Filho primogênito de Evangelino Cunha e Eloáh Adrien Cunha. Nasceu na cidade de Jataí. Estado de Goiás, no dia primeiro de junho de 1914. Encabeçava uma prole de onze filhos.
Quando pequeno ganhou de sua mãe o apelido de “Barão”. Forma esta de tratamento que lhe foi dispensada sempre por todos os que privaram da sua mais estreita intimidade.
Advíncula era bem pequeno quando a família se transferiu para a cidade de Araxá e em seguida para Sacramento, época sempre referenciada por ele como de saudosa memória, que, às margens do Ribeirão Borá, nas proximidades da ponte do Rosário, ele viu sua prima “Lola” (Leonor Cunha) pela primeira vez. Na ocasião, ambos tinham, respectivamente, oito e seis anos de idade.
As crianças descalças molhavam os pés nas águas límpidas do riacho. Vendo-a luminosa, catita e orvalhada, desde aquele instante, Barão teve o pressentimento de que aquela linda e singular menina seria futuramente, e sem margem de dúvidas, a sua companheira para toda vida. Esse presságio o destino selou em 10 de junho de 1945, pois contraiu matrimônio com a eleita do seu coração, selando assim um compromisso oficializado de aproximadamente dez anos.
Desde jovem Advíncula auxiliava o pai nos afazeres do consultório dentário; profissão que Evangelino exercia, prestimoso e bastante procurado. Assim, na “função de Tiradentes” e como dentista ambulante, nosso homenageado começou a trabalhar na zona rural. Era contratado pelos fazendeiros para dar tratos dentários aos familiares e colonos. Vale ressaltar que era ele que executava também todos trabalho de prótese: moldava dentes, fazia pontes móveis e/ou fixas, dentaduras. Aparelhos para correção de arcadas mal-formadas, restaurações a ouro, além de realizar cirurgias em crianças que nasciam com lábio leporino e em casos graves de sinusite.
Por essa época fez-se: um kardecista convicto; um fervoroso maçon., tornou-se também um grande idealistas. Adepto da UDN (União Democrática Nacional), partido político da época.
Ante a necessidade de um maior convívio com a família, pois, ainda trabalhava fora de casa, Barão decidiu parar com os encargos de dentista ambulante e fixou residência e gabinete em Conquista, em agosto de 1950. Ao lar, “singelo e desatativado”, ajuntaram-se-lhes três filhos: Lincoln (1946), Áurea Marly (1948) e Luiz Adrião (1950). Contudo, este último faleceu precocemente nos primeiros dias de vida.
Assim que chegou em Conquista, junto com alguns companheiros de ideal fundou o Centro Espírita e Cultural Eurípedes Barsanulfo, constituindo-se seu primeiro presidente. Como maçom preclaro, foi um dos fundadores da Loja Maçônica Estrela Conquistense, inclusive, foi seu primeiro Venerável Mestre. Alguns anos mais tarde também trabalhou juntamente com doutor. Lindolfo Bernardes dos Santos e outros idealistas, para a implantação em Conquista do Ginásio Antônio Martins Fontoura Borges (hoje, Escola Estadual Doutor. Lindolfo Bernardes dos Santos).
Em Conquista e região Advíncula granjeou sólidos e eternos relacionamentos. Tinha predileção por literatura variada; gostava muito de escrever e inclusive há um vasto repertório de produções de sua lavra, tanto em prosa quanto em verso. Fez-se sem alarde, humildemente e sempre que necessário, em braço anônimo e pródigo para os necessitados de qualquer sorte: Legou-nos grandes lições de fraternidade e desprendimento.
Repentinamente, a primeiro de janeiro de 1978, viu-se enviuvado. Sua fiel e dedicada esposa partiu depois de 34 anos de casados. Apos isso, sempre aconselhado por todos os mais íntimos sobre a necessidade de nova companhia, Barão, contudo achava que a sua Lola era insubstituível. Porém tornou-se casmurro e por demais entristecido. A maioria dos seus causos era plena de saudades e recordações
Advícula tinha especial predileção por Conquista. À moda dos menestréis varava noites com nos papos. E a sua última noite passada em Conquista Foi regada a cerveja e serenata. Acompanhado dos “tocadores conquistenses”, muitos amigos foram homenageados De acordo como relato dos que o acompanharam, ele estava muito eloqüente e vivás. Sem que ninguém desconfiasse, era a despedida final.
No dia subsequente, Barão rumou a Sacramento, onde pernoitaria para, na manhã seguinte, ir a São Paulo. Porém, a vida quis diferente: ao voltar do mecânico onde levara o “fusca verde” para que fora vistoriado durante sua ausência, visitou uma prima adoentada, despedindo-se ganhou a rua. Não chegou a andar um quarteirão caiu e perdendo os sentidos foi imediatamente socorrido por pessoas amigas.
Sobre a cama vazia ficara apenas: a mala feita e a passagem já comprada... Permaneceu em coma quatro dias. No dia 31 de outubro de 1986 adentrou a Vida Maior, deixando um legado de grande beleza e valores éticos, através das palavras escritas e faladas, mas principalmente por exemplos vivos. Deus o abençoe hoje e sempre, Advíncula da Cunha.
Agradecemos a família do saudoso Advíncula da Cunha, especialmente a Dona Áurea Marly Cunha Gutierrez Salvador que colaborou com a matéria.
Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.
Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.


Um comentário:
Essa é uma otima leitura, parabéns!!
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