sexta-feira, 26 de junho de 2009

Otávio Cattâni: Um exìmio Contador de Causos


O exercício da imprensa no interior do Brasil, certamente não nos propicia retorno financeiro satisfatório, porém, nos induz e às vezes nos contempla momentos de rara satisfação e passagens inusitadas que certamente, só aqui acontecem. São situações em que estamos sujeitos a presenciá-las a qualquer momento, sem nenhum aviso prévio.

Certa ocasião li no programa músico–cultural, que modestamente apresento aos domingos pela Rádio Dinâmica FM de Conquista, Minas Gerais, uma crônica intitulada “O Encontro Inesperado” de autoria de Otávio Cattâni. A repercussão foi tanto, que tive que repetir a façanha vários domingos seguidos. Daí em diante, iniciei uma busca incessante à procura de Otávio Cattâni. Ei-lo. Ele doravante elencará o rol dos colunistas do jornal “O Conquistense”, com certeza, trará mais brilhantismo e alegria aos nossos leitores.

Otávio Cattâni dispensa apresentações, porém, vejamos o que diz o escritor Samir Cecílio sobre as proezas de Cattâni, contidas no artigo “A Contas dos Casos” publicado na imprensa uberabense:
“Pessoas há que têm a espontaneidade da prosa, principalmente se são contadores de casos. Estejam aonde estiverem, numa festa ou num velório, agregam em torno delas um auditório atento. Se o ambiente é de festa, eles com a palavra fácil, dão colorido e mais alegria à mesma. Conheço um dessa estripe. Não deixa tristeza criar raízes como tiririca nem vasta copa que sombreie os espíritos já e si macambúzios. Otávio Cattâni é boa prosa, e igual pessoa. Os nossos caminhos às vezes se cruzam e a sua fala me dá um bem-estar danado de bom. Eu o vejo na rua, à porta de minha casa ou nalguma reunião festiva. Conversamos. Não temos, ele nem eu, rei na barriga: aliás, o que temos é o que todo mundo tem, inclusive resquícios de pedantes que ainda carregam às costas o sarcófago de sua nobre e mal aclarada linhagem.

Felipe Cattâni, imigrante e pai de Otávio, foi fotógrafo em Conquista, infelizmente não ó conheci quando ainda vivo. Ora, lendo no Jornal Jumbinho (22 a 28 de março de 2001) “O Encontro Inesperado”, com assinatura de Otávio, conheço-lhe já um pedaço de sua vida. E descobri o Otávio contista que certamente herdou do pai senão a velha máquina de tirar retrato, mas dela a precisão de uma objetiva que fixa e detalha pessoas e costumes. E com prosa fluente, fácil e agradável.

Otávio contista? Contista sim senhor! E tão bom que a gente bate-lhe palmas e pede bis.
Nunca vi o Otávio num velório, mas tenho quase certeza de que se ele cochichar qualquer coisa ao ouvido do defunto reencarna-se-lhe o espírito; as carpideiras deixarão de lado as lamúrias e fecharão a roda para não perderem uma só vírgula de sua prosa. “E o ressuscitando de bom grado pagará a conta dos causos”. Assim é Otávio Cattâni.


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Caro Libório;

Belíssima homenagem ao Sr Octávio Cattani. Homem que só fazia ajudar aos outros e trabalhar e muito, até os 84 anos de idade. "Infelizmente" ele partiu para o plano espiritual na noite de hoje, na cidade de Aracaju, em casa de seu filho. Seu corpo chegará em Uberaba amanhã 28/12/2010. Caso queiram contactar a família em Uberaba, o telefone é (34)3332-3942.
Ele já está com Deus e na luz!