quarta-feira, 6 de maio de 2026

 


Família Bizinotto
Da redação *Pe. Cairo Tadeu Bizzinotto

No final do século Dezenove, mais precisamente no ano de 1888, com a abolição da escravatura, houve um déficit de trabalhadores no Brasil. Paralelamente, na Itália, havia uma dificuldade em se encontrar trabalho, surgindo então o projeto “Plano de Imigração” que visava encaminhar as famílias italianas para os diversos pólos de convergência da imigração, onde Conquista, no estado de Minas Gerais, no Brasil, era um destes pólos.
Por ser uma região de terras férteis, com muita água e com o benefício da rede ferroviária que ligava Conquista ao porto de Santos, para o comércio dos produtos da lavoura (principalmente o café) direto para exportação, foi Conquista escolhida para abrigar as famílias dos Bizinotto.
Lutrano, província de Treviso que era uma região absolutamente campestre, onde se primava o trabalho e conhecida como a “Cidade das Águas”, muito rica em moinhos movidos a água era a terra mãe dos Bizinotto. Em muitas de suas propriedades, já aqui no Brasil, eram conhecidos estes moinhos.
Os Bizinotto chegaram em Setembro de 1897 e se dirigiram à fazenda Lageado, que era uma fazenda desenvolvida para a época e lá, de pobres agricultores que eram, adidos à lavoura do café, com seu amor ao trabalho, sua tenacidade e honradez, tornaram-se, primeiro independentes, depois arremediados e, finalmente fazendeiros, donos de grandes glebas de terras, que abrangem vastas extensões dos municípios de Conquista e de nossa vizinha Sacramento. São conhecidas suas primeiras aquisições: Fazendas São Vicente, Bacuri, Aldeia, Mumbuca e tantas outras.
O mais antigo Bizinotto que se tem notícia é Antonio Bizinotto, General do Exército Italiano. Teve três filhos: Jácomo, João Batista e Inocente. Jácomo teve um único filho, Luiz Bizinotto, que se casando com Augusta Antoniazzi, foi o pai dos Bizinotto que emigraram para o Brasil. Inocente teve o filho Antonio, que tem descendência na Itália. João Batista foi general do Exército e teve os filhos: João, cavalheiro da Coroa da Itália; Jácomo, tenente de carabineiros; Luiz, administrador das terras dos príncipes Papadópolis e Carlos Bizinotto, o mais célebre e conceituado da família Bizinotto. Foi comendador da Coroa da Itália, Cavalheiro da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro e por decreto Real de 24/02/1909, elevado a ‘Cavalheiro da Ordem Del Lavoro’, título dos mais ambicionados na Itália. Hoje, a família se orgulha de ter mais de seis mil descendentes aqui no Brasil.
Toda a saga dos Bizinotto valeu a pena: Valeu, porque formaram uma família que, em Deus, busca a verdade e a razão de seu viver. Valeu porque acreditaram, neles mesmos e em Deus. Valeu porque tinha que valer.
Participou com a matéria Reverendo *Pe. Cairo Tadeu Bizzinotto, pároco titular da Paróquia Santa Maria Madalena de Conquista - MG – Diocese Anglo Católica do Pará.




Origem Italiana
Por *Firmino Leal

Os sobrenomes italianos possuem uma rica diversidade histórica. Pesquisa aponta centena de sobrenomes de origem Italiana predominante em Conquista/MG. Se sua família não estiver inserida no contexto, contribua acrescentando nos comentários.
Arduini, Abatte, Boense, Canassa, Damian, Dariola, Gallo, Bérgamo, Gigliotti, Fuquizatto, Mazetto, Gerolim, Paroneto, Cavatorta, Fragonezzi, Mattioli, Guissoni, Magnheisi, Rivas, Douro, Zara, Zanquetta, Zago, Morlim, Crozara, Cherulli, Meneghelo, Naghetini, Schiafinno, Bizinotto, Campanatti, Chesca, Folador, Valente, Sisconetto, Bracelotti, Magaline, Stort, Bovi (Bovo), Polatti, Caramóri, Finamore, Stocco, Fornazier, Bessa, Zulianni, Piantella, Borsaro, Bragatto, Demartini, Guaratto, Roratto, Cattani, Paralogo, Fedrigo, Portázio, Fragozzo, Bianchini, Tângari, Lenzza, Tizzo, Filiacci, Guardieiro, Bilharinho, Stival, Dalbério (Dalbello), Manzan, Riça, Rizza, Furiatti, Monti, Cavalini, Botta, Spirandelli, Bernadelli, Salomâni, Vincenzi, Zanini, Baroncelli, Antonelli, Rossi, Reverotto, Boninsegna, Fachinni, Zaia, Tura - Turra, Vinhadelli, Roncolatto, Tomain, Finamori, Gomide, Gobbo, Juliani, Mazolla, Fachuri, Faccioli, Garofalo, Bozzo, Buchianeri, Bottas, Zorzo, Amatângelo, Spigolon, Battista...
*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.


    Familia Hamad Sakr
      Familia Moisés Scandar

Os árabes muito contribuíram para o desenvolvimento de Conquista
Por *Firmino Leal

A presença de árabes, particularmente sírios e libaneses, em Minas Gerais é marcante desde o final do século XIX e início do século XX, inserindo-se no contexto de imigração que transformou o estado, concentrando-se inicialmente em centros comerciais e expandindo-se para o interior, incluindo a região de Conquista.
A propósito: os libaneses que aqui aportaram a maioria vieram de Hasbaya, histórica cidade no sul do Líbano, localizada no distrito de Nabatiyeh, na base do Monte Hermon, conhecida pela sua rica herança cultural, oliveiras e pelo imponente Castelo Chehabi, sendo que o pioneiro foi o Sr. Alli Jah Jah (José Jajá), que aqui aportando enviava cartas aos seus patrícios enaltecendo os atrativos da região.
Contexto Histórico em Minas Gerais
A maioria dos imigrantes que chegou a Minas era de origem cristã (católicos e ortodoxos) e muitos se estabeleceram como comerciantes (chamados de "mascates" inicialmente), fixando-se em cidades com forte economia cafeeira ou ferroviária. A imigração, muitas vezes registrada como "turca" por conta do Império Otomano, formou colônias importantes em todo o estado.
Contexto da Imigração Sírio-Libanesa em Minas Gerais:
Fixação: Após crises econômicas, como a de 1929, muitos converteram suas economias de mascate em propriedades e comércios estabelecidos, fixando-se no interior do estado.
Impacto Econômico e Social: A colônia sírio-libanesa contribuiu significativamente para a modernização das cidades mineiras, introduzindo novos hábitos de consumo e sociabilidade, em Conquista não foi diferente, contribuíram muito para o desenvolvimento do município.
Representatividade: Minas Gerais é um dos estados com maior presença de descendentes de libaneses no Brasil, estimando-se uma grande comunidade no estado. A saga dos árabes em Conquista deixou rastros de contribuição, econômica, desenvolvimentista e cultural, tanto que, seus nomes e sobrenomes perpetuam enraizados na azáfama local, vejamos: Adib, Amuy, Alli, Elias, Emmer, Daher, Sark, Scandar, Achar, Salim, Hadad, Craide, Assad, Mansur, Fares, Bechara, Abdalah, Cury, Felício, Jorge, Jabour, Jah Jah, Feres, Kalil, Kaad, Latif, Nagib, Salomão, Zaidan, Najar, Rachid, Wazir, Fakhouri...dentre outros.
Fotos ilustrativas de duas das familias envolvidas na saga dos árabes em Conquista: Saudosos: João Moisés Scandar e Hamad Sakr!
*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.



A saga dos baianos em Conquista, Minas Gerais
Da redação * Firmino Leal
A contribuição dos baianos para o crescimento e desenvolvimento de Conquista, no estado de Minas Gerais, é um reflexo histórico da integração cultural e econômica entre o sertão baiano e Triângulo Mineiro. A influência baiana na região manifesta-se através de laços coloniais, a pecuária e a interconexão de costumes e principalmente a religiosidade.
Contribuição Histórica e Povoamento
A história da região de Conquista está ligada à lavoura, pecuária e a ferrovia Mogiana. Naqueles idos aconteceu um descolamento de pessoas fugindo da seca a partir do sertão baiano em direção a Minas Gerais. Os imigrantes baianos buscavam novas oportunidades de trabalho, na construção da ferrovia Mogiana e nas lavouras de café que estavam em acentuada expansão, fator fundamental para o início do povoamento no arraial que posteriormente se tornaria Conquista.
Influência Cultural
A herança baiana permanece viva nos costumes, no modo de vida e nas expressões locais, refletindo uma mistura entre as culturas sertaneja baiana e mineira. Portanto, é um pilar estrutural que mistura a tradição e fé do sertanejo consolidando uma identidade cultural e especialmente a religiosidade.
A proposito: dois baianos foram destaque no adensamento populacional de Conquista. Dr. Crispiano Tavares, um baiano agrimensor que atendendo solicitação de Cel. Antônio Alves da Silva, traçou o mapa da cidade, projetando avenidas largas e retilíneas, com particularidades avançadas para os padrões da época, deixou exclusividade para que fossem construídos em locais que indicavam, ou seja: área verde, igreja, escolas, estádio de futebol, quartel militar e área para moradia dos militares, praças e jardins etc.
O outro baiano que destacamos aqui, foi o Sr. Francisco Felix Tavares. Ele trouxe da cidade de Bom Jesus da Lapa, Bahia, uma réplica da imagem do Senhor Bom Jesus. Como na época havia em Conquista, razoável leva de migrantes oriundos daquele Estado, não foi difícil introduzir o culto e veneração a imagem do Senhor Bom Jesus. Esquecido pela maioria dos conquistenses, Francisco Félix Tavares deixou numerosa prole e alguns dos seus descendentes ainda vivem em Conquista, sendo a única homenagem que lhe prestaram: uma rua com seu nome, porém, lhe tiraram posteriormente, restando apenas uma fria placa depositada no museu da cidade.
Outro esquecimento e desleixo imperdoável foi a retirada do nome de um logradouro público da cidade que ostentava o nome de Rua dos Canudos, certamente por influências dos baianos da época, homenagearam a cidade criada por Antônio Conselheiros, ou seja, Canudos.

Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.



Maria Cantora: exemplo de Fé, Amor e Caridade
Da redação *Firmino Leal

Dia 30 de março, segunda-feira, a Doutrina Espirita comemora o aniversário de Maria da Conceição Martins, Maria Cantora. Por não termos a certeza da data do seu natalício, comemora-se nesta data, ocasião em que ocorreu o seu desencarne ocorrido em 30 de março do recuado ano de 1978.
Em uma das obras literárias e mediúnicas psicografadas pelo médium Emmnauel Alves da Silva, encontramos o seguinte dialogo entre Cantora e sua fiel escudeira, senhora Maria Cuiabana: Dona Maria Cantora! Em que ano a senhora nasceu? Eu nasci, quando surgia a Lei do Ventre Livre! Pois bem, a Lei do Ventre Livre surgiu em setembro de1871. Diante do exposto, particularmente, considero o ano de 1871 como ano de nascimento daquela que veio ao mundo para semear, caridade, acolhimento, fé e amor.
Na nossa concepção Maria da Conceição Martins, Maria Cantora viveu 107 anos, dos quais, 38 foram dedicados a Conquista, pois, ela aqui aportou em 1940, fincando profundas e benfazejas raízes.
Paulatinamente o nome de Maria Cantora, está sendo restaurado dignamente em Conquista, em Minas Grais e por que não afirmar no Brasil e até no estrangeiro.
São frutos do seu abnegado, tenaz e laborioso trabalho: a abençoada gleba deixada por ela onde hoje situa-se a Casa Assistencial São Vicente de Paulo; a nomenclatura do Cantinho de Luz Maria Cantora no bairro Otávio Elias, o “Centrinho” como é carinhosamente chamando, que foi reaberto recentemente, o qual foi fundado por Cantora no Inicio da década de 1940. Além disso, sua casa de morada foi totalmente revitalizada tornando um verdadeiro memorial alusivo a sua laboriosa existência.
Culminando com esse feliz acontecimento ressaltamos que a população conquistense através de força de Lei denominou a pracinha defronte a Casa Assistencial São Vicente de Paulo de “Praça Maria Cantora” onde existe ali, singelo memorial e o busto daquela que foi na sua existência terrena exemplo dos preceitos emanadas do Cristo de Deus.
No “Centrinho” bem como na casa de Cantora, estão contidos os utensílios de trabalho utilizados na sua fecunda lida espiritual de 1940 até 1978, ano do seu desencarne. Ali, estão expostos: sua cadeira favorita, moringas, bancos, cadeiras e a mesa que tanto lhe serviu de suporte e apoio, utensílios domésticos e acervo literário espirita. Tudo isso, é fruto do apreço, carinho, respeito e zelo dos valorosos irmãos que lhe sucederam, mantendo os singelos utensílios incólumes e preservados.
Epilogo
Os centros espíritas são uma espécie de janelas abertas para o céu e têm como missão o estudo e a prática da Doutrina dos Imortais. Neles, iluminam-se os espíritos, aprendendo, na convivência fraternal, a experiência da solidariedade, do trabalho e da tolerância, a fim de poderem avançar no rumo da plenitude. Assim sendo, acreditamos que a obra encetada por Cantora é exemplo de Fé, Amor e Caridade.
*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, historiador, jornalista



Antônio Alves da Silva
Da redação *Firmino Leal

Tenho a difícil missão de contar um pouco da história da importante família de origem portuguesa, os “Alves da Silva”. Pela sua importância e pelo legado que seu patriarca deixou, devo por obrigação, centrar as minhas narrativas, na figura de Antônio Alves da Silva, um vulto que jamais se apagará das páginas da história de Conquista.

Antônio Alves da Silva, filho de Luís Alves da Silva e Mariana Umbelina da Silva, nasceu em 1844, na cidade de Conservatória, Rio de Janeiro. Ainda moço mudou-se para Ribeirão Preto, São Paulo, adquiriu uma fazenda, que mais tarde viria ser trocada por outra em terras que outrora pertenceram ao português Manoel Bernardo Nazianzeno da Silveira. A propriedade compreendia todo terreno em que se localizou o então arraial, hoje, a cidade de Conquista, Minas Gerais até a margem direita do caudaloso Rio Grande.

Homem avançado para os padrões da época, Antônio Alves da Silva, de ideias genuinamente republicanas, muito contribuiu pela nossa emancipação política. Criativo, de espírito aventureiro e desbravador, integrou-se facilmente à sua nova empreitada, que era promover o desenvolvimento da nova terra que adotara como morada. Firmou então, parceria com o Coronel Francisco Meireles do Carmo, doando uma gleba para levantamento da Vila com planta meticulosamente traçada pelo sertanista e engenheiro Crispiniano Tavares, serviço este que, só se deu por findo em 1894.

Antônio Alves da Silva doou significado patrimônio territorial à cidade, tendo como base e alicerce, as principais virtudes fundamentais na construção do caráter do homem. Vejamos: doou terreno para construção da igreja, das escolas, cemitério, centro esportivo e terreno para construção de do quartel da Polícia Militar, o local depois transformou-se no aprazível bairro Otávio Elias da Silva, popularmente chamado de “Cantinho”.

Extremamente caritativo, as suas terras sempre estiveram franqueadas à pobreza, mantinha em seus domínios, uma espécie de asilo, que abrigava e dava guarida às pessoas vitimadas por epidemias como a lepra, e a hanseníase, doenças tão comuns naqueles tempos. Além abrigar com recursos próprios as pessoas doentes e, com a linfa generosa, saciava a sede dos caminhantes, retirantes e transeuntes.

Fez várias doações aos Governos Estadual e principalmente Municipal. Fruto do seu prestígio, Antônio Alves da Silva chegou a ostentar os postos honorários de Capitão, Major, Tenente-Coronel e Coronel da Guarda Nacional. Foi um homem de grandes haveres, existe até um seleto grupo de pessoas gradas que lhe atribuem o título de fundador da cidade, comungamos com esse ideal. Casou-se duas vezes, faleceu em 13 de janeiro de 1916, aos 72 de idade, deixando numerosa prole. Hoje, a sua laboriosa e honrada descendência continua espargindo a chama, os preceitos e as virtudes deixadas pela figura ímpar de Antônio Alves da Silva.

Através do seu legado, expressamos a nossa gratidão e rendemos uma singela homenagem aos “Alves da Silva”.

*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.



Escola Estadual dr. Lindolfo Bernardes dos Santos
Da redação * Firmino Leal

A foto relíquia nos remete ao lançamento da Pedra Fundamental da Escola Antônio Martins Fontoura Borges, em 1959. Nela estão pessoas pioneiras que muito contribuíram para o progresso e engrandecimento da nossa mui querida Conquista. Vamos elencar algumas contando sempre com a colaboração dos meus seguidores para identificarmos as demais:
Dr. Lindolfo Bernardes dos Santos, Dr. Tomaz Vilhena, Dr. Moacir. Sr. Joaquim Pereira Cruz, Sr. Belarmino Alves, Sr. Inocente Fragonezzi, Sr. Paulinho Assunção, Sr. Roberto Amatângelo, Sr. José Caldeira, Sr. Niva Guardieiro, Sr. Germano Fragonezzi etc... A criança que aparece na foto é Dr. José Eduardo dos Santos filho do Dr. Lindolfo.

A foto retrata o início de uma grandiosa obra do, à época, “Ginásio Antônio Martins Fontoura Borges”, depois denominado de “Escola Estadual Dr. Lindolfo Bernardes dos Santos”, fazendo jus ao criador/fundador da escola.

“Só os que têm fé, são capazes de lutar por um grande ideal”, assim sendo: “Sic Itur ad Astra” - Então vamos para as estrelas...
Participe nos comentários. Ajude a identificar as pessoas...
*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, biógrafo, locutor, historiador, jornalista

Nota do autor: Esse arremedo de crônica publiquei em um dos TBTs da Câmara Municipal ocasião de minha passagem por lá.

Jornalista, escritor, pesquisador, criador de conteúdos, historiador, bibliotecário.