terça-feira, 24 de abril de 2012

Conquista dos meus amores: grandes são os filhos teus

Conquista é um dos mais felizes matrimônios da natureza com as obras dos homens. Do alto do Jardim Jatobá ou da escadaria do Cristo Redentor, a visão é de tirar o fôlego. Um espetáculo inesquecível, como me repetem todos aqueles que, em minha companhia, de lá correram os olhos sobre o casario entrecortado de árvores, ao correr a vista por suave colina onde se encontra encravada a cidade e, na outra margem do Rio Grande, as montanhas e os chapadões de São Paulo. Tampouco lhes sai da memória o passeio pelas ruas e avenidas largas e retilíneas, com suas casas novecentistas, algumas delas, representam o apogeu da cidade e traduções e estilos da belle époque. Outras, a nos mostrarem em sua simplicidade de linhas como pela via humilde se pode atingir a mais alta beleza.
 
Há poucos anos, exibiu-se no I Festival de Inverno do Parque Náutico de Jaguara, para cerca de apenas 100 pessoas, o filme gravado em Conquista, Ladrão de AR, de Cauê Angeli. O público formado majoritariamente por escritores, artistas e amantes das letras e das artes, ficou primeiro surpreso, e, depois, deslumbrado com as imagens de Conquista. Não faltou quem me dissesse que não podia sequer imaginar que no Triângulo Mineiro, houvesse uma cidade tão linda e tão diferente como paisagem, e não foram poucos os que se prometeram cumprir o dever de visitá-la. A reação dos que viram o filme confirmou em mim, ser Conquista um dos sítios com maior vocação turística da região sendo dois outros, Sacramento e a Serra da Canastra.


Legenda das Fotos: (direita) Poetisa Cely Vilhena, autora do romanceiro Conquista de Meus Amores. (acima) Poetisa Mafalda Monte, autora do Hino Oficial de Conquista.

Quem não cuida do que foi inventivo, afortunado, e harmonioso em seu passado, não merece o futuro. Por isso, a cidade volta a sorrir, volta a ser progressista e bem cuidada. Conquista foi um dos mais importantes entrepostos da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e Navegação, quando o trem era o caminho que ligava São Paulo ao sertão. Pelo plano inclinado da encosta que continua até a Rua Grande na parte antiga da cidade, desciam e subiam arrastadas ou sobre roletes, as mercadorias que lhe animavam o comércio, inclusive, automóveis que vinham dos Estados Unidos encaixotados em containeres.


Nesse pano inclinado, nessa rua e também nas vizinhas, brincaram as meninas, as maiores poetisas da cidade: Mafalda Monte e Cely Vilhena. Foi a conviver com esse casario e com o fluir do burburinho reinante, que elas descobriram que sua terra natal era um céu, se havia um céu sobre a terra, "um céu sob outro céu tão límpido e tão brando / que eterno sonho azul parece estar sonhando", a Conquista da qual jamais Cely se apartou emocionalmente em outras plagas, em outras paragens. Quanto a Mafalda, dedicou a ela o seu pleito maior, ou seja, a composição do Hino Oficial do Município de Conquista.

A alegria e a emoção que me arrebata nesta hora, tornam-me impotente ao escolher as palavras finais. No entanto, quero evocar uma poesia neste momento: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”, como todos vocês que têm caminhado comigo nessa Conquista. 

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

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