sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Memória Conquistense: o Jornalista pioneiro Zenon Zoroastro Borges


Zenon Zoroastro Borges, homem de imprensa, pioneiro, letrado, foi uma das figuras de destaque do nosso meio intelectual. Era casado com a lendária e também pioneira professora Flávia Lana Borges. Iniciou carreira militar chegando a ocupar o posto de tenente secretário do 76° Batalhão de Infantaria Estado-Maior do Exército Brasileiro

Em setembro de 1912, ainda moço, e após concluir seus estudos, contando apenas com 25 anos de idade, aportou em Conquista, ocasião em que foi nomeado secretário da presidência da Câmara, cargo que ocupou com esmerado zelo e destacada competência.

Inquieto que era, fundou em Conquista juntamente com o Major Aristogiton França, o bem elaborado semanário O Imparcial, que contava com excelente corpo de redatores e colunistas.

Zenon Zoroastro Borges, sempre transpareceu com fulgor e brilho na imprensa conquistense, suas produções tanto em prosa como em versos, foram muito apreciadas pelos leitores da época e até hoje permeiam a azáfama literária.

Foi contemporâneo, amigo e discípulo de Euripedes Barsanulfo, sendo aclamado como orador oficial nas solenidades festivas ou comemorativas que envolvia Euripedes ou a instituição que dirigia, sempre solícito, lá estava Zenon Borges com sua oratória, tanto que a enciclopédia francesa L’ Apotre de La Charite traz significativa narrativa sobre tais acontecimentos, assim como, sua participação como professor do Colégio Allan Kardec, instituição criada e dirigida por Eurípedes.

Através deste modesto relato rendemos justa homenagem ao inteligente e pioneiro jornalista, que muito cooperou pelo engrandecimento de Conquista.

Firmino Libório Leal: Email. liborio.leal@gmail.com  Fone 34 98814-4055

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Italiano Cláudio Zanet visitou Conquista


A cidade de Conquista literalmente parou entre os dias, 06 a 17 de abril para receber o italiano Cláudio Zanet. Foram 11 dias de muita movimentação, alegria e júbilo. 

Benvenuti a Conquista Cláudio Zanet

O Sr. Cláudio Zanet veio ao Brasil pela primeira vez, especialmente a Conquista, para conhecer os parentes da família Zago que migraram para o Brasil por volta de 1888. Aqui se instalaram, prosperam e criaram numerosa prole, sendo o patriarca e ex-prefeito de Conquista Francisco Zago Filho, irmãos e irmãs, seus primos em segundo grau.

Cláudio Zanet é aposentado, conta com 65 anos de idade, trabalhou muitos anos numa Usina Nuclear e em outras atividades similares, é da cidade de Sermoneta, província Latina, região do Lazio, Itália.


Cordato, eloquente e carismático, Cláudio esbanjou simpatia ao falar da Itália, sua história, tradições, culinária.  Sua descendência, a geografia e a beleza que dispõe sua querida cidade de Sermoneta.  Da mesma forma, disse que ficou encantado com Conquista, suas praças e jardins. Com exuberância do verde, com o casario e principalmente, com a hospitalidade do povo conquistense. 

Cláudio foi recebido pela Prefeita Véra Lúcia Guardieiro como Estadista

Dia (10/04), a prefeita Véra Lúcia Guardieiro recebeu em seu gabinete, o senhor Cláudio Zanet, que achava-se acompanhado dos parentes: Francisco Zago Filho, Francisquinho Zago, da senhorita Luiza Gerolim  e do professor Dimas da Cruz Oliveira, que além de cicerone, serviu de intérprete em todos os acontecimentos e encontros em que o visitante esteve envolvido.

Com a presença de vários secretários municipais e do pároco José Edilson, a prefeita Véra Lúcia Guardieiro recebeu o Sr. Cláudio de forma solene e institucional, dispensando especial atenção ao ilustre visitante. Na oportunidade, Véra agradeceu a visita e desejou a ele, uma feliz estadia entre nós. Emocionando, Cláudio agradeceu a acolhida, colocando-se à disposição do povo conquistense especialmente de seus parentes. Na ocasião Cláudio afirmou que permaneceria em Conquista até o dia 18 de abril, quando então retornaria a Itália, como de fato aconteceu.

Daí em diante, foi um verdadeiro corre-corre. Cláudio esteve sempre com agenda lotada, todos queriam conhecê-lo e desfrutar de sua simpatia. Um almoço aqui, outro ali. Um pouso aqui, outro acolá, a salutar convivência com os primos queridos da família Zago. O intercâmbio com outras famílias oriundas da Itália, quando se deparava com alguém de uma delas, era sempre motivo de muita alegria, enfim, visita aos principais pontos turísticos de Conquista e região: Museu, Biblioteca, Câmara Municipal, Estádio Municipal, praças e jardins, Zona Rural, Rádio Dinâmica FM, cidade de Uberaba, distrito de Guaxima e por fim, os finais de tarde e inicio de noite, sempre no convívio familiar e fraterno dos primos e primas, e a presença nas missas da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes.


 Arrivederci Cláudio

Em homeagem ao  Cláudio...

...O Coral Vozes de Conquista realizou um recital com reportório de músicas italianas.


Dois fatos marcantes aconteceram no limiar da despedida de Cláudio: o primeiro foi quando em sua homenagem, seus parentes e amigos se reuniram e o receberam no recinto da Palazzo Festas para num belíssimo recital com repertório de músicas italianas do Coral Vozes de Conquista. Foram momentos de muita emoção vividos por Cláudio. Ali se fizeram presente várias famílias de origem Italiana: Amatângelo, Boense, Bizinotto, Caramóri, Crozara, Fochezatto, Guardieiro, Gerolim, Monte, Mattiolli, Naghetini, Roncolato, Zago, Valente, além de outras famílias como: Damião, Sakr, Ferreira, Leal, Cruz Oliveira, Gonçalves e Santos. Um outro fato marcante foi a despedida de Cláudio junto a Administração Municipal. Na oportunidade a prefeita Véra Lúcia Guardieiro lhe disse que Conquista se sente lisonjeada com a ilustre visita. Que o Sr. Cláudio Zanet leve aos seus conterrâneos, a nossa singela mensagem: em Minas Gerais, no coração do Brasil, existe uma pequena cidade que é conhecida  e tratada como "Um cantinho da Itália em Minas".


E-mail com mensagem enviada por Cláudio a Sindaco (Prefeita) da cidade de Sermoneta-Itália:

Ti invio questi saluti da una citta´ dove tanti italiani ricordano la loro Patria con affetto, sono stato accolto con inimagginabile calore e con questa visita ho portato una curiosita`in questi cittadini di osservare le immagini del nostro paese e la tua foto su google< ti rinnovo i saluti anche da parte della sindachessa locale e dei suoni cittadini ciao a presto in Itália.

Te envio saudações desta cidade onde tantos italianos recordam sua terra natal com afeto.Fui recebido com imaginável carinho, e com esta visita eu trouxe uma curiosidade nestes cidadãos de observarem imagens de nosso Pais e suas fotos no Google.Te renovo as saudações também da parte da Prefeita local e de seus cidadãos.

Até breve em Itália!

Claudio Zanet


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Saudação aos 100 anos de Conquista.


Salve Conquista! 100 vezes Salve!!!

Neste momento importante da história, tenho dedicado todo meu amor, todo meu carinho e devoção a Conquista. Recentemente, me debrucei na história e escrevi, dirigi e sobre o Centenário de produzi o Documentário Conquista que veio a lume, dia 23/08, cujo local de exibição da sua primeira edição foi o plenário da Câmara Municipal de Conquista. Da mesma forma, empreguei todo meu modesto conhecimento e pálida técnica, para produção das fotografias que ornamentam o Selo do Centenário; lançado simultaneamente, tanto pela Prefeitura Municipal de Conquista, como pela Câmara Municipal, ou seja, as fotos do Cristo Redentor; a Cachoeira de Santa Maria; a Biblioteca Municipal Monsenhor José de Mello Resende; a Pousada Novo Alvorecer e por último a fotografia do majestoso prédio, outrora Estação Ferroviária de Conquista, hoje, plenário da Câmara Municipal.

Além disso, pretendo brevemente lançar o livro “Estação Conquista”. Modesto opúsculo totalmente dedicado a Conquista.

Nas páginas de O Conquistense, criamos a logomarca dos “100 Anos”, valorizamos os produtos da terra, como Vinho Giácomo, Goodsoy, Cachaça P.O. dentre outros que virão à tona. Também, estamos valorizando os filhos da terra, ou pessoas que lhe são gradas, presentes ou ausentes, divulgando seus valores, legado histórico, cultural e geográfico. Com isso, achamos que contribuímos com considerável parcela para o Centenário de Conquista.


Historicamente, Conquista é sinônimo de chegar, lutar, desbravar e vencer!


Este é nosso lema desde 1911, e até mesmo antes, os sonhos dos que te amam foram convergidos em lutas e realizações. Hoje, reunidos e jubilosos, vivenciamos o encerramento do ciclo secular e início de outro.

Neste momento de transição, devemos render e agradecer a Deus, e como seus filhos festejar, pois fizemos deste chão, um solo fecundo. De nossa história herdamos o símbolo de galhardia. Das lutas, herdamos a descoberta da força. Das realizações, herdamos a certeza das potencialidades. Do futuro, a crença e esperança de dias melhores. Da convivência, a visão do sinal claro do amor.

Conquista; Que por toda a tua existência, continue firme em seus propósitos expostos nas cores de nossa flâmula auriverde: No verde, esperança e respeito à natureza. No amarelo, valorização do potencial de seu maior patrimônio: seus filhos e seu solo fértil e vicejante.

É ocasião de comemorarmos. A alegria e a emoção que me arrebata nesta hora, tornam-me impotente ao escolher as palavras finais. No entanto, quero evocar uma poesia neste momento, pois o poeta tem a responsabilidade de transmitir ao mundo o sentimento de todos os homens.

Em Conquista terra natal de muitos vultos ilustres há um céu sobre a terra, "um céu sob outro céu, tão límpido e tão brando / que eterno sonho azul parece-me estar sonhando”. Eu vos afirmo: “o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”, como todos vocês que têm caminhado comigo nessa Conquista.

A história de Conquista tem duas páginas laureadas que jamais seus filhos esquecerão: A primeira, a luta encetada por Tancredo França, Antônio Alves da Silva e Antônio de Oliveira Maia, que daqui, rumaram para Campinas e posteriormente, Rio de Janeiro para conquistarem a criação do Município de Conquista consoante à divisão territorial e administrativa do Brasil que estava prestes a acontecer. A esses paladinos, devemos a nossa independência e criação.
 
A segunda, a maneira diferenciada com que atual gestora toca a Administração Municipal, rompendo com velhos costumes e mazelas, trazendo da iniciativa privada para vida pública, larga bagagem administrativa, com isso, Conquista voltou ao patamar da honra, do trabalho, do patriotismo e da fé. Daí à minha convicção: Conquista terá duas épocas administrativas: uma antes e, outra depois da gestão Véra Lúcia Guardieiro.

Parabéns Conquista, pelo seu primeiro Centenário!
Viva Conquista! “Um passado de glória. Um futuro de Esperança!”


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

A Fanfarra Voltou


O arrebol conquistense é diferenciado de qualquer outro lugar que conheço. O gorjeio matutino da passarada saudando o dia que chega, transforma o trajeto entre a nossa modesta moradia, e o local onde desenvolvemos o labor na azáfama diária de auferirmos o nosso justo ganho, num ambiente salubre e agradabilíssimo. Além disso, nos convida a reflexão e nos remete a paz.

Sempre recebi atenção e predileção especial da criançada, e foi exatamente uma delas, que de forma contundente me interpelou, quando pasmo, observava as Maritacas em algazarra nas copas das árvores do Jardim Paroquial. Quando me viu, gritou: Sô Leal! Como o sinhô pediu no Rádio, a fanfarra voltou! Que bom, respondi!

Mais surpreso ainda, foi quando adentrei a sala de trabalho e me deparei com uma foto fixada no rak : estava escrito na mesma, “Ninão e Leal”. Alguém me presenteara não com uma simples fotografia, mas com um amontoado de lembranças e recordações indeléveis.

A fotografia trouxe a lume, a história a mim contada por Ângelo Rodolfo Canassa, de saudosa memória. Dizia ele: “certa ocasião a Fanfarra Conquistense foi convidada para uma apresentação na cidade de Sacramento, visto que sua fama expandiu-se além fronteiras. Naquele dia, no coração de Sacramento, Conquista fez-se ouvir: seus clarins, tambores, taróis e atabaques, sob a batuta do mestre e maestro, Ninão. Que, como herói, saiu aplaudido de pé”.

Confesso! Senti saudades... Como faz falta o saudoso Amélio Guardieiro! Carinhosamente conhecido por “Ninão”. Onde está a professora e diretora Marisa Canassa? E o professor José Carlos Scandar de saudosa memória? Não ouço seu grito entusiasta. “Avante escola! Atenção”! E João Nunes porta-bandeira? Padre Pedro Magaline, magnânimo diretor!

Lembram-se da criança que me interpelou? Encontrei-a, portava um instrumento de sopro e, se dirigia para o Estádio Municipal, local onde estão se desenvolvendo os ensaios da fanfarra que ressurge, talvez das cinzas como uma Fênix. Graças ao abnegado patriotismo e entusiasmo de nosso governo municipal e de outros, alguns até veteranos, que lá estão para através dos seus exemplos, arregimentarem os jovens e adolescentes, enfim, o povo em geral, que sob a batuta do professor Luiz Alfredo Mendonça, farão ecoar novamente em 30 e agosto, o som dos nossos clarins.

Que rufem nossos tambores!   Avante Conquista!
Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Conquista dos meus amores: grandes são os filhos teus

Conquista é um dos mais felizes matrimônios da natureza com as obras dos homens. Do alto do Jardim Jatobá ou da escadaria do Cristo Redentor, a visão é de tirar o fôlego. Um espetáculo inesquecível, como me repetem todos aqueles que, em minha companhia, de lá correram os olhos sobre o casario entrecortado de árvores, ao correr a vista por suave colina onde se encontra encravada a cidade e, na outra margem do Rio Grande, as montanhas e os chapadões de São Paulo. Tampouco lhes sai da memória o passeio pelas ruas e avenidas largas e retilíneas, com suas casas novecentistas, algumas delas, representam o apogeu da cidade e traduções e estilos da belle époque. Outras, a nos mostrarem em sua simplicidade de linhas como pela via humilde se pode atingir a mais alta beleza.
 
Há poucos anos, exibiu-se no I Festival de Inverno do Parque Náutico de Jaguara, para cerca de apenas 100 pessoas, o filme gravado em Conquista, Ladrão de AR, de Cauê Angeli. O público formado majoritariamente por escritores, artistas e amantes das letras e das artes, ficou primeiro surpreso, e, depois, deslumbrado com as imagens de Conquista. Não faltou quem me dissesse que não podia sequer imaginar que no Triângulo Mineiro, houvesse uma cidade tão linda e tão diferente como paisagem, e não foram poucos os que se prometeram cumprir o dever de visitá-la. A reação dos que viram o filme confirmou em mim, ser Conquista um dos sítios com maior vocação turística da região sendo dois outros, Sacramento e a Serra da Canastra.


Legenda das Fotos: (direita) Poetisa Cely Vilhena, autora do romanceiro Conquista de Meus Amores. (acima) Poetisa Mafalda Monte, autora do Hino Oficial de Conquista.

Quem não cuida do que foi inventivo, afortunado, e harmonioso em seu passado, não merece o futuro. Por isso, a cidade volta a sorrir, volta a ser progressista e bem cuidada. Conquista foi um dos mais importantes entrepostos da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e Navegação, quando o trem era o caminho que ligava São Paulo ao sertão. Pelo plano inclinado da encosta que continua até a Rua Grande na parte antiga da cidade, desciam e subiam arrastadas ou sobre roletes, as mercadorias que lhe animavam o comércio, inclusive, automóveis que vinham dos Estados Unidos encaixotados em containeres.


Nesse pano inclinado, nessa rua e também nas vizinhas, brincaram as meninas, as maiores poetisas da cidade: Mafalda Monte e Cely Vilhena. Foi a conviver com esse casario e com o fluir do burburinho reinante, que elas descobriram que sua terra natal era um céu, se havia um céu sobre a terra, "um céu sob outro céu tão límpido e tão brando / que eterno sonho azul parece estar sonhando", a Conquista da qual jamais Cely se apartou emocionalmente em outras plagas, em outras paragens. Quanto a Mafalda, dedicou a ela o seu pleito maior, ou seja, a composição do Hino Oficial do Município de Conquista.

A alegria e a emoção que me arrebata nesta hora, tornam-me impotente ao escolher as palavras finais. No entanto, quero evocar uma poesia neste momento: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”, como todos vocês que têm caminhado comigo nessa Conquista. 

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Antônio Alves da Silva



Tenho a difícil missão de contar um pouco da historia da importante família de origem portuguesa, os “Alves da Silva”. Pela sua importância e pelo legado que seu patriarca deixou, devo por obrigação, centrar as minhas narrativas, na figura de Antônio Alves da Silva, um vulto que jamais se apagará das páginas da história de Conquista.

Antônio Alves da Silva, filho de Luis Alves da Silva e Mariana Umbelina da Silva, nasceu em 1844, na cidade de Conservatória, Rio de Janeiro. Ainda moço mudou-se para Ribeirão Preto, São Paulo, adquiriu uma fazenda, que mais tarde viria ser trocada por outra em terras que outrora pertenceram ao português Manoel Bernardo Nazianzeno da Silveira. A propriedade compreendia todo terreno em que se localizou o então arraial, hoje, a cidade de Conquista, Minas Gerais.

Homem avançado para os padrões da época, Antônio Alves da Silva, de idéias genuinamente republicanas, muito contribuiu pela nossa emancipação política.  Criativo, de espírito aventureiro e desbravador, integrou-se facilmente à sua nova empreitada, que era promover o desenvolvimento da nova terra que adotara como morada. Firmou então, parceria com o Coronel Francisco Meireles do Carmo, doando uma gleba para levantamento da Vila com planta meticulosamente traçada pelo sertanista e engenheiro Crispiniano Tavares, serviço este que, só se deu por findo em 1894.

Antônio Alves da Silva doou significado patrimônio territorial à cidade, tendo como base e alicerce, as principais virtudes fundamentais na construção do caráter do homem. Vejamos: doou terreno para construção da igreja, das escolas, cemitério, e terreno para construção de um bairro para os menos favorecidos.

Extremamente caritativo, as suas terras sempre estiveram franqueadas à pobreza, mantinha em seus domínios, uma espécie de asilo, que abrigava e dava guarida às pessoas vitimadas por epidemias como a lepra, e a hanseníase, doenças tão comuns naqueles tempos. Além abrigar, com recursos próprios alimentava as pessoas doentes e com a linfa generosa, saciava a sede dos caminhantes e retirantes.

Fez várias doações aos Governos Estadual e principalmente Municipal. Fruto do seu prestígio, Antônio Alves da Silva chegou a ostentar os postos honorários de Capitão, Major e Tenente-Coronel da Guarda Nacional. Foi um homem de grandes haveres, existe até um seleto grupo de pessoas gradas que lhe atribuem o título de fundador da cidade, comungamos com esse ideal. Casou-se duas vezes, faleceu em 13 de janeiro de 1916, aos 72 de idade, deixando numerosa prole. Hoje, a sua laboriosa e honrada descendência continua espargindo a chama, os preceitos e as virtudes deixadas pela figura ímpar de Antônio Alves da Silva. Através do seu legado, expressamos a nossa gratidão e rendemos uma singela homenagem aos “Alves da Silva”.


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Nossa História: Cine Luso Brasileiro, Cine Vera Cruz, Centro Cultural Janete Clair, Centro de Eventos Paulo Assunção Valentino

O Cine Teatro Vera Cruz, sucedeu ao antigo Cine Teatro Luso Brasileiro que surgiu no início da década de 20, por iniciativa de dois entusiastas do rádio e do cinema: os Srs. Adolpho Muccciolli, de origem ítalo-argentina e do coronel Manoel Marques, português de nascimento, fortíssimo negociante de cereais e objetos manufaturados e importados, além de ser representante de bancos estrangeiros em Conquista.

O atual prédio foi construído em substituição ao antigo, que abrigou por quase uma década, o Cine Teatro Luso Brasileiro, que ruiu em consequência de um incêndio ocorrido em 02 de novembro de 1927. Sua localização não podia ser melhor! Foi destinado o mesmo local, um amplo terreno na rua Principal, hoje, Agenor Fontoura Borges, que fica a cerca de 50 metros da escada de acesso à antiga Estação da Estrada de Ferro Mogiana. Em pouco tempo, ficou pronto, com toda sua pujança, fazendo inveja às cidades vizinhas de Sacramento e Uberaba e região.

Propalada a sua inauguração, nada melhor do que um programa festivo, que fatalmente atingiria os habitantes das cidades do Estado de São Paulo localizadas na margem esquerda do Rio Grande. O prédio era luxuoso e muito bonito em seu conjunto arquitetônico, o que fazia dele, uma obra prima da região. Uma Companhia de Revistas do Rio de Janeiro foi escolhida para uma temporada de 15 dias, quando da sua estréia, trazendo para cidade um grande fluxo de gente, que não resistiria à vontade de conhecer a sua fama.

Foram várias décadas de muito glamour, muita distração e entretenimento, ali, harmoniosa orquestra animava as películas e exibições de cinema mudo. Além de cinema, eram realizadas, gincanas, apresentações, teatrais, artísticas, musicais, que aconteceram até 1986, ocasião em que foram desativadas as exibições cinematográficas. Em 1988 por iniciativa do então prefeito Municipal Sérgio Guimarães Rezende, o prédio passou por uma superficial reforma e foi escrito um letreiro na faixada do prédio: “Centro Cultural Jannete Clair”, em homenagem a ilustre novelista conquistense. Um  registro: na ocasião o poder público não podia nomear através de Lei, pois o prédio era particular e pertencia a uma sociedade de cotistas, uma especie de S.A.

Hoje, o prédio pertence a Santa Casa de Misericórdia de Conquista, fruto do empenho e árduo trabalhado da diretoria presidida por Vera Colares, que pessoalmente, arregimentou, fomentou, lutou e conseguiu junto à Justiça o usucapião do mesmo, já que os antigos proprietários estavam aglutinados num sistema de cotas, nos moldes de uma Sociedade Anônima, além disso, a maioria deles já havia falecido.

Por iniciativa nossa e de artistas locais, várias matérias já foram veiculadas na imprensa, tais como: na Rede Integração, afiliada da Rede Globo, Globo News, no jornal Tribuna Livre órgão de imprensa da Câmara Municipal de Conquista, na Rádio Comunitária Dinâmica FM e no jornal O Conquistense, todas elas apelando e abordando a necessidade de restauração do prédio. Numa visão patriótica, cultural e futurista, a atual Administração Municipal após firmar comodato com a Santa Casa para utilização do prédio por 30 anos, lutou incessantemente e conseguiu alocar recursos para a restauração do mesmo, inclusive, com projeto de revitalização já elaborado e as obras iniciados pela empresa conquistense vencedora da licitação e concorrência, a Construtora Justino Ltda.


Então, o prédio agora um Próprio municipal, por força da Lei nº 988/11, de 18 de março de 2011, passou a ter a denominação de Centro de Eventos Paulo Assunção Valentino, em homenagem ao ilustre conquistense de saudosa memória, que durante a sua existência terrena, trilhou os mais variados seguimentos da vida pública, social e cultural da cidade. Achamos que restauração daquele espaço cultural, será o grande sonho de todo povo conquistense e seria a redenção da cultura local, bem como de grande valia para as artes.



Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.