Encontro com Chico
Xavier na “Esquina do Enjeitei”.
Firmino Libório Leal
Jornalista. Escritor
Idos anos 70... Naquele tempo Uberaba fervilhava cultura. Cidade universitária se tornara também referencia regional na medicina. Tudo conspirava para que a metrópole se tornasse mundialmente conhecida. A ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, instituição que agrega em suas fileiras o rol de criadores da raça zebuína com espécies de alta linhagem, se preparava para transferir sua sede da Rua Manoel Borges no centro da cidade, para a pujante sede dentro do Parque de Exposições Fernando Costa.
Além
disso, a Doutrina Espírita desenvolvia naturalmente extraordinário turismo
religioso, com numeroso fluxo de pessoas de outros estados e até do exterior em
busca de suave encontro com o Médium mundialmente conhecido, Francisco Cândido
Xavier.
O
centro da cidade era pura poesia. A Praça Rui Barbosa era circundada por belíssimas
construções estilos: neogóticos, coloniais e aparente ecletismo.
No
inicio da Artur Machado tínhamos a Notre Dame de Paris numa esquina, e na
outra, o Bar 1001, este nunca fechava e era o local predileto dos notívagos da
Uberaba boêmia.
Seguindo
a rua, quase na esquina com a Avenida Leopoldina de Oliveira, tínhamos o famoso
Café JB e mais adiante, a “Esquina do Enjeitei”, ponto tradicional dos grandes
negociantes da raça zebuína, os quais cotidianamente ali se reuniam para
realizarem seus negócios e contatos comerciais.
Esse
emblemático local uberabense ficava sob a marquise do antigo Banco Financial de
Mato Grosso, na confluência de Rua Artur Machado com a Avenida Leopoldino de
Oliveira, era ali, naquele períbolo, que fervilhavam os acontecimentos de
Uberaba, junto a eles, as falácias: Eu enjeitei tanto em minha boiada! Outro:
Eu também enjeitei tanto no meu boi, no meu touro! E assim, aquele local ficou
conhecido e impregnado na população uberabense, como a “Esquina do Enjeitei”.
Pois
bem, certa tarde ao sair do estabelecimento bancário em que trabalhava rumo ao
Café JB, qual foi minha surpresa ao cruzar a “Esquina do Enjeitei”, me deparei
de frente com Chico Xavier. A emoção extravasou meu ser; trocamos ligeiro
olhar, e ele afável, me dirigiu cortês vênia com um leve aceno movimentando sua
cabeça verticalmente, no que prontamente respondi.
Pasmo,
fitei seu jeito leve no andar até sumir no meio da multidão que o saudava
incessantemente, assim como eu também o fizera. Daquele momento inesquecível guardei
para sempre na minha lembrança um simples fato: do lado direito de sua
algibeira, portava um chaveiro contendo inúmeras chaves as quais, adornavam e
combinavam com sua calça cinza envelhecida.
Os
anos se passaram... Certa ocasião ao ler a obra “Reencarnação no Mundo
Espiritual” da lavra mediúnica de Carlos Bacelli, pelo espírito do Dr. Inácio
Ferreira, me deparei com uma narrativa do Chico dizendo que certa vez ao
atravessar aquele logradouro para ir cuidar dos afazeres comerciais e
bancários, um grupo de entidades trevosas no mal, praticaram tentativas e atos
de agressões e achincalhamentos direcionados à sua pessoa. Porém, protegido
pelos benfeitores espirituais e por suas orações, ele saiu incólume daquelas
perseguições de nossos irmãos trevosos.
Ao
me debruçar sobre essa leitura, espírito áspero e rude que ainda sou, mesmo
assim, me lembrei daquela feliz tarde do meu encontro com Chico Xavier na
“Esquina do Enjeite” e, viajei num ousado sonho imaginário e quase real: quem
sabe não foi naquela tarde do nosso encontro que o Chico se desvencilhou
daquelas entidades trevosas?
Quanta
ousadia e vaidade de minha parte! Porém, desde aquele dia passei ver o mundo e
os meus semelhantes de forma diferenciada, com conceitos alicerçados na fé, na
esperança e no amor.
Que
Jesus nos abençoe!

