quarta-feira, 6 de maio de 2026



Antônio Alves da Silva
Da redação *Firmino Leal

Tenho a difícil missão de contar um pouco da história da importante família de origem portuguesa, os “Alves da Silva”. Pela sua importância e pelo legado que seu patriarca deixou, devo por obrigação, centrar as minhas narrativas, na figura de Antônio Alves da Silva, um vulto que jamais se apagará das páginas da história de Conquista.

Antônio Alves da Silva, filho de Luís Alves da Silva e Mariana Umbelina da Silva, nasceu em 1844, na cidade de Conservatória, Rio de Janeiro. Ainda moço mudou-se para Ribeirão Preto, São Paulo, adquiriu uma fazenda, que mais tarde viria ser trocada por outra em terras que outrora pertenceram ao português Manoel Bernardo Nazianzeno da Silveira. A propriedade compreendia todo terreno em que se localizou o então arraial, hoje, a cidade de Conquista, Minas Gerais até a margem direita do caudaloso Rio Grande.

Homem avançado para os padrões da época, Antônio Alves da Silva, de ideias genuinamente republicanas, muito contribuiu pela nossa emancipação política. Criativo, de espírito aventureiro e desbravador, integrou-se facilmente à sua nova empreitada, que era promover o desenvolvimento da nova terra que adotara como morada. Firmou então, parceria com o Coronel Francisco Meireles do Carmo, doando uma gleba para levantamento da Vila com planta meticulosamente traçada pelo sertanista e engenheiro Crispiniano Tavares, serviço este que, só se deu por findo em 1894.

Antônio Alves da Silva doou significado patrimônio territorial à cidade, tendo como base e alicerce, as principais virtudes fundamentais na construção do caráter do homem. Vejamos: doou terreno para construção da igreja, das escolas, cemitério, centro esportivo e terreno para construção de do quartel da Polícia Militar, o local depois transformou-se no aprazível bairro Otávio Elias da Silva, popularmente chamado de “Cantinho”.

Extremamente caritativo, as suas terras sempre estiveram franqueadas à pobreza, mantinha em seus domínios, uma espécie de asilo, que abrigava e dava guarida às pessoas vitimadas por epidemias como a lepra, e a hanseníase, doenças tão comuns naqueles tempos. Além abrigar com recursos próprios as pessoas doentes e, com a linfa generosa, saciava a sede dos caminhantes, retirantes e transeuntes.

Fez várias doações aos Governos Estadual e principalmente Municipal. Fruto do seu prestígio, Antônio Alves da Silva chegou a ostentar os postos honorários de Capitão, Major, Tenente-Coronel e Coronel da Guarda Nacional. Foi um homem de grandes haveres, existe até um seleto grupo de pessoas gradas que lhe atribuem o título de fundador da cidade, comungamos com esse ideal. Casou-se duas vezes, faleceu em 13 de janeiro de 1916, aos 72 de idade, deixando numerosa prole. Hoje, a sua laboriosa e honrada descendência continua espargindo a chama, os preceitos e as virtudes deixadas pela figura ímpar de Antônio Alves da Silva.

Através do seu legado, expressamos a nossa gratidão e rendemos uma singela homenagem aos “Alves da Silva”.

*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.



Escola Estadual dr. Lindolfo Bernardes dos Santos
Da redação * Firmino Leal

A foto relíquia nos remete ao lançamento da Pedra Fundamental da Escola Antônio Martins Fontoura Borges, em 1959. Nela estão pessoas pioneiras que muito contribuíram para o progresso e engrandecimento da nossa mui querida Conquista. Vamos elencar algumas contando sempre com a colaboração dos meus seguidores para identificarmos as demais:
Dr. Lindolfo Bernardes dos Santos, Dr. Tomaz Vilhena, Dr. Moacir. Sr. Joaquim Pereira Cruz, Sr. Belarmino Alves, Sr. Inocente Fragonezzi, Sr. Paulinho Assunção, Sr. Roberto Amatângelo, Sr. José Caldeira, Sr. Niva Guardieiro, Sr. Germano Fragonezzi etc... A criança que aparece na foto é Dr. José Eduardo dos Santos filho do Dr. Lindolfo.

A foto retrata o início de uma grandiosa obra do, à época, “Ginásio Antônio Martins Fontoura Borges”, depois denominado de “Escola Estadual Dr. Lindolfo Bernardes dos Santos”, fazendo jus ao criador/fundador da escola.

“Só os que têm fé, são capazes de lutar por um grande ideal”, assim sendo: “Sic Itur ad Astra” - Então vamos para as estrelas...
Participe nos comentários. Ajude a identificar as pessoas...
*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, biógrafo, locutor, historiador, jornalista

Nota do autor: Esse arremedo de crônica publiquei em um dos TBTs da Câmara Municipal ocasião de minha passagem por lá.

Jornalista, escritor, pesquisador, criador de conteúdos, historiador, bibliotecário.


Zenon Zoroastro Borges - Jornalista pioneiro
Da redação *Firmino Leal

Zenon Zoroastro Borges, nasceu em Sacramento em 1883. Era casado com a lendária professora Flávia Proença Lana Borges, sendo ela nascida em Patrocinio-MG. Homem de imprensa, pioneiro, letrado, foi uma das figuras de destaque do nosso meio intelectual. Era casado com a lendária e também pioneira professora Flávia Lana Borges. Iniciou carreira militar chegando a ocupar o posto de tenente secretário do 76° Batalhão de Infantaria Estado-Maior do Exército Brasileiro.

Em setembro de 1912, ainda moço, e após concluir seus estudos, contando apenas com 25 anos de idade, aportou em Conquista, ocasião em que foi nomeado secretário da presidência da Câmara, cargo que ocupou com esmerado zelo e destacada competência.

Inquieto que era, fundou em Conquista juntamente com o Major Aristogiton França, o bem elaborado semanário O Imparcial, que contava com excelente corpo de redatores e colunistas.

Zenon Zoroastro Borges, sempre transpareceu com fulgor e brilho na imprensa conquistense, suas produções tanto em prosa como em versos, foram muito apreciadas pelos leitores da época e até hoje permeiam a azáfama literária.

Foi contemporâneo, amigo e discípulo de Euripedes Barsanulfo, sendo aclamado como orador oficial nas solenidades festivas ou comemorativas que envolvia Euripedes ou a instituição que dirigia, sempre solícito, lá estava Zenon Borges com sua oratória, tanto que a enciclopédia francesa L’ Apotre de La Charite traz significativa narrativa sobre tais acontecimentos, assim como, sua participação como professor do Colégio Allan Kardec, instituição criada e dirigida por Eurípedes.

Através deste modesto relato rendemos justa homenagem ao inteligente e pioneiro jornalista, que muito cooperou pelo engrandecimento de Conquista.

* Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, biógrafo, locutor, historiador, jornalista, bibliotecário.



Domingos Vilela de Andrade
Da Redação *Firmino Leal
Jornal O Conquistense
Domingos Vilela de Andrade, filho de Modesto Vilela dos Reis e de Maria Paulo de Andrade, Nasceu em Monte Alegre de Minas Geais em 12 de julho de 1850. Contraiu núpcias com Anna Claudina Vilela de Andrade de cujo consórcio teve onde filhos, entre eles: Elyda Vilela de Andrade de Mendonça Uchoa, casada com Leovegildo de Mendonça Uchoa: Tenente-Cel. Francisco Vilela de Andrade, casado com Zenaide Camargo de Andrade; Theololina Vilela de Mendonça Uchoa, casada com Theodomiro de Mendonça Uchoa; Modesto Vilela de Andrade, Casado com Maria Emerenciana Vilela de Andrade; Helena Vilela de Mendonça Uchoa, casada com Antônio de Mendonça Uchoa Filho.
Depois de residir por muitos anos no município de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, adquiriu grande propriedade agrícola, tornou-se importante agricultor do rico município, e para dar expansão ao seu gênio progressista, adquiriu propriedades no seu estadão natal. Foi assim, que, em 1892, adquiriu diversas fazendas em Minas Gerais, entre elas a denominada “Conquista”.
Em janeiro de 1894 transferiu sua morada e dedicou-se à cultura do café, em tão grande escala, que tornou-se a mais importante da região. O desenvolvimento rápido da nova lavoura, motivado pelo carinho e atividade com que era tratada desafiou os agricultores vizinhos a dedicarem-se ao mesmo ramo de agricultura. Que se expandiu em toda zona com vivo interesse. Ao mesmo tempo que cuidava ativamente de desenvolver sua propriedade agrícola, procurava também por todos os meios ao seu alcance, impulsionar o progresso da povoação.
Construiu diversos prédios, na povoação, que ia alugando a preços módicos canalizando água potável para esse núcleo de casas, impulsionando o comércio e indústria, facilitando capitais e adquirindo os produtos para consumo da sua grande propriedade rural; desenvolvendo propaganda nos municípios vizinhos a fim de que seus habitantes viessem abastecer-se nesta estação dos produtos de importação, e dispor dos de exportação.
Havia algumas casas de comércio, mas sentindo que a praça, ressentia da falta de uma casa de certo vulto e capital, resolveu abrir um importante e bem montado armazém de comissões, a par de um estabelecimento de comércio de primeira ordem, com capital suficiente para desempenhar as funções a que se destinava; e com pessoal idôneo na gerência e no escritório, conseguiu grande afluência dos habitantes dos municípios vizinhos que, de preferência, procuravam esta praça, dando isso lugar a que outras casas comerciais fossem abrindo e assim fosse tornando vulto, o movimento comercial.
Em 1889 quando, a linha férrea Mogiana aqui chegou, não havia uma única casa próxima ao local em que está situada.

Em 1894, o engenheiro Crispiniano Tavares, atendendo solicitação dos senhores: Cel. Antônio Alves da Silva e Cel. Francos Meireles do Carmo, levantou a planta da povoação, traçou e demarcou as ruas, dando-lhes as denominações; planta e nomenclaturas estas, aprovadas pela Câmara Municipal de Sacramento, que até então tinha jurisdição sobre o distrito. O progresso dessa terra se deu graças à fertilidade do solo que foi a atração de milhares de pessoas que aqui se estabeleceram.
O necessário era cuidar da emancipação política; e assim, com outros companheiros levantaram um partido e organizaram um diretório que se filiou a um dos partidos que militavam na cidade de Sacramento, então sede do município, e lhe deu a criteriosa orientação para em breve tempo, conseguir a criação do “distrito” e a consequente instalação em maio de 1906. Voltou a residir na cidade de Ribeirão Preto, de onde continuou a prestar relevantes serviços à amada Conquista. E lá faleceu em 11 de julho de 1911, portanto, um mês antes da criação do município de Conquista.
Homenagem
Homenagem: em retribuição ao legado de Domingos Vilela de Andrade, o Município de Conquista denominou um logradouro público com o nome de Rua Domingos Vilela, fazendo justiça ao grande homem que deixou profundas marcas de dedicação e trabalho em prol do povo do lugar.
Fonte: Fagulhas de História do triângulo Mineiro-Maura Afonso Rodrigues
*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, biógrafo, locutor, historiador, jornalista, bibliotecário.



Janete Clair: “Usineira de Sonhos”
Da Redação *Firmino Leal

Hoje 25 de abril de 2026, comemora-se o aniversário de nascimento da renomada autora brasileira, que completaria 101 anos se estivesse viva (ela faleceu em 16 de novembro de 1983).
Janete Clair. Ginette Stocco Emer nasceu em Conquista, Minas Gerais, em 25 de abril de 1924. Filha de Salim Emer e Carolina Stocco Emer. Cursou os primeiros anos escolares no Grupo Escolar Dr. Prado Lopes em Conquista (MG). Despertou para as artes cênicas muito cedo, logo na sua colação de grau da quarta série, recitou poema alusivo ao seu bacharelando ao lado da poetisa conquistense Mafalda Monte, sua contemporânea.
Segundo a crônica local residiu aqui em Conquista em três locais diferentes, sendo este, um fato corriqueiro para os padrões da época, pois a Conquista de então, era um “Eldorado” com uma população flutuante de aproximadamente trinta mil pessoas, havendo, portanto, escassez de moradias. Outro fato é que seu pai o senhor Salim Emer de origem síria era comerciante do ramo de tecidos, sendo possível o mesmo ter a casa comercial em um local e a moradia em outro, daí às vezes o desencontro das informações precisas quanto a sua residência. No entanto, afirmamos com convicção que depois de um minucioso apanhado de campo, a sua última moradia em Conquista foi à Rua Doutor Furiati, nº 217, no centro da cidade.
Ginette Emer adotou o nome artístico de Janete Clair inspirada na canção “Clair de Lune”, de Debussy. Começou a vida profissional como cantora, mas aos 16 anos, foi aprovada em teste para locução da rádio Tupi-Difusora, em São Paulo, onde trabalhou sob orientação de Cacilda Becker. Na Tupi paulista, conheceu Dias Gomes com quem se casou em 1950. Deste enlace tiveram quatro filhos; Guilherme, Denise, Alfredo e Marcos, este faleceu aos três anos, em 1968. Com a maternidade passou a se dedicar a escrever radio novelas. Na década de 60 passou trabalhar na televisão, escrevendo novelas. Com o golpe militar de 1964 e o marido Dias Gomes perdendo o emprego, ela passa a trabalhar em dobro. Foram muitas novelas até 1983. Seu maior sucesso na TV foi “Selva de Pedra” (1973). Janete Clair faleceu em 16 de novembro de 1983, vítima de câncer.
Homenagem
Em homenagem a maior autora de telenovelas do Brasil, apelidada de "Usineira de Sonhos" por Carlos Drummond de Andrade, existe em Conquista sua terra natal, um Anfiteatro na área central da cidade e uma Avenida com seu nome, situada no Conjunto Maricota Rezende, e desde o recuado ano 2001, criou-se um grupo de teatro intitulado de: Grupo Teatral Janete Clair. Além disso, recetemente foi criado e inaugurado um Espaço Cultural com o seu nome e instituida a Comenda Janete Clair para reconhecer mulheres que contribuiram de maneira notável para valorização e desenvolvimento da cultura, da arte e da educação em nosso municipio.
Assista reportagem no link: https://globoplay.globo.com/v/12119770/
*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, biógrafo, locutor, historiador, jornalista

domingo, 11 de julho de 2021

Encontro com Chico Xavier na “Esquina do Enjeitei”.
Firmino Libório Leal

Jornalista. Escritor







Idos anos 70... Naquele tempo Uberaba fervilhava cultura. Cidade universitária se tornara também referencia regional na medicina. Tudo conspirava para que a metrópole se tornasse mundialmente conhecida. A ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, instituição que agrega em suas fileiras o rol de criadores da raça zebuína com espécies de alta linhagem, se preparava para transferir sua sede da Rua Manoel Borges no centro da cidade, para a pujante sede dentro do Parque de Exposições Fernando Costa.

Além disso, a Doutrina Espírita desenvolvia naturalmente extraordinário turismo religioso, com numeroso fluxo de pessoas de outros estados e até do exterior em busca de suave encontro com o Médium mundialmente conhecido, Francisco Cândido Xavier.

O centro da cidade era pura poesia. A Praça Rui Barbosa era circundada por belíssimas construções estilos: neogóticos, coloniais e aparente ecletismo.

No inicio da Artur Machado tínhamos a Notre Dame de Paris numa esquina, e na outra, o Bar 1001, este nunca fechava e era o local predileto dos notívagos da Uberaba boêmia.

Seguindo a rua, quase na esquina com a Avenida Leopoldina de Oliveira, tínhamos o famoso Café JB e mais adiante, a “Esquina do Enjeitei”, ponto tradicional dos grandes negociantes da raça zebuína, os quais cotidianamente ali se reuniam para realizarem seus negócios e contatos comerciais.

Esse emblemático local uberabense ficava sob a marquise do antigo Banco Financial de Mato Grosso, na confluência de Rua Artur Machado com a Avenida Leopoldino de Oliveira, era ali, naquele períbolo, que fervilhavam os acontecimentos de Uberaba, junto a eles, as falácias: Eu enjeitei tanto em minha boiada! Outro: Eu também enjeitei tanto no meu boi, no meu touro! E assim, aquele local ficou conhecido e impregnado na população uberabense, como a “Esquina do Enjeitei”.

Pois bem, certa tarde ao sair do estabelecimento bancário em que trabalhava rumo ao Café JB, qual foi minha surpresa ao cruzar a “Esquina do Enjeitei”, me deparei de frente com Chico Xavier. A emoção extravasou meu ser; trocamos ligeiro olhar, e ele afável, me dirigiu cortês vênia com um leve aceno movimentando sua cabeça verticalmente, no que prontamente respondi.

Pasmo, fitei seu jeito leve no andar até sumir no meio da multidão que o saudava incessantemente, assim como eu também o fizera. Daquele momento inesquecível guardei para sempre na minha lembrança um simples fato: do lado direito de sua algibeira, portava um chaveiro contendo inúmeras chaves as quais, adornavam e combinavam com sua calça cinza envelhecida.

Os anos se passaram... Certa ocasião ao ler a obra “Reencarnação no Mundo Espiritual” da lavra mediúnica de Carlos Bacelli, pelo espírito do Dr. Inácio Ferreira, me deparei com uma narrativa do Chico dizendo que certa vez ao atravessar aquele logradouro para ir cuidar dos afazeres comerciais e bancários, um grupo de entidades trevosas no mal, praticaram tentativas e atos de agressões e achincalhamentos direcionados à sua pessoa. Porém, protegido pelos benfeitores espirituais e por suas orações, ele saiu incólume daquelas perseguições de nossos irmãos trevosos.

Ao me debruçar sobre essa leitura, espírito áspero e rude que ainda sou, mesmo assim, me lembrei daquela feliz tarde do meu encontro com Chico Xavier na “Esquina do Enjeite” e, viajei num ousado sonho imaginário e quase real: quem sabe não foi naquela tarde do nosso encontro que o Chico se desvencilhou daquelas entidades trevosas?

Quanta ousadia e vaidade de minha parte! Porém, desde aquele dia passei ver o mundo e os meus semelhantes de forma diferenciada, com conceitos alicerçados na fé, na esperança e no amor.

Que Jesus nos abençoe!

 


 

Cel. Teotônio Borges de Araújo

Teotônio Borges de Araújo nasceu no recuado ano de 1858 na Fazenda Ponte de Pedra, então Santo Antônio de Pratinha, hoje, Pratinha/MG. Faleceu em Conquista no ano de 1922.

Aos 35 anos casou-se com Ubaldina Maria de Jesus. Desse enlace tiveram as seguintes filhas: Ana Borges de Araújo (1897); Cherubina Borges de Araújo (1898); Veríssima Borges de Araújo (1900).

Segundo a crônica local, foi um cidadão de bem, destemido, honrado e zeloso com aqueles que lhe eram grados e agregados. Pecuarista de destaque foi um dos pioneiros na criação do Zebu em Conquista. Em Uberaba, deixou seu laborioso nome figurando entre os fundadores as Fábrica de Tecidos Santo Antônio do Cassú. Além disso, foi membro ativo da firma Borges, Irmãos e Cia.Ltda.

O Major Teotônio Borges de Araújo como era conhecido, sempre esteve ao lado todas as iniciativas que se prenderam ao progresso de Conquista. Ele contribuiu denodamente com o embelezamento da Vila, realizou importantes doações, contribuindo pecuniariamente com o município, aflorando assim, a generosidade, característica própria do seu caráter. Porém, o ato mais expressivo de desprendimento, patriotismo e amor a Conquista, foi quando aconteceu a criação do município em 30 de agosto de 1911, através da Lei estadual 556, consoante a divisão administrativa e territorial do Brasil. A partir daquela data, Conquista passou a existir configurando como mais uma estrela na constelação da Pátria brasileira. Passados os dias de comemorações e júbilos inerentes a importante acontecimento, todos se deram conta da triste realidade: a Conquista recém emancipada não tinha um prédio para instalar a “Intendência”, hoje, Prefeitura, foi então que o Major Teotônio ou Cel. Teotônio bradou:“Podem utilizar o meu solar como sede administrativa do Município até que se construa um novo prédio em local apropriado”. Assim aconteceu que a sua residência oficial passou a abrigar a Intendência ou Prefeitura até o ano de 1917, ocasião em que foi inaugurada a sede própria do Poder Executivo Municipal, na Praça Cel. Tancredo França.

Como todo importante personagem interiorano, sua história é carregada de fatos pitorescos, engraçados e às vezes até dramáticos, os quais permeiam e fazem parte do fadário conquistense, contribuindo assim, histórico e culturalmente com a azáfama local, vejamos: Teotônio Borges de Araújo foi amigo leal e inseparável do major Leopoldo Ferreira de Mendonça, ambos vinham sistematicamente à cidade para tomarem “umas e outras”. Teotônio, montado em seu cavalo de estimação por nome “Jaú”, vinha procedente da sua imensa fazenda situada às margens do Ribeirão Dourados demoninada “Jaratataca”, cuja dimensão num cálculo pessimista, orçava em cerca de mil alqueires mineiros. O Major Leopoldo, vinha da Fazenda Ilha Grande montado em sua mula Arisca. Celebres, subiam a Rua Grande, onde existia o comércio ativo da época, até chegarem ao local de destino, por uma questão de ética, deixamos o local no anonimato.

Tudo bem! A chegada sempre era altaneira, porém a volta, tinha seus percalços devido o efeito da linfa destilada à base de cana de açúcar. Ao descerem a Rua Grande, era “um vai e vem” danado: o cavalo Jaú e a mula Arisca seguiam sistematicamente o caminho de volta como se fossem adestrados. Às vezes ocorria algum deboche de um ou outro transeunte dirigido a ambos, se destinado a eles, às vezes acontecia um leve esquecimento, aceitação. Porém, se o deboche ou gracejo, fosse alusivo ao cavalo Jaú a mula Arisca, com certeza alguém ia ser responsabilizado.

Teotônio logo após conquistar sua lucidez, escolhia um homem de sua confiança e ordenava: vá a Conquista e traga “fulano de tal” (referindo-se ao autor do gracejo), para se desculpar comigo! E se ele não quiser vir coronel? Traga uma de suas orelhas, ou se preciso for, as duas!

Pra ratificar o apreço reinante entre ambos, conta-se que Teotônio auferiu junto Guarda Nacional além da patente de Major, a patente de Coronel, no entanto, em decorrência da fiel e leal amizade ao seu amigo Major Leopoldo, recusou-se a ostentar a referida patente, ficando assim conhecido nos anais da história como Major Teotônio Borges de Araújo.

A propósito: a numerosa prole dos descendentes de Teotônio Borges de Araujo e Ubaldina Maria de Jesus formam numerosa prole e figuram dentre aqueles que formam a grei dos “Borges”, ilustre família conhecida e acatada no Estado de Minas Gerais, os quais continuam construindo a saga encetada por seus antepassados neste rincão alegre e feliz do Triângulo Mineiro.

Homenagem:

Em sua homenagem existe uma Rua em Conquista denominada de Teotônio Borges de Araújo, onde situa-se o solar que outrora pertence ao ilustre benfeitor e que por vários anos serviu e abrigou a primeira sede da prefeitura de Conquista.

 

Pesquisa realizada pelo jornalista Firmino Libório Leal

Conquista-MG e-mail liborio.leal@gmail.com