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domingo, 11 de julho de 2021
Encontro com Chico
Xavier na “Esquina do Enjeitei”.
Firmino Libório Leal
Jornalista. Escritor
Idos anos 70... Naquele tempo Uberaba fervilhava cultura. Cidade universitária se tornara também referencia regional na medicina. Tudo conspirava para que a metrópole se tornasse mundialmente conhecida. A ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, instituição que agrega em suas fileiras o rol de criadores da raça zebuína com espécies de alta linhagem, se preparava para transferir sua sede da Rua Manoel Borges no centro da cidade, para a pujante sede dentro do Parque de Exposições Fernando Costa.
Além
disso, a Doutrina Espírita desenvolvia naturalmente extraordinário turismo
religioso, com numeroso fluxo de pessoas de outros estados e até do exterior em
busca de suave encontro com o Médium mundialmente conhecido, Francisco Cândido
Xavier.
O
centro da cidade era pura poesia. A Praça Rui Barbosa era circundada por belíssimas
construções estilos: neogóticos, coloniais e aparente ecletismo.
No
inicio da Artur Machado tínhamos a Notre Dame de Paris numa esquina, e na
outra, o Bar 1001, este nunca fechava e era o local predileto dos notívagos da
Uberaba boêmia.
Seguindo
a rua, quase na esquina com a Avenida Leopoldina de Oliveira, tínhamos o famoso
Café JB e mais adiante, a “Esquina do Enjeitei”, ponto tradicional dos grandes
negociantes da raça zebuína, os quais cotidianamente ali se reuniam para
realizarem seus negócios e contatos comerciais.
Esse
emblemático local uberabense ficava sob a marquise do antigo Banco Financial de
Mato Grosso, na confluência de Rua Artur Machado com a Avenida Leopoldino de
Oliveira, era ali, naquele períbolo, que fervilhavam os acontecimentos de
Uberaba, junto a eles, as falácias: Eu enjeitei tanto em minha boiada! Outro:
Eu também enjeitei tanto no meu boi, no meu touro! E assim, aquele local ficou
conhecido e impregnado na população uberabense, como a “Esquina do Enjeitei”.
Pois
bem, certa tarde ao sair do estabelecimento bancário em que trabalhava rumo ao
Café JB, qual foi minha surpresa ao cruzar a “Esquina do Enjeitei”, me deparei
de frente com Chico Xavier. A emoção extravasou meu ser; trocamos ligeiro
olhar, e ele afável, me dirigiu cortês vênia com um leve aceno movimentando sua
cabeça verticalmente, no que prontamente respondi.
Pasmo,
fitei seu jeito leve no andar até sumir no meio da multidão que o saudava
incessantemente, assim como eu também o fizera. Daquele momento inesquecível guardei
para sempre na minha lembrança um simples fato: do lado direito de sua
algibeira, portava um chaveiro contendo inúmeras chaves as quais, adornavam e
combinavam com sua calça cinza envelhecida.
Os
anos se passaram... Certa ocasião ao ler a obra “Reencarnação no Mundo
Espiritual” da lavra mediúnica de Carlos Bacelli, pelo espírito do Dr. Inácio
Ferreira, me deparei com uma narrativa do Chico dizendo que certa vez ao
atravessar aquele logradouro para ir cuidar dos afazeres comerciais e
bancários, um grupo de entidades trevosas no mal, praticaram tentativas e atos
de agressões e achincalhamentos direcionados à sua pessoa. Porém, protegido
pelos benfeitores espirituais e por suas orações, ele saiu incólume daquelas
perseguições de nossos irmãos trevosos.
Ao
me debruçar sobre essa leitura, espírito áspero e rude que ainda sou, mesmo
assim, me lembrei daquela feliz tarde do meu encontro com Chico Xavier na
“Esquina do Enjeite” e, viajei num ousado sonho imaginário e quase real: quem
sabe não foi naquela tarde do nosso encontro que o Chico se desvencilhou
daquelas entidades trevosas?
Quanta
ousadia e vaidade de minha parte! Porém, desde aquele dia passei ver o mundo e
os meus semelhantes de forma diferenciada, com conceitos alicerçados na fé, na
esperança e no amor.
Que
Jesus nos abençoe!
Teotônio Borges de Araújo
nasceu no recuado ano de 1858 na Fazenda Ponte de Pedra, então Santo Antônio de
Pratinha, hoje, Pratinha/MG. Faleceu em Conquista no ano de 1922.
Aos 35 anos casou-se com
Ubaldina Maria de Jesus. Desse enlace tiveram as seguintes filhas: Ana Borges
de Araújo (1897); Cherubina Borges de Araújo (1898); Veríssima Borges de Araújo
(1900).
Segundo a crônica local, foi
um cidadão de bem, destemido, honrado e zeloso com aqueles que lhe eram grados
e agregados. Pecuarista de destaque foi um dos pioneiros na criação do Zebu em
Conquista. Em Uberaba, deixou seu laborioso nome figurando entre os fundadores
as Fábrica de Tecidos Santo Antônio do Cassú. Além disso, foi membro ativo da
firma Borges, Irmãos e Cia.Ltda.
O Major Teotônio Borges de Araújo como era conhecido, sempre esteve ao lado todas as iniciativas que se prenderam ao progresso de Conquista. Ele contribuiu denodamente com o embelezamento da Vila, realizou importantes doações, contribuindo pecuniariamente com o município, aflorando assim, a generosidade, característica própria do seu caráter. Porém, o ato mais expressivo de desprendimento, patriotismo e amor a Conquista, foi quando aconteceu a criação do município em 30 de agosto de 1911, através da Lei estadual 556, consoante a divisão administrativa e territorial do Brasil. A partir daquela data, Conquista passou a existir configurando como mais uma estrela na constelação da Pátria brasileira. Passados os dias de comemorações e júbilos inerentes a importante acontecimento, todos se deram conta da triste realidade: a Conquista recém emancipada não tinha um prédio para instalar a “Intendência”, hoje, Prefeitura, foi então que o Major Teotônio ou Cel. Teotônio bradou:“Podem utilizar o meu solar como sede administrativa do Município até que se construa um novo prédio em local apropriado”. Assim aconteceu que a sua residência oficial passou a abrigar a Intendência ou Prefeitura até o ano de 1917, ocasião em que foi inaugurada a sede própria do Poder Executivo Municipal, na Praça Cel. Tancredo França.
Como todo importante
personagem interiorano, sua história é carregada de fatos pitorescos,
engraçados e às vezes até dramáticos, os quais permeiam e fazem parte do
fadário conquistense, contribuindo assim, histórico e culturalmente com a
azáfama local, vejamos: Teotônio Borges de Araújo foi amigo leal e inseparável
do major Leopoldo Ferreira de Mendonça, ambos vinham sistematicamente à cidade
para tomarem “umas e outras”. Teotônio, montado em seu cavalo de estimação por
nome “Jaú”, vinha procedente da sua imensa fazenda situada às margens do
Ribeirão Dourados demoninada “Jaratataca”, cuja dimensão num cálculo
pessimista, orçava em cerca de mil alqueires mineiros. O Major Leopoldo, vinha
da Fazenda Ilha Grande montado em sua mula Arisca. Celebres, subiam a Rua
Grande, onde existia o comércio ativo da época, até chegarem ao local de
destino, por uma questão de ética, deixamos o local no anonimato.
Tudo bem! A chegada sempre
era altaneira, porém a volta, tinha seus percalços devido o efeito da linfa
destilada à base de cana de açúcar. Ao descerem a Rua Grande, era “um vai e
vem” danado: o cavalo Jaú e a mula Arisca seguiam sistematicamente o caminho de
volta como se fossem adestrados. Às vezes ocorria algum deboche de um ou outro
transeunte dirigido a ambos, se destinado a eles, às vezes acontecia um leve
esquecimento, aceitação. Porém, se o deboche ou gracejo, fosse alusivo ao
cavalo Jaú a mula Arisca, com certeza alguém ia ser responsabilizado.
Teotônio logo após conquistar sua lucidez, escolhia um homem de sua confiança e ordenava: vá a Conquista e traga “fulano de tal” (referindo-se ao autor do gracejo), para se desculpar comigo! E se ele não quiser vir coronel? Traga uma de suas orelhas, ou se preciso for, as duas!
Pra ratificar o apreço
reinante entre ambos, conta-se que Teotônio auferiu junto Guarda Nacional além
da patente de Major, a patente de Coronel, no entanto, em decorrência da fiel e
leal amizade ao seu amigo Major Leopoldo, recusou-se a ostentar a referida
patente, ficando assim conhecido nos anais da história como Major Teotônio
Borges de Araújo.
A propósito: a numerosa
prole dos descendentes de Teotônio Borges de Araujo e Ubaldina Maria de Jesus
formam numerosa prole e figuram dentre aqueles que formam a grei dos “Borges”,
ilustre família conhecida e acatada no Estado de Minas Gerais, os quais
continuam construindo a saga encetada por seus antepassados neste rincão alegre
e feliz do Triângulo Mineiro.
Homenagem:
Em sua homenagem existe uma
Rua em Conquista denominada de Teotônio Borges de Araújo, onde situa-se o solar
que outrora pertence ao ilustre benfeitor e que por vários anos serviu e
abrigou a primeira sede da prefeitura de Conquista.
Pesquisa
realizada pelo jornalista Firmino Libório Leal
Conquista-MG e-mail liborio.leal@gmail.com





