sábado, 4 de abril de 2009

João Martins Borges



Você conhece o Patrono da sua Rua?
Rua João Martins Borges

João Martins Borges, filho do fazendeiro uberabense tenente-coronel Joaquim Martins Borges, nasceu em 1º de julho de 1890, na fazenda "Canoas", Araxá (MG). Aos 24 anos, dotado de grande energia e espírito aventureiro, foi à Índia comprar zebu. Com dificuldades para transportar o gado, geradas pela Primeira Grande Guerra, foi obrigado a deixar o gado na Índia. Somente em 1916, conseguiu sucesso na importação.
Em 1917, voltou à Índia com o irmão Virmondes e o primo Otaviano Borges Jr. Foi sua última viagem. Ainda em meio à guerra, os três foram obrigados a fazer conexões, ora pelo mar, ora por ferrovias, em busca dos melhores locais para o comércio de zebu. Na terceira viagem, João Martins Borges chegou a passar por muitas dificuldades financeiras.
Em 1918, ao preparar a volta ao Brasil, seguiu para Calcutá, onde morreu em um hotel, em consequência de intoxicação causada pela injeção 914 que lhe aplicaram em conseqüência de uma infecção.
João Martins Borges foi enterrado em Calcutá. Em 1975, a ABCZ trouxe para Uberaba os restos mortais do "pioneiro", em urna que está exposta no Museu do Zebu.
A importação iniciada por ele, na terceira viagem, foi uma das maiores da época e contribuiu para incentivar outros brasileiros interessados em buscar o zebu em sua terra de origem.
João Martins Borges é considerado por zebuinocultures brasileiros "um verdadeiro herói", que morreu na missão de expandir a pecuária zebuína nacional. Um dos pioneiros na importação do zebu da Índia para o Brasil, o mesmo enfrentou muitas dificuldades para trazer o gado da Ásia.
Em Conquista, João Martins Borges foi secretário do Partido Republicano Mineiro. Participou ativamente dos movimentos administrativos e de consolidação do município recém-criado. O Povo de Conquista em reconhecimento ao seu devotamente e empreendedorismo denominou um logradouro público que, ainda hoje, ostenta seu nome; a minúscula Rua João Martin Borges situada no centro da cidade.

Fonte: Museu do Zebu / Pesquisadora Ida Aranha Borges

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

terça-feira, 31 de março de 2009

Conquista, Minas Gerais


A cidade de Conquista, localizada no Triângulo Mineiro, nasceu com as expedições que no início do Século XIX vieram explorar a região. As terras que formam o município foram doadas ao português Manoel Bernardes Nazianzeno da Silveira. Elas passaram por vários donos e, em 1888, o Coronel Francisco Meireles do Carmo aqui se instalou, criando um armazém para fornecer mercadorias aos trabalhadores que construíam a estrada de ferro Mogiana.

Em 1894, o Dr. Crispiniano Tavares, baiano filho de Ilhéus, fez a planta do povoado, traçando e demarcando as ruas. Conquista tornou-se distrito de Sacramento em 1892, desmembrando-se do mesmo em 1911, consoante a divisão administrativa do Brasil.

Origem do nome da cidade de Conquista

Existem três versões sobre a origem da denominação do nome da cidade de Conquista:
A primeira oriunda do fato de lhe ter sido dado o nome por Domingos Vilela de Andrade, coronel, fazendeiro, latifundiário, nascido em Monte Alegre, (MG). Procedente de Ribeirão Preto, SP, onde era grande produtor de café, Vilela adquiriu uma gleba de terras na margem direita do Rio Grande, onde construiu a sede da fazenda denominada, segundo alguns, de Fazenda Conquista.

A segunda, pelo seu sucesso ao conquistar a sua independência de Sacramento; a meu ver a mais remota das três, pois o desmembramento de Sacramento se deu em 1911; o Distrito de Conquista, porém, já existia e foi criado, como pertencente ao termo de Sacramento, pela Lei Municipal nº. 07 de 23 de novembro de 1892, ratificada pela Lei nº. 88 de 10 de setembro de 1901. Portanto, o Distrito com o nome Conquista já existia dezenove anos antes que o mesmo fosse transformado em Município.

A terceira, a meu juízo, é a mais lógica; segundo consta, o nome Conquista foi dado em homenagem ao sertanista e engenheiro Dr. Crispiniano Tavares, um baiano filho de Vitória da Conquista, que meticulosamente fez o traçado e projeto urbanístico da cidade com avenidas largas e retilíneas. Tal empreendimento se deu em razão do mesmo ter sido contratado pelos coronéis Domingos Vilela de Andrade e Antônio Alves da Silva, então, grandes proprietários de terras, sendo que, ao término dos trabalhos, doutor Crispiniano auferiu, além dos seus honorários, o direito de registrar na legenda do projeto urbanístico a denominação de Cidade como Conquista. Isto se deu logicamente em hoemenagem a cidade de Vitória da Conquista – BA, pois que, nessa época, existia no município recém criado uma leva muito grande de baianos oriundos dessa cidade os quais, fugindo da seca, vieram trabalhar nas lavouras de arroz e café, bem como na construção da estrada de ferro Mogiana. Supostamente, o grande fluxo de hóspedes flutuantes que vieram da Bahia facilitou a escolha, aceitação e principalmente a difusão do nome Conquista.

O Coronel Domingos Vilela de Andrade é considerado o fundador de Conquista, embora haja um seleto grupo que discorda desse atributo, pois atribuem tal feito ao grande benemérito da cidade o Cel. Antônio Alves da Silva. O seu primeiro Prefeito (Agente Executivo) de Conquista foi o Coronel Tancredo França. Durante algum tempo, o município viveu crescimento econômico acelerado. Dois fatores foram marcantes para isso: a construção da estrada de ferro Mogiana e a chegada de italianos, libaneses, árabes, portugueses, japoneses, e os baianos oriundos das cidades de Vitória da Conquista e Bom Jesus da Lapa. Esses imigrantes marcaram presença na história do município, seja pelos belos casarões da época seja pelos nomes e sobrenomes das tradicionais famílias de Conquista.

Aqui, se déssemos a palavra ao Dr. Filipe Caramori, assistiríamos à dramática encenação da chegada deste povo tenaz e laborioso. Isso seria bom, pois talvez ninguém mais duvidasse de que foram eles que trouxeram na sua bagagem os conhecimentos, a cultura, culinária e costumes do velho continente.

A cidade preserva também tradições e costumes da cultura da Bahia, principalmente quanto à religiosidade. Isso aconteceu com a vinda de trabalhadores daquele Estado que trouxeram para Conquista o culto ao Senhor Bom Jesus da Lapa, a réplica de cuja imagem foi trazida em 1903 pelo senhor Francisco Félix Tavares e colocada na antiga igrejinha, em 1927 a imagem foi trasladada para a nova Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, onde é festejada todos os anos, no dia 06 de agosto; sendo que em 2003 esta tradicional festa e celebração religiosa completou 100 anos.

A padroeira da cidade é Nossa Senhora de Lourdes; seus festejos são comemorados com júbilos e deleite de fé cristã em 11 de fevereiro de cada ano.
Em 1911, o antigo distrito é elevado a Vila da Conquista com a criação do município, desmembrado de Sacramento. Tal fato representa um marco na evolução da cidade, que experimenta na segunda década do século passado o seu apogeu mantinha consulados estrangeiros, correspondentes de bancos estrangeiros, concessionárias Ford e GM e um intenso movimento comercial, chegando a exportar, entre outros produtos, gado, muito café e principalmente arroz, e chegando a ostentar o título de maior produtor de arroz do Estado de Minas Gerais.

Na cidade são introduzidos diversos melhoramentos urbanos. No final da década de 20 são construídos novos edifícios públicos e religiosos, merecendo destaque entre eles o paço Municipal, a Cadeia Pública, o Grupo Escolar, a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes e o Fórum.
As residências espelham o progresso que o município experimenta. Suas composições são, ora derivadas do antigo padrão colonial, ora derivadas dos modelos neoclássicos, ou ainda afeitas ao gosto francês pelo ecletismo.

Geralmente são casas de um pavimento, raramente se desdobrando em sobrados, mas adotando muitas vezes o porão alteado típico da segunda metade do século XIX.
Quanto aos edifícios públicos e comerciais, a linguagem arquitetônica empregada não foge às regras adotadas em todo o país no período. Para igrejas, os modelos neogóticos ou neo-românicos; para prédios públicos, a severidade do neoclássico, com robustas colunas da ordem colossal, a exemplo do edifício do Fórum.

Nos estabelecimentos fabris e comerciais são adotados os recursos das platibandas movimentadas, cornijas e elementos decorativos em massa e ferro.
Hoje, muitos lustros são passados. A hospitalidade ainda é marca registrada do povo conquistense; a cidade ainda preserva qualidade de vida invejável; quem aqui aporta jamais quer sair; as suas ruas e avenidas largas e retilíneas tornam a cidade um ambiente agradável, salubre e bom para se viver.

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Programa Recordar é Viver - 10 anos de Sucesso


Radialista Hercules Antônio Zara (Zarú), por acasião do aniversário do programa "Recordar É Viver" ocorrido em 30 de março de 2008 pela Dinâmica FM 105,9 Megahets-Conquista-MG




















Radialista Libório Leal - 10 anos frente ao programa "Recordar é Viver" pela Dinâmica FM 105,9 Megahets - Conquista-MG


Os comunicadores Liborio Leal e Hercules Antônio Zara, o popular Zarú, fizeram programa especial dia 30 de março de 2008, em comemoração ao décimo aniversário do programa músico-cultural “Recordar é Viver”. São Dez anos em que, todos os domingos de 10 horas ao meio dia, em caráter ao vivo, os conquistenses desfrutam da boa música brasileira, associada à poesia, crônicas e causos. Comenta Liborio Leal: “o nosso objetivo é levar ao público conquistense a verdadeira música brasileira, fugindo assim, da mesmice. E ainda, a divulgação de musicistas, literatos, artesãos, poetas, em fim; promover Arte & Cultura, não só do Brasil, bem como, de nosso município. Talvez seja esse o motivo do programa atingir extraordinária audiência e ter caído nas graças do povo”.


A Rádio Dinâmica FM 105,9 Megahets, com 25 Watts de potência, possui Outorga Definitiva oriunda do Ministério das Comunicações. Foi fundada em 1996, por um abnegado grupo de pessoas ligadas à cultura da cidade, na oportunidade, lideradas pelo Pe. Alécio Donizete Freire. São 12 anos de bons e relevantes serviços prestados a comunidade conquistense.

Moção Honrosa
Culminando com essa data marcante, o vereador Júnior César de Oliveira apresentou na Câmara Municipal de Conquista, requerimento de Moção Honrosa destinada ao comunicador Liborio Leal em reconhecimento ao grande sucesso alcançado pelo programa. Na ocasião, o requerimento foi aprovado por unanimidade pelos membros da Casa.

Consagrado pelo público e pela crítica, o “Recordar é Viver” teve início Em 1998, com Marcelo Dalbello, como sonoplasta; Hercules Antônio Zara o Zarú, e Liborio Leal como locutores. Sendo que Marcelo e Zarú por motivo de força maior deixaram o programa anos depois, ficando o mesmo sob a batuta do comunicador Liborio Leal.

 Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sábado, 21 de março de 2009

Córrego Lajeado


Ribeiro de pequeno caudal que abastece a cidade. “Tênue, corre em busca do Ribeirão maior, levando consigo a linfa generosa que sacia a sede”. Une Conquista e Sacramento, funcionando como elo entre duas cidades Imãs.

Gracioso é o seu coleio vaidoso; seu murmúrio, porém, é dolente e melancólico.Plácido, presencia o retorno dos filhos ilustres da Terra abençoada, que dantes foram parar em outras plagas.Altivo, testemunhas o ambiente fraterno e cristão reinante em Santa Maria.


Córrego Lajeado! Generoso, fornece o bem vital a Conquista e as populações ribeirinhas. Seu berço é abençoado por Deus e protegido pelo manto da Virgem Maria. Em seu seio a natureza é pródiga.
Discreto, observas o bailar das folhas das árvores, com seus movimentos belos e sincronizados, que conspiram a seu favor, como se estivessem chamando a atenção do mais desatento e desavisado observador, pedindo preservação.A sua revitalização, uma realidade. O seu ressurgimento, o fruto de sonhos, planos, anseios, e lutas: “Projeto Ambiental de Recuperação da sub-bacia do Córrego Lajeado”.




Vista aérea da Fazenda Santa Maria cortada pelo córrego Lajeado, que une Conquista a Sacramento .

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”. Fernando Pessoa



Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Salve! Conquista. Feliz Aniversário





São 30 de agosto de 2007, em Conquista - Minas Gerais. A aurora desperta trazendo consigo os primeiros clarões. Foi nesta data, há 96 anos, que Conquista nasceu. Deixou de figurar como distrito de Sacramento para perpetuar-se na constelação da Pátria.

Sentindo a ausência de qualquer outra alvorada alusiva a esta data marcante, ou de algum burburinho provocado pelo “ir e vir” dos alunos das escolas da cidade, ou talvez o tráfego dos transeuntes (rumo ao local onde porventura estivessem acontecendo às comemorações), pus-me a esmiuçar os meus velhos alfarrábios, em busca de alguma fotografia que ilustrasse os tempos áureos quando, religiosamente, a cada ano, aconteciam as comemorações com pompas e júbilos, tornando esse lugar um torrão alegre e feliz das Minas Gerais.

Tomado pela emoção, saí pelas ruas da cidade em busca de algo que preenchesse esse vazio que extravasava pelo meu ser. Conquista, com suas belas avenidas, largas e retilíneas, estava vazia. O que teria acontecido? Onde estariam seus filhos? Indaguei. Segui, notei que alguns membros da Ordem Colossal, naquele momento, hasteavam o pavilhão de Conquista. Um outro, a estender uma faixa com dizeres em homenagem à terra querida. Pensei! Talvez seja essa a única homenagem reservada ao aniversário de Conquista. Já que ninguém sequer, encomendou uma Missa em Ação de Graças.

Confesso! Senti saudades... Como faz falta o saudoso Amélio Guardieiro! Carinhosamente conhecido por “Ninão”. Onde está a professora e diretora Marisa Canassa? Professor José Carlos Scandar, onde está? Não ouço seu grito entusiasta. “Avante escola! Atenção”! E João Nunes porta-bandeira?

Lembram-se da fotografia que fui buscar em meus alfarrábios? Encontrei-a. Veio-me a lume a história contada por Ângelo Rodolfo Canassa, de saudosa memória. Dizia ele: “certa ocasião a Fanfarra Conquistense foi convidada para um desfile na cidade de Sacramento, visto que sua fama expandiu-se além fronteiras. Naquele dia, no coração de Sacramento, Conquista fez-se ouvir: seus clarins, tambores, taróis e atabaques, sob a batuta do mestre e maestro, Ninão. Que, como herói, saiu aplaudido de pé”.

Fiquei preocupado! Como pode um filho não comemorar o aniversário da sua mãe? Interpelei alguém. A resposta me foi dada por uma sábia anciã, que, no afã de regar as plantas do seu jardim, ali estava, assim como Conquista, ostentando os seus 96 anos de idade. Prudente, calma, solícita, afável, ela, gentilmente, confortou-me: “meu filho, não se preocupe, não se aflija, talvez tenham deixado as comemorações para Sete de Setembro”...

Fanfafarra Conquistense. Desfile cívico de 7 de setembro de 1958






Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"Vozes da Ribeira" um achado.




Na sexta-feira, 25 de janeiro de 2008, tive a oportunidade de participar do lançamento do livro “Vozes da Ribeira” de autoria do irmão Firmino Libório Leal. Os eventos literários que, em sua maioria, não despertam o interesse da população, este por sua vez, lotou o auditório da Associação Comercial e Industrial da Grande Região de Picos, para nossa surpresa e satisfação do autor que conseguiu mudar a rotina de muitos que lá estiveram prestigiando o ato, como é o caso de Adebaldo Nogueira, não fosse o lançamento de Vozes da Ribeira, certamente estaria numa mesa de bar tomando uma geladinha, assim como muitos outros, Dona Leda Luz, que dificilmente deixa seu lar para estar em qualquer evento, mas este em especial conseguiu rouba-la alguns minutos de seus afazeres domésticos, mas se fosse nominá-los todos que se fizeram presentes estariam em outros lugares, mas certamente uns seriam mais difíceis que outros de abandonarem sua rotina, somente Firmino Libório conseguiu e com certeza não se arrependeram da mudança, pois puderam através do recital, das histórias e do conteúdo geral do evento rememorarem momentos felizes que um dia viveram ao lado do autor, além é claro de com a leitura se encontrarem com Firmino numa volta ao tempo, assim como fiz quando li e reli Vozes da Ribeira, apesar de já conhecer algumas das crônicas, mas as li novamente com o mesmo entusiasmo de antes, sendo que com mais atenção.
Pela nossa diferença de idade, não vivi no mesmo tempo e espaço que Firmino, mas algumas das passagens foram tão bem narradas que viajei e transportei-me no tempo e foi como se estivesse estado nos mesmos lugares, convivido com as mesmas pessoas e participado dos mesmos momentos. Vozes da Ribeira não um livro, um simples livro, é um documento histórico que resgata a história de pessoas, de fatos, do esporte, da cultura, da vida e do comportamento de um povo e de uma época. Feliz idéia, feliz iniciativa, feliz concretização de um sonho do autor que ao realizar seu sonho contemplou-nos com essa belíssima obra literário-histórica.
Vozes da Ribeira é um livro escrito em 103 páginas, cada uma mais rica que a outra. Cada crônica nos convida à próxima, deixando-nos sempre com um gostinho que ir à frente. Nele, Firmino imortaliza fatos e pessoas das cidades por onde passou e viveu, como Picos, Bocaina, Oeiras, Uberaba, Uberlândia e Conquista. Os textos foram escritos com a alma e a simplicidade que lhe é peculiar, registrando fatos vividos por ele e outros repassados de geração em geração. O autor soube selecionar os temas e descrevê-los melhor ainda.
Qualquer adjetivo ou a soma de todos os adjetivos será pouco para qualificarmos Vozes da Ribeira, a riqueza dos textos estão a partir das opiniões de amigos, do prefácio do irmão Chico Libório, do texto do poeta Vilebaldo, das reminiscências do esporte, histórias das amplificadoras, de lideranças políticas como Justino Luz, lembranças do rio guaribas, dos seus poços, das suas belezas, dos nomes jocosos de pessoas, nomes esses que perduram até os nossos dias, não sendo os mesmos, mas de outros que nos fazem lembrar dos que já se foram. Lembrar de Chico Barbosa é fazer justiça à poesia, à história, ao rádio e ao repente, um homem de vida ativa em todos os setores da sociedade picoense e que em vida fora homenageado dando o nome à Rua Moura Barbosa e a uma escola municipal Francisco de Moura Barbosa, um homem que contribuiu com o progresso e o desenvolvimento da cidade modelo.
O livro “Vozes da Ribeira” resgata a história do nosso velho cine Spark que conheci e vivenciei os últimos dias de seu apogeu, da Praça Félix Pacheco, ponto de encontro da juventude picoense até os anos 90, hoje o ponto mudou-se de endereço para Praça de alimentação, na confluência das ruas Olavo Bilac com Monsenhor Hipólito, onde estão instaladas a Donna Pizza, Picanharia Gril e Pizzaria Boca de Forno. Firmino registra ainda os festejos de nossa senhora da Conceição, narrando a passagem dos 250 anos de padroeira, oportunidade em que resgata a história de Bocaina, além de correspondências enviadas aos amigos Odorico Carvalho e Graziani Gerbasi, além de uma homenagem a Fogoió de Zequinha.
Agora faço como o autor que faz relembrar dos bons tempos da querida Picos, pacata, hospitaleira com seus poços e campos de poeira para o lazer da juventude. Aos domingos, Picos era uma festa só, vários campos de poeira, todos lotados e ao final dos jogos, a maioria corria para os poços do Guaribas para tomar banho ou então para o poço das almas, um dos poços jorrantes de Picos que ficava na Rua Luis Nunes, em frente ao Cemitério São Pedro de Alcântara, nas proximidades do Hospital Justino Luz, lá tinha uma mangueira e o poço jorrava vinte e quatro horas, à noite ninguém tinha coragem de passar nas proximidades dele, pois com o barulho da água e da mangueira quando ventava formavam um som amedrontador e todos diziam que eram as almas. Ah! Que saudades. Firmino, esta foi a maior contribuição que você deu à cultura e à história de Bocaina, de Picos, de Oeiras, do Piauí e porque não dizer do Brasil. Sucesso meu irmão.
Vozes da Ribeira é um achado.
* Francisco das Chagas de Sousa - jornalista e presidente da ALERP - Academia de Letras da Região de Picos. (Teresina, PI, 30.01.2008)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009




Um Cronista das Ruas e Tipos Piauienses

Existem muitos cronistas de cidades. São escritores que observam ruas e pessoas com o olhar peculiar de quem busca retratar a alma do lugar em que vivem. Assim é Firmino Libório Leal, um jornalista que escreve reportagens, crônicas, causos, especialmente sobre sua terra natal: o Piauí.
Em Vozes da Ribeira, Libório Leal revive o cenário de uma época da vida urbana e rural da região de Bocaina, Picos, Oeiras e outras cidades. Ele se distingue pelo palavreado típico, resultado das referências culturais piauienses. Leal é um verdadeiro defensor da cultura nordestina. Suas crônicas são vozes emergentes que revelam a alma do povo, falam das ruas, dos lugares, das personagens típicas da região, da vida das pessoas e das viagens que fez pelo Brasil.
Vale a pena conhecer as peculiaridades do povo piauiense e se inspirar e viajar junto com o autor, a fim de que, num processo recíproco, o leitor se torne protagonista da narrativa, como se ele mesmo fosse ator nessa história.

Vilebaldo Nogueira Rocha
União Picoense de Escritores - UPE