Frederico Valente
Da redação *Firmino Leal
Frederico Valente, nasceu em 1888 em Malo, Vincenza, no Vêneto, Itália. Filho de Girolamo (Jerônimo) Antônio Valente e Giulia Crozara Valente. Juntamente com seu irmão Leone Valente deu entrada em Trento a 11 de agosto de 1909, a fim de lutar na guerra Ítalo-Turca.
Frederico migrou para o Brasil em 1913. Casou-se com a italiana Regina Fancon Valente, nascida também Malo, Vincenza, Vêneto, Itália. Em 1888.
Deste maravilhoso enlace matrimonial nasceram sete filhos: Amélio Valente, nascido em 1912 em Malo Itália; Maria Brazilina Valente, nascida em 1914 em Conquista; Ângelo Valente, nascido em 1916 em Conquista; Lucindo Valente, nascido em 1919 em Conquista; Cantílio Valente, nascido em 1924 em Conquista; Alfio Valente, nascido em 1928 em Conquista; Lilia Hermínia Valente, nascida em 1929 em Conquista.
Frederico foi o primeiro mecânico de Conquista. Homem integro, de rara inteligência, empreendedor: um mestre!
Conquista foi um dos mais importantes entrepostos da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro e Navegação, quando o trem era o caminho que ligava São Paulo ao sertão. Pelo plano inclinado da encosta onde está situada a Estação, no trajeto até a Rua Grande na parte antiga da cidade, onde situava-se a Oficina Mecânica Valente, desciam os automóveis encaixotados em containers os quais, vinham dos Estados Unidos da América: FORD, CHEVROLET E CRYSLE e da Itália os da marca FIAT. Os caixotes eram arrastados sobre roletes.
Foi a conviver com o fluir do burburinho reinante, pois a cada chegada dos automóveis encaixotados era uma festa, bem como no dia em que Frederico e seus auxiliares apresentavam o veículo montado e, portanto, pronto para um desfile pela cidade: era poesia pura, uma festa! Essa era a Conquista que Frederico jamais se apartou! Ensinou aos filhos a importante arte e oficio da mecânica: uma lenda!
Frederico Valente faleceu em Conquista no recuado ano de 1969 e sua saudosa esposa havia falecido também em Conquista em 1964.
Um registro: em carta enviada ao consulado italiano em setembro de 1923, Frederico declarou-se financeiramente capaz de sustentar os pais que ainda residiam na Itália, assumindo a responsabilidade pelo sustento dos seus genitores e convidando-os a migrarem para o Brasil. Vieram então para Conquista e aqui residiram até falecerem.
A propósito: também migraram para o Brasil, Leone Valente (1914), já descrito aqui em nossa modesta página. Ermenegildo, (José) Valente, nascido em 1901 em Malo. Ermenegildo chegou em novembro de 1923, casou-se com a conquistense Carmella Monte, filha de italianos, e teve seis filhos. Mais tarde, mudou-se com a família para São Paulo, onde residiu até falecer. Tanto Ermenegildo, quanto Frederico e Leone eram exímios mecânicos e “chauffeurs”.
Finalizando, existem dois fatos pitorescos e emocionantes acontecidos com a figura lendária de Frederico Valente: um foi o “Encontro Inesperado” entre ele e seu companheiro na guerra Ítalo-Turca o também italiano Felipe Cattâni. (episódio já contado aqui). *O outro, também foi um encontro, porém não inesperado, pois deu-se nas ruas de Conquista entre Frederico e o Monsenhor José de Melo Resende, que ao vê-lo indagou: você não é o guarda que me saudava diariamente com uma “vênia” nos portões do Vaticano? Sim, sou eu mesmo. Fui da guarda do Vaticano por uns tempos logo após a guerra Ítalo-Turca. *Essa é uma história ainda por contar...
Nota do autor: agradecemos a participação do jovem Pietro Valente, sendo ele bisneto do Frederico Valente. Nossa gratidão!
*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, biógrafo, locutor, historiador, jornalista e bibliotecário.








