quinta-feira, 7 de maio de 2026

 



Praça Coronel Tancredo França: 92 anos de harmonioso convívio
Da redação *Firmino Leal
Na data histórica de 21 de abril próximo, a Praça Coronel Tancredo França completará 92 anos desde sua inauguração. Trata-se de um belíssimo “Jardim” como é carinhosamente chamada por todos. Possui particularidades especiais, pois é frequentada por crianças, jovens, adultos e pelo pessoal da melhor idade, e todos demonstram carinho, atenção e cuidados especiais com a preservação da mesma.
Vários aspectos importantes enaltecem e adornam o seu adro: a Fonte Luminosa Nossa Senhora de Lourdes, o Coreto das Estações, uma espécie da árvore símbolo da Pátria, ou seja, “Pau Brasil”, duas espécies da raríssima árvore “Figueira de Jardim” oriunda do sul da Malásia, o conjunto de estatuetas “Floristas” que ornamentam os canteiros centrais, o monumental conjunto de 12 portais, todos ornamentados e conjugados por belíssimos exemplares de “Bougainville”, e o busto de Juscelino Kubitscheck de Oliveira.
A Praça abriga no seu períbolo vários prédios importantes que ornamentam e ajudam na harmonia arquitetônica do seu entorno: a Leste, a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes e o antigo prédio do Colégio Imaculada Conceição; Ao Norte, o Paço Municipal (Prefeitura), cujo prédio foi recentemente denominado Coralina Abate, fazendo jus a exemplar servidora municipal. O Norte conta ainda com majestoso prédio do Fórum Desembargador Vicente de Paula Borges e o antigo Solar do Coletor Federal Miguel Ângelo; Ao Sul, o Solar da família Andrade que hoje abriga a Secretaria Municipal de Educação e fragmentos do Museu Municipal. A propósito: este bonito prédio foi construído pelo Sr. Adolfo Martins Borges em 1916. Tudo isso, chama a atenção do mais desatendo observador. Trata-se de um belo espaço, salubre, aprazível, contribuindo para melhoria da qualidade de vida dos moradores, vizinhos e frequentadores.
Breve Histórico
A Praça Coronel Tancredo França foi idealizada e inaugurada em 21 de abril de 1934, na gestão do então perfeito Dr. Tomaz Vilhena de Moura. Ele contratou a empresa Flora Lemp de Belo Horizonte para realizar e desenvolver o traçado geométrico e arquitetônico, bem como o projeto paisagístico e urbanístico da Praça. Nessa época tinha a denominação de Praça Rui Barbosa, em homenagem ao brilhante jurista, sendo que anos depois passou a denominação de Praça Coronel Tancredo França em homenagem ao primeiro prefeito de Conquista e grande responsável pela criação e emancipação do município. Em 1951 o então governador Juscelino Kubitscheck de Oliveira, aqui inaugurou o seu busto, quando era prefeito de Conquista o seu particular amigo Dr. Antônio Augusto da Silva.
O “Jardim” será sempre motivo de orgulho do povo conquistense, hoje ainda é comum alguns munícipes realizarem suas caminhadas ali naquele bonito espaço. A propósito: conta a crônica local que logo após a inauguração o povo conquistense mostrou-se arredio ao convívio na recém-inaugurada Praça. Foi quando o Dr. Tomaz Vilhena de Moura de forma genuína, teve a seguinte ideia: todos os dias ao crepúsculo, ele e sua esposa a então primeira dama Dona Pascoinha, vestiam-se a rigor e de mãos dadas percorriam várias vezes o entorno da Praça. Ora, não demorou muito, e esse gesto caiu no agrado do povo. Daí a Praça passou a contar todos os fins de tarde e boca da noite, com um verdadeiro acontecimento social. Sem dúvida, um episódio à TFM - Tradicional Família Mineira, caracterizando assim, o apogeu de Conquista, ou seja, sua Belle Époque.
*Escritor, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.
Nota: As fotos antigas coloridas e uma crição do sectário escritor Paulo Santana a quem agradecemos.

 



Família Matiolli
Da redação *Firmino Leal
A saga conquistense foi marcada pelo fluxo migratório ocorrido principalmente no final do século dezenove, especialmente por italianos. Na Itália havia escassez de oportunidades de trabalho, enquanto no Brasil havia a necessidade da importação de mão de obra em consequência da abolição da escravatura.
Por volta de 1889, aportava em Conquista, então pequeno aglomerado de construções dispersas, dentre elas a majestosa Estação Ferroviária de Conquista, o jovem casal Victorio Maccioli e Maria Paralogo Maccioli, oriundos da região Vêneto, província de Treviso, na Itália. Como a maioria dos imigrantes que vieram para o Brasil, o casal teve um início difícil, entre os mais variados tipos de trabalho, grande parte deles de caraterístico braçal agrícola.
Os anos se passaram, o casal Maccioli constitui família e, por conseguinte assim como os demais “italianos”, seus descentemente se tornaram importantes vultos da saga conquistense. Fruto do costume da época, o sobrenome “Maccioli” tornou-se “Mattioli”.
Homens e mulheres de grandes haveres, com destaque na vida campesina da cidade, nos mais variados setores e seguimentos da vida social e comercial do município, bem como, destaque no setor da construção civil, bem como na religiosidade como Marianos e Vicentinos.
Destacamos a profícua vida de José Mattioli, sendo ele um dos quatros filho do casal Victorio Mattioli e Maria Paralogo. José casou-se com a também descendente de italianos, Sra. Maria Barbieri. Deste enlace tiveram 10 filhos: seis homens: Ludovico, José, Hilário, Paschoal, Arnaldo e Osvaldo. Quatro mulheres: Angelina, Judith, Lúcia e Maria. Já falecidos: Paschoal, Hilário e Lúcia.
Hoje, lustros são passados, na pessoa da matriarca Angelina Mattioli Gerolim, que breve irá debutar seu nonagésimo oitavo aniversário, deixa transparecer sabedoria, lucidez, candura, afabilidade e saúde, dando exemplos de família, honradez e firmeza de caráter. Perpetuando assim nos anais da história da numerosa prole dos “Mattioli”, a continuação da saga encetada pelos seus ascendentes: Victório Maccioli e Maria Palalogo Maccioli, os quais, promoveram busca incessante de realizações e espargiram seus ideais e sonhos aqui no “Florão da América”.
*Escritor, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.





Memórias de Conquista
Da redação *Firminio Leal
No recuado o ano de 2008 recebi a visita do distinto casal, Donato Ríspoli Borges e Dona Terezinha Braga Borges. Sendo ele médico, general da Reserva do Exército e logicamente poeta e escritor. A propósito: Donato veio a falecer anos após nosso último encontro.
Após a tratativas e agradável convescote, fui presenteado com um exemplar do seu memorável livro Memórias de Conquista. Acontece que esse livro despareceu do meu modesto acervo e então passei a procurar juntos aos amigos e famílias conquistenses um exemplar para que pudéssemos reproduzir. Minha busca foi debalde, só me restou vasculhar na Internet, foi então que descobri dois exemplares na “Estante Virtual”. Não tive dúvidas, adquiri por um bom preço os dois exemplares restantes: Ei-los:
Memórias de Conquista
Trata-se de trabalho histórico e geográfico, evoca a cidade de Conquista, MG, falando de suas terras, suas elevações, do Rio Grande e seus afluentes locais e desenvolvimento do Município.
Fala das cidades que vão nascendo às margens da Estrada de Ferro Mogiana e de seus pioneiros.
Narra como a terra virgem do Brasil recebeu o sangue de sacrifícios, os martírios, pelejas, morticínios e tragédias que foram dolorosas e horripilantes.
Diz também de figuras legendárias de nossa história desde o começo mostrando-nos colonizadores, bandeirantes, índios, negros escravizados e seus quilombos.
Os costumes são descritos: lendas, histórias, os coronéis, padres, polícia, festas tradicionais, serenatas, circos, músicas, teatros, cinemas, e hidrelétricas que traziam o progresso.
Muita sensibilidade poesia e prosa. Assim é Memórias de Conquista, do saudoso conquistense Donato Ríspoli Borges: uma verdadeira aula de história.
*Escritor, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.




Você conhece o Patrono de sua Rua? Rua Innocente Fragonezi
Da Redação *Firmino Leal
Innocente Fragonezi nasceu em Salgareda, País Itália, Região Vêneto, Província Treviso, no ano de 1905. Em 1913, aos nove anos de idade migrou para o Brasil, juntamente com seus pais: Giovanni Fragonezi, sua mãe Luiza Bergamo Fragonezi, sendo, portanto, a família composta de cinco irmãos, um homem Innocente, as irmãs: Palmira, Elvira, Josefina e Maria. Fixaram moradia em Conquista, Minas Gerais. Aqui chegando, trataram logo de construir a centenária residência e cômodo comercial à Rua João Martins Borges número 22, onde, desde 1915, perdurou por mais de 60 anos a firma comercial “Casa Fragonezi”.
Em 1929 contraiu núpcias com Amabile Boense, deste enlace tiveram 10 filhos, sendo cinco homens e cinco mulheres, os filhos homens: Inocente Fragonezi Filho, (José), João Raimundo Fragonezi, Evaristo Pedro Fragonezi, Germano Fragonezi e Paulo Fragonezi. As mulheres: Lourdes Fragonezi, Terezinha Luiza Fragonezi, Maria Aparecida Fragonezi, Luiza Fragonezi e Angelina Fragonezi. O casal adotou e criou como filha a Sra. Jovina Barcelos.
Católico fervoroso ajudou na construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes bom como na manutenção do Colégio Imaculada Conceição. Pertenceu a Congregação Mariana, a Sociedade Vicentina, e aos diversos movimentos e setores da Igreja Católica, sendo amigo dos párocos que por aqui passaram, dentre eles: Padre João Valverde, Cônego José de Mello Resende e Padre Pedro Magaline.
Innocente Fragonezi foi pai de família exemplar, comerciante honrado, de respeito. Lidou por muitos anos na sua firma comercial “Casa Farogonezi”, no ramo de secos e molhados, sorveteria, padaria e bar, chegando a possuir dois endereços comerciais em Conquista. Além disso, paralelo à atividade de comerciante, por muitos anos se dedicou à lavoura, à agricultura, no cultivo de vastas áreas agrícola na produção de arroz.
Nas palavras do seu contemporâneo Sr. Antônio Orlando de Almeida Borges: “foi um homem íntegro, trabalhador, honrado, cumpridor dos seus compromissos, homem de palavra”. Ratificando estas informações, abordamos vários moradores antigos da cidade de Conquista e nunca encontramos um comentário se quer que desabone a honradez de Innocente Fragonezi, pelo contrário, as pessoas ainda hoje, se manifestam e fazem referências positivas, saudosas e carinhosas à sua pessoa, bem como, à qualidade e sabor inesquecível dos seus produtos de sorveteria.
Innocente Fragonezi faleceu em 1979 aos 74 anos. Foi um italiano que aqui aportou e ajudou a construir Conquista terra que amou e respeitou imensamente. Deixou numerosa prole que herdaram e continuam espargindo os seus preceitos de honradez e caráter aqui neste pedacinho da Itália em Minas, rincão abençoado e feliz da “America Del Fiore”.
Homenagem
Homenagem: em retribuição ao legado de Innocente Fragonezzi, o Município de Conquista denominou um logradouro público com o nome de Rua Innocente Fragonezzi, fazendo justiça ao grande homem que deixou profundas marcas de dedicação e trabalho em prol do povo do lugar.
*Escritor, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.



Família Abatti
Da redação *Firmino Leal

A saga conquistense foi marcada pelo fluxo migratório ocorrido principalmente no final do século dezenove, especialmente por italianos. Na Itália havia a escassez de trabalho, enquanto no Brasil, havia a necessidade da importação de mão de obra, em conseqüência da abolição da escravatura.

Por volta de 1889, aportavam em Conquista, então um pequeno aglomerado de construções dispersas, os Irmãos Artur Abatti e Aldo Abatti, oriundos da região da Calábria na Itália. Como a maioria dos italianos que vieram para o Brasil, os irmãos Abatti tiveram um inicio muito difícil, entre os mais variados tipos de trabalho, grande parte deles de característica braçal e agrícola.

Com o passar doa anos, os irmãos Abatti colocaram em prática as experiências trazidas do velho mundo, tais como: conhecimentos preliminares de utilização de roda d’aqua, engrenagens e modelos de máquinas de beneficiar cereais, tanto, que chegaram a possuir duas máquinas de beneficiar arroz e café, além de propriedades rurais.

Outro fator importante, peculiar dos europeus que aqui aportaram, e que os irmãos Abatti também foram referência, trata-se do espírito empreendedor de ambos, sendo que havia uma disputa acirrada, porém saudáveis entre os dois irmãos vejamos: Aldo Abatti adquiriu um belíssimo sobrado de um lado da praça central da cidade, construído por Adolfo Martins Borges, solar que ficou perpetuado na memória do povo como Solar da Família Andrade, que foram os sucessores do imóvel. Curiosamente e imediatamente o Artur Abatti adquiriu no lado posto da Praça um sobrado cujo solar foi construído pelo coletor federal Miguel Ângelo. Belvedere de equivalente importância e singular beleza.

Os anos se passaram, os irmãos Abatti constituíram famílias e, por conseguinte os seus descentes se tornaram importantes vultos da saga conquistense. Fruto do costume da época o sobrenome Abatti tornou-se Abate. Homens de grandes haveres, um dos membros da grei, Rodolfo Abate, chegou ao posto máximo na hierarquia da cidade e tornou-se Prefeito Municipal na administração 1961 a 1962.

Hoje, a família Abate ainda permeia a luta iniciada pelos senhores Aldo e Artur e continuam espargindo a chama encetada pelos seus ascendentes em busca da realização dos seus ideais no “Florão da América”.

*Escritor, criador de conteúdos, historiador, jornalista, bibliotecário.



Encontro com Chico Xavier na “Esquina do Enjeitei”
Da redação *Firmino Leal


Idos anos 70... Naquele tempo Uberaba fervilhava cultura. A cidade universitária se tornara também referencia regional na medicina. Tudo conspirava para que a metrópole se tornasse mundialmente conhecida. A ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, instituição que agrega em suas fileiras o rol de criadores da raça zebuína com espécies de alta linhagem, se preparava para transferir sua sede da Rua Manoel Borges no centro da cidade, para a pujante sede dentro do Parque de Exposições Fernando Costa.

Além disso, a Doutrina Espírita desenvolvia naturalmente extraordinário turismo religioso, com numeroso fluxo de pessoas de outros estados e até do exterior em busca de suave encontro com o Médium mundialmente conhecido, Francisco Cândido Xavier.

O centro da cidade era pura poesia. A Praça Rui Barbosa era circundada por belíssimas construções estilos: neogóticos, coloniais e aparente ecletismo.

No inicio da Artur Machado tínhamos a Notre Dame de Paris numa esquina, e na outra, o Bar 1001, este nunca fechava e era o local predileto dos notívagos da Uberaba boêmia.

Seguindo a rua, quase na esquina com a Avenida Leopoldino de Oliveira, tínhamos o famoso Café JB, ponto tradicional dos grandes negociantes da raça zebuína, os quais tinham como local predileto para realizarem seus negócios e contatos comerciais, a “Esquina do Enjeitei”.

Esse emblemático local uberabense ficava sob a marquise do antigo Banco Financial de Mato Grosso, na confluência de Rua Artur Machado com a Avenida Leopoldino de Oliveira, era ali, naquele períbolo, que fervilhavam os acontecimentos de Uberaba, junto a eles, as falácias: Eu enjeitei tanto em minha boiada! Outro: Eu também enjeitei! Eu comprei o touro campeão da Exposição por um milhão! E assim ficou conhecida e impregnada na memória da população uberabense, a “Esquina do Enjeitei”.

Pois bem, certa tarde ao sair do estabelecimento bancário em que trabalhava, segui célere rumo ao Café JB, qual foi minha surpresa ao cruzar a “Esquina do Enjeitei”, me deparei frente a frente com Chico Xavier. A emoção extravasou meu ser; trocamos ligeiro olhar, e ele afável, me dirigiu cortêz vênia com um leve aceno movimentando sua cabeça verticalmente, no que prontamente respondi.

Pasmo, fitei seu jeito leve no nadar até sumir no meio da multidão que o saudava incessantemente, assim como eu também o fizera. Daquele momento inesquecível guardei para sempre na minha lembrança um simples fato: do lado direito de sua algibeira, portava um chaveiro contendo inúmeras chaves as quais, adornavam e combinavam com sua calça cinza envelhecida.

Os anos se passaram... Certa ocasião ao ler a obra psicografada e da lavra mediúnica de Carlos Bacelli, pelo espírito do Dr. Inácio Ferreira, me deparei com uma narrativa do Chico dizendo que certa vez ao atravessar aquele logradouro para ir cuidar dos afazeres comerciais e bancários, um grupo de entidades trevosas no mal, praticaram tentativas e atos de agressões e achincalhamentos direcionados à sua pessoa. Porém, protegido pelos benfeitores espirituais e por suas orações, ele saiu incólume daquelas perseguições de nossos irmãos trevosos.

Ao me debruçar sobre essa leitura, espírito áspero e rude que ainda sou, mesmo assim, me lembrei daquela feliz tarde do meu encontro com Chico Xavier na “Esquina do Enjeitei” e, viajei num ousado sonho imaginário e quase real: quem sabe não foi naquela tarde do nosso encontro que o Chico se desvencilhou daquelas entidades trevosas?

Quanta ousadia e vaidade de minha parte! Porém, desde aquele dia passei ver o mundo e os meus semelhantes de forma diferenciada, com conceitos alicerçados na fé, na esperança e no amor.

Nota do autor: foto ilustrativa da Esquina do Enjeitei de Uberababa em fotos aquém agradecemos. 

*Escritor, pesquisador, criador de conteúdos, biógrafo, locutor, historiador, jornalista e bibliotecário.

quarta-feira, 6 de maio de 2026



Padre João Valverde
Da redação * Firmino Leal

Muitas são as histórias que envolvem a passagem da figura lendária de padre João Valverde pela Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes em Conquista, Minas Gerais. A sua transferência de forma drástica e inesperada, ocorreu em consequência de uma animosidade com uma das famílias poderosas da época, como ratifica curioso oficio nº 151 de 10 de dezembro de 1938, emanado do então Executivo Municipal, endereçado a autoridade eclesiástica da época reivindicando a sua remoção.
Vejamos nas palavras do professor e historiador Daniel Amatângelo no seu livro: A Caminho do Alto... Uma Saga Comunitária, algumas particularidades sobre a sua atuação em Conquista:
“Em 1929 toma posse o Padre João Valverde. Com característica, muito exigente, rigoroso até no cumprimento dos valores morais e religiosos da época. Foi com ele que a Igreja Matriz tomou grande impulso para seu término. Promotor de vocações. Criou na comunidade associações e para a matriz, adquiriu imagens e deu continuidade a sua construção. Fundou o Apostolado da Oração, a Associação de São José, o Apostolado da Oração, a Pia União das Filhas de Maria e Congregação Mariana. Fundou ainda, junto com Francisco Zago Sacon e outros, a Confraria São Vicente.
Muitos o admiravam pelo seu dinamismo e atenção junto aos conquistenses. Também colaborava com as irmãs franciscanas no Colégio, proporcionando materiais para aprendizagem das menores e gêneros alimentícios.
Pessoalmente, foi um grande incentivador de vocações e diretor espiritual.
Com a saída do Padre, muitos paroquianos afastaram, pois não aceitaram o que ocorrera, a submissão da paróquia para o Poder Executivo de então”.
Naquela época, teve início a corrida industrial, ocasionando o famigerado êxodo rural, contribuído para o declínio das pequenas cidades brasileiras, em Conquista não foi diferente, um acentuado marasmo e um visível estado de estagnação tomou conta do lugar. Daí muitos atribuírem esse declínio em consequência de uma “praga” emanada do Padre João Valverde sobre a cidade, proferida quando da sua inesperada saída.
Outro fato curioso: no dia de sua saída, foi fretado o táxi do Sr. Alfredo Damião para levá-lo até o seu destino. Acontece que, pessoas estranhas e de caráter duvidoso, circundavam a então Praça Rui Barbosa, causando certo pavor no próprio padre e nos curiosos que espreitavam o acontecimento, dificultando assim, o traslado das bagagens e pertences do religioso da casa paroquial até o veículo estacionado ao lado. Foi então, que o Sr. Artur Damião, juntamente como o comerciante Innocentte Fragonezzi, decidiram de forma ousada, carregarem os pertences e a bagagem até o automóvel. Além disso, deram uma espécie de cobertura até que o veículo desaparecesse.
Conta a crônica local que a chagar em um mirante já fora da cidade, o religioso ordenou que o Sr. Alfredo Damião parasse o automóvel, no que foi obedecido, aí então, teria proferido a seguinte frase: Conquista! Tu nunca passarás de Conquista!

Outra versão descreve um gesto inusitado do religioso: ele teria tirado suas sandálias, que era o calçado comum à época e batido uma na outra, dando a entender que não queria levar de Conquista nenhuma lembrança, nem o pó das sandálias. Na nossa concepção, fatos improváveis em decorrência da sua profunda religiosidade e fé e por tratar-se de um religioso carregado de humanismo e compaixão. Além disso, a teologia católica ensina que o sacerdote é chamado a amar e abençoar, e as pragas são vistas como um ato contrário à sua missão de ser "bom pastor", daí a razão de não acreditarmos nos relatos da crônica local.
Crônica extrada do livro Memória Conquistase que encontra-se no prelo.
Bibliografia e foto: Livro a Caminho do Alto... Uma Saga Comunitária
Professor Historiador Daniel Amatângenlo