O Cine Teatro Vera Cruz, sucedeu ao antigo
Cine Teatro Luso Brasileiro que surgiu no início da década de 20, por
iniciativa de dois entusiastas do rádio e do cinema: os Srs. Adolpho
Muccciolli, de origem ítalo-argentina e do coronel Manoel Marques, português de
nascimento, fortíssimo negociante de cereais e objetos manufaturados e
importados, além de ser representante de bancos estrangeiros em Conquista.
O atual prédio foi construído em substituição
ao antigo, que abrigou por quase uma década, o Cine Teatro Luso Brasileiro, que
ruiu em consequência de um incêndio ocorrido em 02 de novembro de 1927. Sua
localização não podia ser melhor! Foi destinado o mesmo local, um amplo terreno
na rua Principal, hoje, Agenor Fontoura Borges, que fica a cerca de 50 metros
da escada de acesso à antiga Estação da Estrada de Ferro Mogiana. Em pouco
tempo, ficou pronto, com toda sua pujança, fazendo inveja às cidades vizinhas
de Sacramento e Uberaba e região.
Propalada a sua inauguração, nada melhor do
que um programa festivo, que fatalmente atingiria os habitantes das cidades do
Estado de São Paulo localizadas na margem esquerda do Rio Grande. O prédio era
luxuoso e muito bonito em seu conjunto arquitetônico, o que fazia dele, uma obra prima da região. Uma Companhia de Revistas do Rio de Janeiro foi escolhida
para uma temporada de 15 dias, quando da sua estréia, trazendo para cidade um
grande fluxo de gente, que não resistiria à vontade de conhecer a sua fama.
Foram várias décadas de muito glamour, muita
distração e entretenimento, ali, harmoniosa orquestra animava as películas e
exibições de cinema mudo. Além de cinema, eram realizadas, gincanas,
apresentações, teatrais, artísticas, musicais, que aconteceram até 1986,
ocasião em que foram desativadas as exibições cinematográficas. Em 1988 por
iniciativa do então prefeito Municipal Sérgio Guimarães Rezende, o prédio
passou por uma superficial reforma e foi escrito um letreiro na faixada do prédio: “Centro Cultural Jannete
Clair”, em homenagem a ilustre novelista conquistense. Um registro: na ocasião o poder público não podia nomear através de Lei, pois o prédio era particular e pertencia a uma sociedade de cotistas, uma especie de S.A.
Hoje, o prédio pertence a Santa Casa de
Misericórdia de Conquista, fruto do empenho e árduo trabalhado da diretoria
presidida por Vera Colares, que pessoalmente, arregimentou, fomentou, lutou e conseguiu
junto à Justiça o usucapião do mesmo, já que os antigos proprietários estavam
aglutinados num sistema de cotas, nos moldes de uma Sociedade Anônima, além
disso, a maioria deles já havia falecido.
Por iniciativa nossa e de artistas locais,
várias matérias já foram veiculadas na imprensa, tais como: na Rede Integração,
afiliada da Rede Globo, Globo News, no jornal Tribuna Livre órgão de imprensa
da Câmara Municipal de Conquista, na Rádio Comunitária Dinâmica FM e no jornal
O Conquistense, todas elas apelando e abordando a necessidade de restauração do
prédio. Numa visão patriótica, cultural e futurista, a atual Administração Municipal após
firmar comodato com a Santa Casa para utilização do prédio por 30 anos, lutou incessantemente e conseguiu alocar recursos
para a restauração do mesmo, inclusive, com projeto de revitalização já
elaborado e as obras iniciados pela empresa conquistense vencedora da licitação e concorrência, a Construtora Justino Ltda.
Então, o prédio agora um Próprio municipal, por força da Lei nº 988/11, de 18 de março de
2011, passou a ter a denominação de Centro de Eventos Paulo Assunção
Valentino, em homenagem ao ilustre conquistense de saudosa memória, que durante
a sua existência terrena, trilhou os mais variados seguimentos da vida pública,
social e cultural da cidade. Achamos que restauração daquele espaço cultural, será o grande sonho de todo povo conquistense e seria a redenção da
cultura local, bem como de grande valia para as artes.
Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.


Nenhum comentário:
Postar um comentário