas e vivas deste acontecimento.

Inicialmente, gostaria de afirmar a veracidade e coincidências das narrativas a mim reveladas pelos entrevistados em convescote descontraído e cordial.

Segundo relato da crônica local, a Usina Cajuru foi fruto de uma iniciativa pioneira do povo sacramentano. Entrou em atividade a partir de 1913, na ocasião, foi estabelecida uma parceria no sistema de cotas entre os dois municípios irmãos e limítrofes: Sacramento, e a então recém emancipada Conquista, sendo que a Sacramento pertencia 60% das cotas e a Conquista, logicamente o restante, ou seja, 40%.

O vigor dos 220 volts era fato de admiração de todos. Tudo isso sob os cuidados técnicos do profissional “Beviláqua”. A potência era tanta, que em Conquista houve até um fatídico caso, em que faleceu eletrocutado, o Sr. Sebastião Canassa, filho do Sr. Orestes Canassa.

Tudo corria muito bem nas primeiras décadas, mesmo com a concorrência de fornecimento de parte da energia para locomoção dos “Bondes de Sacramento”. Os anos se passaram, o Brasil começava a se industrializar, em nossa região não foi diferente: fábricas de sabão, de guaraná, máquinas de beneficiar arroz e café, bares, padarias careciam e demandavam maior consumo da eletricidade. Foi daí que surgiu a expressão “luz tomate” tão conhecida e perpetuada no fadário conquistense. Ocorria que nos horários de “pique”, a voltagem caía substancialmente, ocasionando além do fenômeno já conhecido “luz tomate”, a impossibilidade da utilização e ligação dos motores mais potentes.

Conquista, Minas Gerais
A carência de uma energia elétrica mais potente despertou no povo conquistense, o sentimento de conquistarem independência no abastecimento de energia da cidade, que resolvesse os problemas que vinham acontecendo há anos. Aconteceu que o povo se aglutinou, fizeram várias reuniões e decidiram interceder juntos aos políticos da época, que tinham afinidades com a cidade. Foi então, que surgiram dois personagens importantes para que Conquista lograsse êxito no seu intento: o deputado estadual Renato Azeredo, que juntamente com Alfredo Campos tinham ligações afetivas com o município. Outro personagem que muito influenciou nas decisões políticas favoráveis a Conquista foi o deputado federal Maurício de Andrade, primo em primeiro grau do influente fazendeiro conquistense Dr. Vanderlei Andrade. Estes atendendo chamamento e apelo do então refeito prefeito José Julião Tângari (1955 a 1958), arregimentaram seus préstimos junto ao governo estadual e principalmente, junto a CEMIG – Companhia Energéticas de Minas.

Cumpridas todas as prerrogativas, percorridos todos os caminhos, a CEMIG exigiu que os conquistenses adquirissem ações que formasse um montante considerável de capital, o qual serviria de contra partida e ajudaria nas despesas de implantação do empreendimento. E assim aconteceu, mais uma vez, o povo conquistense deu ares de desprendimento, sentimento patriótico e nativista, adquirindo ações Preferenciais e Nominativas da Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG.  Um registro: hoje as referidas ações se encontram desvalorizadas, em consequência de correções inadequadas, bem como, fruto dos sucessivos planos econômicos mirabolantes que permearam as últimas décadas. 
Certo é que no ano de 1960, na gestão do prefeito guaximense Lourenço Zaia, (1958 a 1960), a CEMIG inaugurava a nova rede de energia elétrica em Conquista, quando governava Minas Gerais, o Dr. José Francisco Bias Fortes.
Curiosamente, até hoje Conquista mantém certa dependência de Sacramento no campo da energia elétrica. É que, por não possuir Estação própria de energia, depende exclusivamente da Estação que abastece Sacramento, cuja energia chega até Conquista através de linha de transmissão. Em consequência das intempéries, constantemente desarma, causando apagões e demora do reabastecimento, pois não há um ponto de pronto atendimento da operadora CEMIG na cidade. Curiosamente o município de Conquista desde 1998, tornou-se exportador de energia elétrica através dos 210 megawatts (MW) gerados pela Usina Hidrelétrica de Igarapava, geradora que ocupa e abrange 28 quilômetros de margem lacustre do território conquistense.
Finalizando, essas são considerações que modestamente apresento por ocasião da mesa redonda presidida pela prefeita de Conquista, professora Véra Lúcia Guardieiro, sobre os 100 anos dos “Bondes de Sacramento” no V Festival de Inverno do Parque Náutico de Jaguara, em 08.06.2013.

Firmino Libório Leal, jornalista e escritor, Editor do Jornal O Conquistense.

Entrevistados:

Alberto Bragato, 93 anos comerciante aposentado, que por várias décadas manteve estabelecimento comercial, “Bar” defronte a Estação da Mogiana, em Conquista;

João Vasco Fuquizatto, 79 anos, contabilista e produtor rural aposentado;

João Sampaio Anacleto, 76 anos, odontólogo e professor de história, aposentado;

Felipe Caramóri, 84 anos, advogado, professor e serventuário da Justiça aposentado.

Bibliografia:
Usina Hidrelétrica de Igarapava
Prefeitura Municipal de Conquista
Câmara Municipal de Conquista
Prefeitura Municipal de Sacramento
Livro: os Bondes de Sacramento
 

Gente de nossa terra: Genoveva Filiacci Guardieiro, exemplo de trabalho, constância e determinação




O Conquistense abre o espaço “Gente de nossa Terra” para homenagear uma filha querida e ilustre de nossa mui querida Conquista: Genoveva Filiacci Guardieiro.

Genoveva nasceu em 17 de junho de 1920 em Conquista. Teve uma infância feliz na propriedade de seus pais, que situava nas proximidades da cidade, o sitio “Coqueiro”. Filha de Luiza Bizinoto Filiacci e Fernando Filiacci, ela faz parte da numerosa prole de 11 filhos, sendo 8 mulheres e 3 homens.

No sitio Coqueiro, os trabalhos se resumiam nos pequenos serviços do lar e na roça, mas o que marcou a sua infância, ficando para sempre perpetuado em sua memória, foi sem dúvida, as hortaliças tenras e frescas que a família produzia e vendia na cidade.

Ainda moça, contraiu núpcias com então alfaiate, Ítalo Guardieiro, “Seu Niva”. Com ele, aprendeu o santo ofício de costurar, e então, foi para a máquina de costura, ajudar no sustento da família, especialmente criar e educar as filhas: Beatriz e Véra. Em pouco tempo, tornou-se conhecida e famosa, devido habilidade, traquejo e fino acabamento das peças que lhe eram confiadas para costurar. Rapidamente, as maiores e melhores alfaiatarias da época lhe confiaram seus serviços, dentre muitas, destacamos: Alfaiataria de Moacir Rotelli, Gelindo Monte, João Bragato, João Vidal de Morais, dentre outros.

Devota de Santo Antônio, Dona Genoveva, mineiramente leva sua vida com simplicidade, outro dia, nos deparamos com ela em rua residência, defronte à sua maquina de costura e prestes a completar 93 anos de idade, (17/06), ela terminava mais uma encomenda para “A Caprichosa”, empresa do ramo de alfaiataria e confecções criada pelo saudoso João Vidal e Morais, e agora sob o comando de Dona Zilda Vidal de Morais. 

Há mais de meio século, Dona Genoveva com suas mãos de fada, deixa vestígios de capricho, delicadeza, requinte, perfeito arremate e fino acabamento, especialmente nas calças dos conquistenses que primam em vestir com elegância e bom gosto.

Acredito que o exemplo fala mais do que as palavras, acho que com Dona Genoveva tem sido assim, daí a razão de podermos afirmar com convicção: Dona Genoveva é exemplo de trabalho, constância e determinação. 

Que Deus a abençoe a gora e sempre!!!
Conquista, MG, 17/06/2013


sábado, 2 de março de 2013

Singela homenagem ao Dr. Rui da Matta Costa



Singela homenagem ao Dr. Rui da Matta Costa



Neste momento, tenho a difícil missão de dissertar sobre o admirável amigo Dr. Rui da Matta Costa, a quem sou muito grato. Fui seu secretário quando da sua gestão como Prefeito Municipal de Conquista de 1997 a 2000. Homem de rara inteligência, transmitia a todos um manancial de informações, conhecimentos, experiência de vida. Confesso: conviver com ele foi um grande aprendizado, muito do que sou hoje, devo a ele.

Dr. Rui faleceu no dia 25 de janeiro passado, com isso, Conquista perdeu o filho ilustre que exaltou sua história, transformou e enriqueceu radicalmente os meios políticos, jurídicos e a administrativos do Triângulo Mineiro. Dr. Rui encantou o estado com seus discursos patrióticos, líricos. Em detrimento do amor que nutria pelo pago amado, seus pronunciamentos foram verdadeiras pérolas literárias, carregadas de sentimento nativista e amor a terra berço.

Oriundo de família humilde mais extremamente honrada, honesta e trabalhadora, aquele garoto campesino teve dificuldades de estudar. Assim mesmo, mourejando no labor permanente da vida nos mais variados afazeres, “crescia em sabedoria e em graça diante de Deus e dos homens,” para transformar-se no porvir, em uma das mais ilustres e expressivas personalidades do nosso município.

O conquistense Dr. Rui da Matta Costa carrega a particularidade de ter exercido em sua terra natal, os três poderes que constitui a estrutura administrativa e judiciária nos moldes da Carta Magna e até mesmo, diante do pacto federativo, ou seja: Dr. Rui exerceu o Poder Legislativo como vereador, o Poder Executivo como prefeito, e o Poder Judiciário como Juiz de Direito da Comarca de Conquista. Além disso, também esteve frente ao Ministério Público local como Promotor de Justiça, além de ter exercido os mais variados cargos postos e funções, dentre muitos: aprendiz de farmácia, engraxate, auxiliar contábil, bancário e advogado. Com gestor público, seu governo perpetuou-se na história ao construir um conjunto habitacional e doar gratuitamente aos menos favorecidos. Preocupado com a dignidade dos pobres, construiu instalações sanitárias nas moradias desprovidas de sentina. Mas foi a vida forense que lhe valeu muito como prefeito. De lá, ele trouxe experiências, criou departamentos, secretarias, CPD e contribuiu denodamente para tornar a Delegacia de Policia Civil ON Line. Um gestor austero, probo, desempenhou seu mandato com espírito público e zeloso com o cabedal do município.

Homenagem

Em 2011, Dr. Rui foi agraciado com a “Medalha do Centenário de Conquista” por ocasião das comemorações do Centenário da cidade, honraria emanada do Poder Executivo Municipal. Anos antes, havia recebido a Comenda Desembargador Hélio Costa, honraria esta, oriunda da Comarca de Conquista e ratificada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Da mesma forma foi homenageado pela Câmara Municipal de Conquista com a Comenda Arsênio Rodrigues de Souza.

Para registro nos anais da história conquistense, deixamos aqui exarada essa singela homenagem a ilustre personalidade do Dr. Rui da Matta Costa.

Adeus menino descalço da Rua Grande! Adeus vereador, advogado, promotor, juiz, prefeito e principalmente filho ilustre, não só de Conquista, mais do estado de Minas Gerais. Adeus bom amigo Dr. Rui da Mata Costa.

“Há um menino, há um moleque, morando no meu coração. Toda vez que o homem balança ele vem para me dar a mão”. Milton Nascimento (bola de meia, bola de gude).