segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Tributo ao Dr. Hadel Wazir: médico e cidadão do mundo

Tenho a difícil missão de dissertar sobre a ilustre pessoa do Hadel Wazir falecido recentemente. Pois bem: no final do ano de 2002, recebi uma ligação telefônica propondo que eu recebesse na repartição pública onde trabalho, o Dr. Hadel Wazir. Surpreso com a proposta, mas feliz, disse que sim. O motivo do convescote seria um intercâmbio cultural, onde, o cerne do encontro, seria uma breve biografia da ilustre conquistense Ginette Stocco Emmer, ou melhor, Janete Clair, já que o mesmo foi contemporâneo e amigo da renomada novelista. Refeito, entendi o óbvio: Dr. Hadel queria que eu ampliasse o ciclo de publicações sobre Janete Clair, por considerar que o mais relevante a ser levado a público sobre ela, ainda não tinha sido feito.

Ao longo dos anos que sucederam o encontro, Dr. Hadel e eu, a cada visita que ele fazia a Conquista, nos encontrávamos no seu local predileto de refúgio e meditação: a centenária Estação Ferroviária de Conquista. Ali, naquele prédio de copiar lateral, nas fagueiras tardes conquistenses, mantínhamos longas conversas sobre fatos e acontecimentos ligados a Conquista, a sua gente.

Dr. Hadel e eu nos tornamos próximos e amigos. Dele recebi carinho, atenção e cuidados, nos tornarmos confidentes. Até mesmo a deferência de ser convidado a visitá-lo em São Paulo. Em detrimento dessa admiração mútua, chegou ao ponto de visitar o Parque Nacional da Serra da Capivara que fica localizado no meu estado de origem, o Piauí.

Era médico e cidadão do mundo. Conhecia muitos países, falava fluentemente vários idiomas. Por onde andou, divulgou Conquista, pois tinha amor arraigado a sua terra natal. A propósito: no Natal de 1970, mais precisamente em 26 de dezembro daquele ano, aconteceu um desastre de grandes proporções com o trem da Mogiana na localidade Engenheiro Lisboa, com um saldo de 21 mortos e 37 feridos. A maioria dos feridos foram socorridos e atendidos na Santa Casa de Misericórdia de Conquista, pelo médico Dr. Hadel Wazir que se encontrava de férias na cidade. Na oportunidade, o mesmo convocou o então jovem odontologista João Sampaio Anacleto, e juntos, num esforço sobre humano, atenderam a todos. Em consequência do seu desprendimento, altruísmo e competência médica, a Companhia Mogiana de Ferrovias e Navegação lhe enviou missiva de agradecimento e menção pelo socorro prestado aos seus usuários. Inclusive, propondo o ressarcimento pelos serviços médicos prestados. Tal foi a surpresa da Companhia Mogiana ao receber a resposta do Dr. Hadel Wazir: “não tenho nada a receber, apenas socorri meus irmãos conquistenses”.

Dr. Hadel Wazir nasceu em Conquista em 26 de junho de 1926. Era filho de Antônio Wazir e Nádia Wazir. Em São Paulo, desempenhou suas atividades profissionais como médico e empresário do setor, deixou um vasto círculo de amizade e muitos admiradores. Tinha o hábito de passar o Natal em Conquista. E foi justamente vindo de São Paulo para Conquista que veio a falecer de mal súbito dia 23 de dezembro passado, aos 84 anos de idade. Na ocasião, viajava de ônibus, no afã de rever os amigos, parentes e Conquista cidade que amou intensamente.

Além da inteligência, a lhaneza no trato, a firmeza nas convicções, dele ficou-me a fidalguia do bom conquistense. Pareceu-me sempre um homem dedicado, justo e bom. Isto justifica uma vida bem vivida. Que Deus o tenha bom amigo.

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

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