sábado, 28 de novembro de 2009

Tributo a Advíncula da Cunha

Filho primogênito de Evangelino Cunha e Eloáh Adrien Cunha. Nasceu na cidade de Jataí. Estado de Goiás, no dia primeiro de junho de 1914. Encabeçava uma prole de onze filhos.

Quando pequeno ganhou de sua mãe o apelido de “Barão”. Forma esta de tratamento que lhe foi dispensada sempre por todos os que privaram da sua mais estreita intimidade.

Advíncula era bem pequeno quando a família se transferiu para a cidade de Araxá e em seguida para Sacramento, época sempre referenciada por ele como de saudosa memória, que, às margens do Ribeirão Borá, nas proximidades da ponte do Rosário, ele viu sua prima “Lola” (Leonor Cunha) pela primeira vez. Na ocasião, ambos tinham, respectivamente, oito e seis anos de idade.

As crianças descalças molhavam os pés nas águas límpidas do riacho. Vendo-a luminosa, catita e orvalhada, desde aquele instante, Barão teve o pressentimento de que aquela linda e singular menina seria futuramente, e sem margem de dúvidas, a sua companheira para toda vida. Esse presságio o destino selou em 10 de junho de 1945, pois contraiu matrimônio com a eleita do seu coração, selando assim um compromisso oficializado de aproximadamente dez anos.

Desde jovem Advíncula auxiliava o pai nos afazeres do consultório dentário; profissão que Evangelino exercia, prestimoso e bastante procurado. Assim, na “função de Tiradentes” e como dentista ambulante, nosso homenageado começou a trabalhar na zona rural. Era contratado pelos fazendeiros para dar tratos dentários aos familiares e colonos. Vale ressaltar que era ele que executava também todos trabalho de prótese: moldava dentes, fazia pontes móveis e/ou fixas, dentaduras. Aparelhos para correção de arcadas mal-formadas, restaurações a ouro, além de realizar cirurgias em crianças que nasciam com lábio leporino e em casos graves de sinusite.

Por essa época fez-se: um kardecista convicto; um fervoroso maçon., tornou-se também um grande idealistas. Adepto da UDN (União Democrática Nacional), partido político da época.

Ante a necessidade de um maior convívio com a família, pois, ainda trabalhava fora de casa, Barão decidiu parar com os encargos de dentista ambulante e fixou residência e gabinete em Conquista, em agosto de 1950. Ao lar, “singelo e desatativado”, ajuntaram-se-lhes três filhos: Lincoln (1946), Áurea Marly (1948) e Luiz Adrião (1950). Contudo, este último faleceu precocemente nos primeiros dias de vida.
Assim que chegou em Conquista, junto com alguns companheiros de ideal fundou o Centro Espírita e Cultural Eurípedes Barsanulfo, constituindo-se seu primeiro presidente. Como maçom preclaro, foi um dos fundadores da Loja Maçônica Estrela Conquistense, inclusive, foi seu primeiro Venerável Mestre. Alguns anos mais tarde também trabalhou juntamente com doutor. Lindolfo Bernardes dos Santos e outros idealistas, para a implantação em Conquista do Ginásio Antônio Martins Fontoura Borges (hoje, Escola Estadual Doutor. Lindolfo Bernardes dos Santos).

Em Conquista e região Advíncula granjeou sólidos e eternos relacionamentos. Tinha predileção por literatura variada; gostava muito de escrever e inclusive há um vasto repertório de produções de sua lavra, tanto em prosa quanto em verso. Fez-se sem alarde, humildemente e sempre que necessário, em braço anônimo e pródigo para os necessitados de qualquer sorte: Legou-nos grandes lições de fraternidade e desprendimento.

Repentinamente, a primeiro de janeiro de 1978, viu-se enviuvado. Sua fiel e dedicada esposa partiu depois de 34 anos de casados. Apos isso, sempre aconselhado por todos os mais íntimos sobre a necessidade de nova companhia, Barão, contudo achava que a sua Lola era insubstituível. Porém tornou-se casmurro e por demais entristecido. A maioria dos seus causos era plena de saudades e recordações

Advícula tinha especial predileção por Conquista. À moda dos menestréis varava noites com nos papos. E a sua última noite passada em Conquista Foi regada a cerveja e serenata. Acompanhado dos “tocadores conquistenses”, muitos amigos foram homenageados De acordo como relato dos que o acompanharam, ele estava muito eloqüente e vivás. Sem que ninguém desconfiasse, era a despedida final.

No dia subsequente, Barão rumou a Sacramento, onde pernoitaria para, na manhã seguinte, ir a São Paulo. Porém, a vida quis diferente: ao voltar do mecânico onde levara o “fusca verde” para que fora vistoriado durante sua ausência, visitou uma prima adoentada, despedindo-se ganhou a rua. Não chegou a andar um quarteirão caiu e perdendo os sentidos foi imediatamente socorrido por pessoas amigas.

Sobre a cama vazia ficara apenas: a mala feita e a passagem já comprada... Permaneceu em coma quatro dias. No dia 31 de outubro de 1986 adentrou a Vida Maior, deixando um legado de grande beleza e valores éticos, através das palavras escritas e faladas, mas principalmente por exemplos vivos. Deus o abençoe hoje e sempre, Advíncula da Cunha.

Agradecemos a família do saudoso Advíncula da Cunha, especialmente a Dona Áurea Marly Cunha Gutierrez Salvador que colaborou com a matéria.

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sábado, 5 de setembro de 2009

O Jornalista do Interior



Por mais uma década Conquista foi brindada com a circulação do noticioso Tribuna de Conquista. Tratava-se de um excelente jornal, que tinha a batuta do jornalista Ariston Timóteo, um dos pioneiros da imprensa do Triângulo Mineiro, haja vista, outro jornal fundado por ele e por Walmor Júlio Silva, grande jornalista, professor e decano da imprensa mineira, ter completado ano que passou, 40 anos de profícua existência, o grande jornal O Estado do Triângulo.

Foi nas páginas do Tribuna de Conquista que me deparei com os textos do डॉ Carlos César Bragatto, conhecido popularmente como “Badaia” desde os tempos memoráveis da gloriosa Associação Atlética Conquistense, onde, com maestria, ele envergou por muitos anos, a camisa de número oito.
Na famosa coluna “Badaia nos Esportes” e depois “Coluna do Badaia” ele propiciava a todos, leitura gostosa, de fácil entendimento। Badaia sabe como ninguém, prender os leitores. Com o passar dos anos, me tornei seu leitor e seu fã de carteirinha, talvez, pelo gosto e afinidade que temos em comum, ou seja, gostamos de música, principalmente do Rei Roberto Carlos, Jovem Guarda. Gostamos de Futebol, da Rádio Dinâmica FM, e de grupos musicais, sendo ele, exímio baterista e eu, apenas arranho as cordas de um violão.
Tenho guardado nos meus alfarrábios várias crônicas pitorescas, engraçadas e outras até trágicas, da lavra do Badaia. Uma até faz parte do meu modesto livro “Vozes da Ribeira”. Mas as três que passo narrar, certamente me marcaram bastante: certa ocasião, Badaia viajou a capital mineira em companhia do saudoso Hecmat Wazir, ao chegarem na Estação Rodoviária de Belo Horizonte, Badaia com seu faro jornalístico aguçado, descobriu no meio da multidão, a presença do grande treinador da Seleção Brasileira Telê Santana. Numa fração de minutos, ele soube extrair o máximo do mestre Telê Santana, resultado: brotou o artigo para a próxima edição do Tribuna de Conquista “Telê, Uai”।

Em outra ocasião, ao entrevistar o grande artilheiro Rivaldo Antônio Boense, o popular “Amigo da Onça”, se viu em grandes dificuldades, pois, após minuciosa enquete, foi surpreendido e passou de entrevistador a entrevistado, eis que, o “Amigo da Onça” sorrateiramente, surpreendeu a todos com a seguinte pergunta: Badaia, eu fui bom de bola? Imediatamente, saiu em disparada deixando o jornalista com um tremendo abacaxi pra descascar।
Com peculiaridade, Badaia sabe descrever suas emoções. Quando do falecimento do seu grande amigo de infância Dr. Luciano Furiati, Badaia descreveu com primazia o que lhe ocorrera ao presenciar a luta do amigo pela vida, diante da implacável enfermidade. Como última homenagem e como prova de amizade sincera, dispensou ao saudoso amigo, um texto poético carregado de emoção e sentimentos: “Ciao Bambino. Ciao”. Foi uma das mais brilhantes declarações de verdadeira amizade que vi ao longo de minha existência।
Ano passado, 20 de agosto, quando tive a ousadia e coragem de criar O Conquistense, não hesitei: fiz o convite ao Badaia para enriquecer suas páginas com seus artigos e suas crônicas. Amigo: o convite ainda está de pé. Um abraço daqueles de quebrar costelas... Apareça. 

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Coronel Maia



Nossa pesquisa de hoje homenageia a figura respeitável e magnânima de Antônio de Oliveira Maia, ou Cel. Maia, como ficou perpetuado na memória e no fadário conquistense para posteridade.

Natural de Portugal, Antônio migrou para o Brasil bem moço ainda, adquirindo família e conquistando a amizade de todos que com ele tiveram o ensejo de privar. No Distrito de Jubaí, onde residiu por muitos anos, foi sempre reconhecido e acatado como chefe de incontestável prestigio.

Desempenhou, no município de Sacramento, pois Conquista ainda não havia emancipado cargos de eleição e de confiança política, militando sempre, com a mais dedicada lealdade, ao lado do saudoso Coronal Manoel Cassiano de Oliveira França, e dando invariavelmente, de seus atos, o mais cabal e escrupuloso cumprimento dos seus deveres e afazeres que lhes foram confiados.

Ao município de Conquista prestou o Cel. Maia, os mais relevantes serviços, quer como político, que como pai de família honrado e próspero empreendedor. Depois de servir como vereador-secretário da nossa municipalidade, foi eleito vice-presidente da Câmara para o triênio de 1916-1918, cargo que declinou por ter dedicado a sua atividade a visa comercial.

Nesse espinhoso ramo da atividade humana, revelou-se com muita competência e honradez, deixando um legado de valor incomensurável para sua descendência de numerosa prole, que certamente orgulhar-se-ão da memória fidalga, cordata e patriótica de Antônio de Oliveira Maia, um homem de conhecimentos extraordinários para os padrões da época, nas palavras do Dr. Felipe Caramóri encontramos fundamentação para as nossas afirmações aqui exaradas: “o Cel. Maia, como o chamavam, foi homem integro, político, vereador por Sacramento em 1903 e, em Conquista. Ajudou a criar e evoluir a cidade, na instalação da Comarca ao lado do Cel. Tancredo França e de Eurybiades França seus correligionários. Foi Coronel da Guarda Nacional, cuja patente foi assinada pelo Marechal Hermes da Fonseca e, ainda se encontra guardada com a família”

Homenagem: o povo conquistense através de seus representantes denominou a minúscula, porém, importante rua no centro da cidade como logradouro que ostenta seu inesquecível nome, a rua Cel. Maia.

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Comendador Felipe Caramóri




Tenho afirmando neste modesto noticioso que o exercício da imprensa no interior do Brasil nos propicia momentos de rara satisfação e passagens inusitadas que certamente, só aqui, onde realmente pulsa e bate com fervor o coração da Pátria poderia acontecer. São situações em que estamos sujeitos a presenciá-las a qualquer momento, sem nenhum aviso prévio.

Foi através da literatura, que tive a felicidade de aproximar-me do Dr. Felipe Caramori, por ocasião da editoração e publicação do seu primeiro livro, o belo opúsculo “Relicário de Vida”. Confesso; a parir de então, embalado pelo relato cheio de humanismo de suas Crônicas, passei a admirá-lo cada vez mais. Tanto que, quando surgiu a idéia da publicação do jornal “O Conquistense”, convidei-o para enriquecer as suas páginas como colunista

Dr. Felipe dispensa apresentações. Pai de família honrado, de fino trato, homem de conduta ilibada. Um patriota extremado, fala de Conquista com emoção e orgulho. É certo que o poeta tem a responsabilidade de transmitir ao mundo o sentimento de todos os homens, Dr. Felipe é assim.

Sua vida foi alicerçada no trabalho. Entrou para o cartório em 02 de outubro de 1954, onde foi nomeado pelo Meritíssimo Juiz Lindolfo Bernardes dos Santos, a princípio por 6 meses, porém, ali ficou por 45 anos, tendo exercido inicialmente o cargo de Escrivão pelo 2° Oficio. Posteriormente, foi removido por portaria para o 1º Oficio até aposentar-se por idade, afastando-se do cargo-compulsório.

Na vida forense, foi Escrivão através de Portaria do Meritíssimo Juiz para o cargo acumulado junto ao Cartório do Crime e Execuções Fiscais; Foi Escrivão Eleitoral do município por várias designações do Cartório Eleitoral Mineiro; Foi promotor em processos criminais por nomeação “Ad-hoc”, inclusive, defensor criminal; Foi contador e partidor da Comarca por ato Judicial.

Nosso homenageado também teve sua passagem pelo exercício do Magistério; Lecionou por 15 anos no Ginásio, hoje, Escola Estadual Dr. Lindolfo Bernardes e foi um dos seus fundadores em 1956, ali, lecionou Francês, Educação Moral e Cívica – Direito Usual e Legislação Aplicada, Geografia Geral, Desenho e Geografia do Brasil. Dr. Felipe também lecionou no antigo Admissão ao Ginásio e Escola de Comércio da Cidade. Além disso, presidiu a Campanha Nacional de Educandários Gratuitos do Município.

Auferiu honrosa e merecidamente a sua aposentadoria em 19 de novembro de 1992, conforme consta nos anais do nosso Fórum e do Egrégio Tribunal de Justiça Mineiro.

Em reconhecimento aos préstimos e relevantes serviços prestados como serventuário da Justiça, em 08 de dezembro de 2008, Dr. Felipe recebeu solenemente no Fórum local, emanada do Meritíssimo Juiz Dr. Cícero Francisco de Paula a “Medalha Desembargador Hélio Costa” e respectivo diploma, como reconhecimento e gratidão dos seus superiores, colegas, admiradores e amigos.

Alea jacta est!


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Chiquinho Zago


CHIQUINHO ZAGO
30 ANOS DA FESTA DE SÃO VICENTE DE PAULO
Francisco Zago Filho:
UMA VIDA DE DEVOÇÃO, TRABALHO E FÉ

Ao ensejo das comemorações da 30ª Festa de São Vicente de Paulo, o Jornal O Conquistense rende singela homenagem a Francisco Zago Filho, Chiquinho Zago como é carinhosamente tratado por todos.

Filho de Francisco Zago Sacon e D. Ida Zanetti Zago, Francisco Zago Filho, nasceu na cidade de Conquista, Minas Gerais, no dia 4 de maio de 1930. Casou com D. Azélia Bisinoto Zago de saudosa memória, com quem constituiu numerosa prole. Frequentou o Colégio Imaculada Conceição, onde fez o curso primário. Cursou o ginasial em escola particular e o científico, novamente no Colégio Imaculada Conceição. Começou a lida aos 10 anos de idade, junto a seu pai, sempre na agropecuária, chegando a ser proprietário da Fazenda Cafundó, feito que preserva até os dias de hoje.

Brioso, temerato e probo, Chiquinho, ao longo de sua vida, sempre fez parte de associações filantrópicas, religiosas, desportistas e de convivência comunitária, dentre elas, a Santa Casa de Misericórdia e CEREA. Foi desportista, líder comunitário, sendo até hoje, membro da Congregação Mariana. Nos Idos de 1947, com apenas 17 anos, ingressou na Sociedade São Vicente da Paulo, daí para cá, sua vida tem sido exemplo de abnegação e desprendimento em prol dessa Magnânima Instituição de caráter filantrópico, que dispensa especial atenção ao idoso, o Asilo São Vicente de Paulo.

Hoje, Conquista não considera Chiquinho Zago apenas fundador ou precursor da Sociedade Vicentina. Ele representa muito mais, tornou-se um ícone, testemunho vivo e exemplo de fraternidade, solidariedade, dedicação e abnegado trabalho em prol dos velinhos que não contam com um local digno para morar. São mais de 60 anos de dedicação à causa do idoso. Uma Lenda.

Pai de família honrado, de caráter ilibado. Como homem público, chegou a ao ápice da política conquistense, ou seja: alcançou o posto de Prefeito Municipal. Administrou Conquista de 1976 a 1982. Exerceu seu mandato com decência, lisura, honradez, capacidade e espírito público. Inclusive, é tido por muitos como o melhor prefeito que Conquista já teve. Seus feitos permanecem até hoje na lembrança do povo conquistense. Citá-os poderíamos incorrer em algum esquecimento imperdoável.

A sociedade Vicentina de Conquista está permeada de heroísmo e desprendimento. Muitos elencam o rol desse seleto grupo de homens de bem, almas caridosas e devotadas, que sempre se dispuseram ao trabalho cotidiano em benefício dos nossos velinhos. Além disso, muitos contribuíam para o seu bom e duradouro funcionamento. Fundadores, precursores, associados, diretores, funcionários, colaboradores, simpatizantes e festeiros que ao longo desses 30 anos de realização da Festa de São Vicente, contribuíram denodamente com largos haveres para o sucesso da mesma.

Existem também autoridades, que se valendo das suas inteligências e influências, angariaram os mais variados recursos para construção e manutenção do Asilo São Vicente de Paulo. A estes, espero que a história na sua infinita sapiência cumpra com seu legado, perpetuando nos seus anais e na memória do povo, seus feitos. Na pessoa de Francisco Zago Filho, “Seu Chiquinho”, rendo a todos envolvidos nessa saga, essa singela homenagem através desse arremedo de artigo mal alinhavado e despretensioso.


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sábado, 4 de abril de 2009

João Martins Borges



Você conhece o Patrono da sua Rua?
Rua João Martins Borges

João Martins Borges, filho do fazendeiro uberabense tenente-coronel Joaquim Martins Borges, nasceu em 1º de julho de 1890, na fazenda "Canoas", Araxá (MG). Aos 24 anos, dotado de grande energia e espírito aventureiro, foi à Índia comprar zebu. Com dificuldades para transportar o gado, geradas pela Primeira Grande Guerra, foi obrigado a deixar o gado na Índia. Somente em 1916, conseguiu sucesso na importação.
Em 1917, voltou à Índia com o irmão Virmondes e o primo Otaviano Borges Jr. Foi sua última viagem. Ainda em meio à guerra, os três foram obrigados a fazer conexões, ora pelo mar, ora por ferrovias, em busca dos melhores locais para o comércio de zebu. Na terceira viagem, João Martins Borges chegou a passar por muitas dificuldades financeiras.
Em 1918, ao preparar a volta ao Brasil, seguiu para Calcutá, onde morreu em um hotel, em consequência de intoxicação causada pela injeção 914 que lhe aplicaram em conseqüência de uma infecção.
João Martins Borges foi enterrado em Calcutá. Em 1975, a ABCZ trouxe para Uberaba os restos mortais do "pioneiro", em urna que está exposta no Museu do Zebu.
A importação iniciada por ele, na terceira viagem, foi uma das maiores da época e contribuiu para incentivar outros brasileiros interessados em buscar o zebu em sua terra de origem.
João Martins Borges é considerado por zebuinocultures brasileiros "um verdadeiro herói", que morreu na missão de expandir a pecuária zebuína nacional. Um dos pioneiros na importação do zebu da Índia para o Brasil, o mesmo enfrentou muitas dificuldades para trazer o gado da Ásia.
Em Conquista, João Martins Borges foi secretário do Partido Republicano Mineiro. Participou ativamente dos movimentos administrativos e de consolidação do município recém-criado. O Povo de Conquista em reconhecimento ao seu devotamente e empreendedorismo denominou um logradouro público que, ainda hoje, ostenta seu nome; a minúscula Rua João Martin Borges situada no centro da cidade.

Fonte: Museu do Zebu / Pesquisadora Ida Aranha Borges

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

terça-feira, 31 de março de 2009

Conquista, Minas Gerais


A cidade de Conquista, localizada no Triângulo Mineiro, nasceu com as expedições que no início do Século XIX vieram explorar a região. As terras que formam o município foram doadas ao português Manoel Bernardes Nazianzeno da Silveira. Elas passaram por vários donos e, em 1888, o Coronel Francisco Meireles do Carmo aqui se instalou, criando um armazém para fornecer mercadorias aos trabalhadores que construíam a estrada de ferro Mogiana.

Em 1894, o Dr. Crispiniano Tavares, baiano filho de Ilhéus, fez a planta do povoado, traçando e demarcando as ruas. Conquista tornou-se distrito de Sacramento em 1892, desmembrando-se do mesmo em 1911, consoante a divisão administrativa do Brasil.

Origem do nome da cidade de Conquista

Existem três versões sobre a origem da denominação do nome da cidade de Conquista:
A primeira oriunda do fato de lhe ter sido dado o nome por Domingos Vilela de Andrade, coronel, fazendeiro, latifundiário, nascido em Monte Alegre, (MG). Procedente de Ribeirão Preto, SP, onde era grande produtor de café, Vilela adquiriu uma gleba de terras na margem direita do Rio Grande, onde construiu a sede da fazenda denominada, segundo alguns, de Fazenda Conquista.

A segunda, pelo seu sucesso ao conquistar a sua independência de Sacramento; a meu ver a mais remota das três, pois o desmembramento de Sacramento se deu em 1911; o Distrito de Conquista, porém, já existia e foi criado, como pertencente ao termo de Sacramento, pela Lei Municipal nº. 07 de 23 de novembro de 1892, ratificada pela Lei nº. 88 de 10 de setembro de 1901. Portanto, o Distrito com o nome Conquista já existia dezenove anos antes que o mesmo fosse transformado em Município.

A terceira, a meu juízo, é a mais lógica; segundo consta, o nome Conquista foi dado em homenagem ao sertanista e engenheiro Dr. Crispiniano Tavares, um baiano filho de Vitória da Conquista, que meticulosamente fez o traçado e projeto urbanístico da cidade com avenidas largas e retilíneas. Tal empreendimento se deu em razão do mesmo ter sido contratado pelos coronéis Domingos Vilela de Andrade e Antônio Alves da Silva, então, grandes proprietários de terras, sendo que, ao término dos trabalhos, doutor Crispiniano auferiu, além dos seus honorários, o direito de registrar na legenda do projeto urbanístico a denominação de Cidade como Conquista. Isto se deu logicamente em hoemenagem a cidade de Vitória da Conquista – BA, pois que, nessa época, existia no município recém criado uma leva muito grande de baianos oriundos dessa cidade os quais, fugindo da seca, vieram trabalhar nas lavouras de arroz e café, bem como na construção da estrada de ferro Mogiana. Supostamente, o grande fluxo de hóspedes flutuantes que vieram da Bahia facilitou a escolha, aceitação e principalmente a difusão do nome Conquista.

O Coronel Domingos Vilela de Andrade é considerado o fundador de Conquista, embora haja um seleto grupo que discorda desse atributo, pois atribuem tal feito ao grande benemérito da cidade o Cel. Antônio Alves da Silva. O seu primeiro Prefeito (Agente Executivo) de Conquista foi o Coronel Tancredo França. Durante algum tempo, o município viveu crescimento econômico acelerado. Dois fatores foram marcantes para isso: a construção da estrada de ferro Mogiana e a chegada de italianos, libaneses, árabes, portugueses, japoneses, e os baianos oriundos das cidades de Vitória da Conquista e Bom Jesus da Lapa. Esses imigrantes marcaram presença na história do município, seja pelos belos casarões da época seja pelos nomes e sobrenomes das tradicionais famílias de Conquista.

Aqui, se déssemos a palavra ao Dr. Filipe Caramori, assistiríamos à dramática encenação da chegada deste povo tenaz e laborioso. Isso seria bom, pois talvez ninguém mais duvidasse de que foram eles que trouxeram na sua bagagem os conhecimentos, a cultura, culinária e costumes do velho continente.

A cidade preserva também tradições e costumes da cultura da Bahia, principalmente quanto à religiosidade. Isso aconteceu com a vinda de trabalhadores daquele Estado que trouxeram para Conquista o culto ao Senhor Bom Jesus da Lapa, a réplica de cuja imagem foi trazida em 1903 pelo senhor Francisco Félix Tavares e colocada na antiga igrejinha, em 1927 a imagem foi trasladada para a nova Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, onde é festejada todos os anos, no dia 06 de agosto; sendo que em 2003 esta tradicional festa e celebração religiosa completou 100 anos.

A padroeira da cidade é Nossa Senhora de Lourdes; seus festejos são comemorados com júbilos e deleite de fé cristã em 11 de fevereiro de cada ano.
Em 1911, o antigo distrito é elevado a Vila da Conquista com a criação do município, desmembrado de Sacramento. Tal fato representa um marco na evolução da cidade, que experimenta na segunda década do século passado o seu apogeu mantinha consulados estrangeiros, correspondentes de bancos estrangeiros, concessionárias Ford e GM e um intenso movimento comercial, chegando a exportar, entre outros produtos, gado, muito café e principalmente arroz, e chegando a ostentar o título de maior produtor de arroz do Estado de Minas Gerais.

Na cidade são introduzidos diversos melhoramentos urbanos. No final da década de 20 são construídos novos edifícios públicos e religiosos, merecendo destaque entre eles o paço Municipal, a Cadeia Pública, o Grupo Escolar, a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes e o Fórum.
As residências espelham o progresso que o município experimenta. Suas composições são, ora derivadas do antigo padrão colonial, ora derivadas dos modelos neoclássicos, ou ainda afeitas ao gosto francês pelo ecletismo.

Geralmente são casas de um pavimento, raramente se desdobrando em sobrados, mas adotando muitas vezes o porão alteado típico da segunda metade do século XIX.
Quanto aos edifícios públicos e comerciais, a linguagem arquitetônica empregada não foge às regras adotadas em todo o país no período. Para igrejas, os modelos neogóticos ou neo-românicos; para prédios públicos, a severidade do neoclássico, com robustas colunas da ordem colossal, a exemplo do edifício do Fórum.

Nos estabelecimentos fabris e comerciais são adotados os recursos das platibandas movimentadas, cornijas e elementos decorativos em massa e ferro.
Hoje, muitos lustros são passados. A hospitalidade ainda é marca registrada do povo conquistense; a cidade ainda preserva qualidade de vida invejável; quem aqui aporta jamais quer sair; as suas ruas e avenidas largas e retilíneas tornam a cidade um ambiente agradável, salubre e bom para se viver.

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.