O arrebol conquistense é
diferenciado de qualquer outro lugar que conheço. O gorjeio matutino da
passarada saudando o dia que chega, transforma o trajeto entre a nossa modesta
moradia, e o local onde desenvolvemos o labor na azáfama diária de auferirmos o
nosso justo ganho, num ambiente salubre e agradabilíssimo. Além disso, nos
convida a reflexão e nos remete a paz.
Sempre recebi atenção e
predileção especial da criançada, e foi exatamente uma delas, que de forma
contundente me interpelou, quando pasmo, observava as Maritacas em algazarra
nas copas das árvores do Jardim Paroquial. Quando me viu, gritou: Sô Leal! Como
o sinhô pediu no Rádio, a fanfarra voltou! Que bom, respondi!
Mais surpreso ainda, foi quando
adentrei a sala de trabalho e me deparei com uma foto fixada no rak : estava
escrito na mesma, “Ninão e Leal”. Alguém me presenteara não com uma simples
fotografia, mas com um amontoado de lembranças e recordações indeléveis.
A fotografia trouxe a lume, a
história a mim contada por Ângelo Rodolfo Canassa, de saudosa memória. Dizia
ele:
“certa ocasião a Fanfarra Conquistense foi convidada para uma apresentação na
cidade de Sacramento, visto que sua fama expandiu-se além fronteiras. Naquele
dia, no coração de Sacramento, Conquista fez-se ouvir: seus clarins, tambores,
taróis e atabaques, sob a batuta do mestre e maestro, Ninão. Que, como herói,
saiu aplaudido de pé”.
Confesso! Senti saudades...
Como faz falta o saudoso Amélio Guardieiro! Carinhosamente conhecido por
“Ninão”. Onde está a professora e diretora Marisa Canassa? E o professor José
Carlos Scandar de saudosa memória? Não ouço seu grito entusiasta. “Avante
escola! Atenção”! E João Nunes porta-bandeira? Padre Pedro Magaline, magnânimo
diretor!
Lembram-se da criança que me interpelou? Encontrei-a, portava um instrumento de sopro e, se dirigia para o Estádio Municipal, local onde estão se desenvolvendo os ensaios da fanfarra que ressurge, talvez das cinzas como uma Fênix. Graças ao abnegado patriotismo e entusiasmo de nosso governo municipal e de outros, alguns até veteranos, que lá estão para através dos seus exemplos, arregimentarem os jovens e adolescentes, enfim, o povo em geral, que sob a batuta do professor Luiz Alfredo Mendonça, farão ecoar novamente em 30 e agosto, o som dos nossos clarins.
Que rufem nossos tambores!
Avante Conquista!
Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.


Nenhum comentário:
Postar um comentário