sexta-feira, 14 de junho de 2013

Memória Conquistense: Usina Cajuru e Conquista, 47 anos de benfazejo labor


















O escritor empírico realiza suas pesquisas baseando-se nas suas experiências e no relato das pessoas, não havendo, portanto, um estudo profundo, científico; daí às vezes, não consiga alcançar o apogeu da sua essência. Como sou daqueles que ainda acredita no homem, concordo que: “o maior espetáculo para o homem, ainda é o próprio homem”, por isso, acredito e boto fé nas pessoas.

Foto de Alessandro Abdalla
Situada no Ribeirão Borá e distante quatro quilômetros da cidade de Sacramento, (para uns e cinco quilômetros para outros), a Usina Cajuru, foi inaugurada em 1913. Durante mais de meio século forneceu energia elétrica para Sacramento e Conquista. Foi também de 1913 a 1938, geradora de energia para a sustentação do bonde elétrico que ligava a cidade de Sacramento à estação férrea do Cipó, aproximadamente 15 quilômetros da cidade de Sacramento. Foi construída por engenheiros/empreiteiros alemães da firma Bomberg & Cia. Cujo material para o seu funcionamento foi importado da Alemanha. A Usina Cajuru forneceu energia para Sacramento até 1964 e até 1970, forneceu energia para a Vila Simpson. Quanto a Conquista, a desativação do fornecimento ocorreu no recuado ano de 1960, pois a cidade conseguiu fornecimento de energia elétrica da CEMIG, como veremos adiante.

Diante do exposto, traçarei aqui um breve relato entre a Usina Hidrelétrica Cajuru e a Cidade de Conquista, cujo resultado foi fruto de entrevistas que realizei com quatro moradores de Conquista, os quais são testemunhas autênticas e vivas deste acontecimento.

Inicialmente, gostaria de afirmar a veracidade e coincidências das narrativas a mim reveladas pelos entrevistados em convescote descontraído e cordial.

Segundo relato da crônica local, a Usina Cajuru foi fruto de uma iniciativa pioneira do povo sacramentano. Entrou em atividade a partir de 1913, na ocasião, foi estabelecida uma parceria no sistema de cotas entre os dois municípios irmãos e limítrofes: Sacramento, e a então recém emancipada Conquista, sendo que a Sacramento pertencia 60% das cotas e a Conquista, logicamente o restante, ou seja, 40%.

O vigor dos 220 volts era fato de admiração de todos. Tudo isso sob os cuidados técnicos do profissional “Beviláqua”. A potência era tanta, que em Conquista houve até um fatídico caso, em que faleceu eletrocutado, o Sr. Sebastião Canassa, filho do Sr. Orestes Canassa.

Tudo corria muito bem nas primeiras décadas, mesmo com a concorrência de fornecimento de parte da energia para locomoção dos “Bondes de Sacramento”. Os anos se passaram, o Brasil começava a se industrializar, em nossa região não foi diferente: fábricas de sabão, de guaraná, máquinas de beneficiar arroz e café, bares, padarias careciam e demandavam maior consumo da eletricidade. Foi daí que surgiu a expressão “luz tomate” tão conhecida e perpetuada no fadário conquistense. Ocorria que nos horários de “pique”, a voltagem caía substancialmente, ocasionando além do fenômeno já conhecido “luz tomate”, a impossibilidade da utilização e ligação dos motores mais potentes.

Conquista, Minas Gerais
A carência de uma energia elétrica mais potente despertou no povo conquistense, o sentimento de conquistarem independência no abastecimento de energia da cidade, que resolvesse os problemas que vinham acontecendo há anos. Aconteceu que o povo se aglutinou, fizeram várias reuniões e decidiram interceder juntos aos políticos da época, que tinham afinidades com a cidade. Foi então, que surgiram dois personagens importantes para que Conquista lograsse êxito no seu intento: o deputado estadual Renato Azeredo, que juntamente com Alfredo Campos tinham ligações afetivas com o município. Outro personagem que muito influenciou nas decisões políticas favoráveis a Conquista foi o deputado federal Maurício de Andrade, primo em primeiro grau do influente fazendeiro conquistense Dr. Vanderlei Andrade. Estes atendendo chamamento e apelo do então refeito prefeito José Julião Tângari (1955 a 1958), arregimentaram seus préstimos junto ao governo estadual e principalmente, junto a CEMIG – Companhia Energéticas de Minas.

Cumpridas todas as prerrogativas, percorridos todos os caminhos, a CEMIG exigiu que os conquistenses adquirissem ações que formasse um montante considerável de capital, o qual serviria de contra partida e ajudaria nas despesas de implantação do empreendimento. E assim aconteceu, mais uma vez, o povo conquistense deu ares de desprendimento, sentimento patriótico e nativista, adquirindo ações Preferenciais e Nominativas da Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG.  Um registro: hoje as referidas ações se encontram desvalorizadas, em consequência de correções inadequadas, bem como, fruto dos sucessivos planos econômicos mirabolantes que permearam as últimas décadas. 
Certo é que no ano de 1960, na gestão do prefeito guaximense Lourenço Zaia, (1958 a 1960), a CEMIG inaugurava a nova rede de energia elétrica em Conquista, quando governava Minas Gerais, o Dr. José Francisco Bias Fortes.
Curiosamente, até hoje Conquista mantém certa dependência de Sacramento no campo da energia elétrica. É que, por não possuir Estação própria de energia, depende exclusivamente da Estação que abastece Sacramento, cuja energia chega até Conquista através de linha de transmissão. Em consequência das intempéries, constantemente desarma, causando apagões e demora do reabastecimento, pois não há um ponto de pronto atendimento da operadora CEMIG na cidade. Curiosamente o município de Conquista desde 1998, tornou-se exportador de energia elétrica através dos 210 megawatts (MW) gerados pela Usina Hidrelétrica de Igarapava, geradora que ocupa e abrange 28 quilômetros de margem lacustre do território conquistense.
Finalizando, essas são considerações que modestamente apresento por ocasião da mesa redonda presidida pela prefeita de Conquista, professora Véra Lúcia Guardieiro, sobre os 100 anos dos “Bondes de Sacramento” no V Festival de Inverno do Parque Náutico de Jaguara, em 08.06.2013.

Firmino Libório Leal, jornalista e escritor, Editor do Jornal O Conquistense.

Entrevistados:

Alberto Bragato, 93 anos comerciante aposentado, que por várias décadas manteve estabelecimento comercial, “Bar” defronte a Estação da Mogiana, em Conquista;

João Vasco Fuquizatto, 79 anos, contabilista e produtor rural aposentado;

João Sampaio Anacleto, 76 anos, odontólogo e professor de história, aposentado;

Felipe Caramóri, 84 anos, advogado, professor e serventuário da Justiça aposentado.

Bibliografia:
Usina Hidrelétrica de Igarapava
Prefeitura Municipal de Conquista
Câmara Municipal de Conquista
Prefeitura Municipal de Sacramento
Livro: os Bondes de Sacramento
 

Gente de nossa terra: Genoveva Filiacci Guardieiro, exemplo de trabalho, constância e determinação




Genoveva Filiacci Guardieiro

O Conquistense abre o espaço “Gente de nossa Terra” para homenagear uma filha querida e ilustre de nossa mui querida Conquista: Genoveva Filiacci Guardieiro.

Genoveva nasceu em 17 de junho de 1920 em Conquista. Teve uma infância feliz na propriedade de seus pais, que situava nas proximidades da cidade, o sitio “Coqueiro”. Filha de Luiza Bizinoto Filiacci e Fernando Filiacci, ela faz parte da numerosa prole de 11 filhos, sendo 8 mulheres e 3 homens.

No sitio Coqueiro, os trabalhos se resumiam nos pequenos serviços do lar e na roça, mas o que marcou a sua infância, ficando para sempre perpetuado em sua memória, foi sem dúvida, as hortaliças tenras e frescas que a família produzia e vendia na cidade.

Ainda moça, contraiu núpcias com então alfaiate, Ítalo Guardieiro, “Seu Niva”. Com ele, aprendeu o santo ofício de costurar, e então, foi para a máquina de costura, ajudar no sustento da família, especialmente criar e educar as filhas: Beatriz e Véra. Em pouco tempo, tornou-se conhecida e famosa, devido habilidade, traquejo e fino acabamento das peças que lhe eram confiadas para costurar. Rapidamente, as maiores e melhores alfaiatarias da época lhe confiaram seus serviços, dentre muitas, destacamos: Alfaiataria de Moacir Rotelli, Gelindo Monte, João Bragato, João Vidal de Morais, dentre outros.

Devota de Santo Antônio, Dona Genoveva, mineiramente leva sua vida com simplicidade, outro dia, nos deparamos com ela em rua residência, defronte à sua maquina de costura e prestes a completar 93 anos de idade, (17/06), ela terminava mais uma encomenda para “A Caprichosa”, empresa do ramo de alfaiataria e confecções criada pelo saudoso João Vidal e Morais, e agora sob o comando de Dona Zilda Vidal de Morais. 

Há mais de meio século, Dona Genoveva com suas mãos de fada, deixa vestígios de capricho, delicadeza, requinte, perfeito arremate e fino acabamento, especialmente nas calças dos conquistenses que primam em vestir com elegância e bom gosto.

Acredito que o exemplo fala mais do que as palavras, acho que com Dona Genoveva tem sido assim, daí a razão de podermos afirmar com convicção: Dona Genoveva é exemplo de trabalho, constância e determinação. 

Que Deus a abençoe a gora e sempre!!!
Conquista, MG, 17/06/2013


sábado, 2 de março de 2013

Singela homenagem ao Dr. Rui da Matta Costa



Singela homenagem ao Dr. Rui da Matta Costa



Neste momento, tenho a difícil missão de dissertar sobre o admirável amigo Dr. Rui da Matta Costa, a quem sou muito grato. Fui seu secretário quando da sua gestão como Prefeito Municipal de Conquista de 1997 a 2000. Homem de rara inteligência, transmitia a todos um manancial de informações, conhecimentos, experiência de vida. Confesso: conviver com ele foi um grande aprendizado, muito do que sou hoje, devo a ele.

Dr. Rui faleceu no dia 25 de janeiro passado, com isso, Conquista perdeu o filho ilustre que exaltou sua história, transformou e enriqueceu radicalmente os meios políticos, jurídicos e a administrativos do Triângulo Mineiro. Dr. Rui encantou o estado com seus discursos patrióticos, líricos. Em detrimento do amor que nutria pelo pago amado, seus pronunciamentos foram verdadeiras pérolas literárias, carregadas de sentimento nativista e amor a terra berço.

Oriundo de família humilde mais extremamente honrada, honesta e trabalhadora, aquele garoto campesino teve dificuldades de estudar. Assim mesmo, mourejando no labor permanente da vida nos mais variados afazeres, “crescia em sabedoria e em graça diante de Deus e dos homens,” para transformar-se no porvir, em uma das mais ilustres e expressivas personalidades do nosso município.

O conquistense Dr. Rui da Matta Costa carrega a particularidade de ter exercido em sua terra natal, os três poderes que constitui a estrutura administrativa e judiciária nos moldes da Carta Magna e até mesmo, diante do pacto federativo, ou seja: Dr. Rui exerceu o Poder Legislativo como vereador, o Poder Executivo como prefeito, e o Poder Judiciário como Juiz de Direito da Comarca de Conquista. Além disso, também esteve frente ao Ministério Público local como Promotor de Justiça, além de ter exercido os mais variados cargos postos e funções, dentre muitos: aprendiz de farmácia, engraxate, auxiliar contábil, bancário e advogado. Com gestor público, seu governo perpetuou-se na história ao construir um conjunto habitacional e doar gratuitamente aos menos favorecidos. Preocupado com a dignidade dos pobres, construiu instalações sanitárias nas moradias desprovidas de sentina. Mas foi a vida forense que lhe valeu muito como prefeito. De lá, ele trouxe experiências, criou departamentos, secretarias, CPD e contribuiu denodamente para tornar a Delegacia de Policia Civil ON Line. Um gestor austero, probo, desempenhou seu mandato com espírito público e zeloso com o cabedal do município.

Homenagem

Em 2011, Dr. Rui foi agraciado com a “Medalha do Centenário de Conquista” por ocasião das comemorações do Centenário da cidade, honraria emanada do Poder Executivo Municipal. Anos antes, havia recebido a Comenda Desembargador Hélio Costa, honraria esta, oriunda da Comarca de Conquista e ratificada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Da mesma forma foi homenageado pela Câmara Municipal de Conquista com a Comenda Arsênio Rodrigues de Souza.

Para registro nos anais da história conquistense, deixamos aqui exarada essa singela homenagem a ilustre personalidade do Dr. Rui da Matta Costa.

Adeus menino descalço da Rua Grande! Adeus vereador, advogado, promotor, juiz, prefeito e principalmente filho ilustre, não só de Conquista, mais do estado de Minas Gerais. Adeus bom amigo Dr. Rui da Mata Costa.

“Há um menino, há um moleque, morando no meu coração. Toda vez que o homem balança ele vem para me dar a mão”. Milton Nascimento (bola de meia, bola de gude).

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Italiano Cláudio Zanet visitou Conquista





Italiano Cláudio Zanet visita Conquista

A cidade de Conquista literalmente parou entre os dias, 06 a 17 de abril para receber o italiano Cláudio Zanet. Foram 11 dias de muita movimentação, alegria e júbilo. 

Benvenuti a Conquista Cláudio Zanet

O Sr. Cláudio Zanet veio ao Brasil pela primeira vez, especialmente a Conquista, para conhecer os parentes da família Zago que migraram para o Brasil por volta de 1888. Aqui se instalaram, prosperam e criaram numerosa prole, sendo o patriarca e ex-prefeito de Conquista Francisco Zago Filho, irmãos e irmãs, seus primos em segundo grau.
Cláudio Zanet é aposentado, conta com 65 anos de idade, trabalhou muitos anos numa Usina Nuclear e em outras atividades similares, é da cidade de Sermoneta, província Latina, região do Lazio, Itália.


Cordato, eloquente e carismático, Cláudio esbanjou simpatia ao falar da Itália, sua história, tradições, culinária.  Sua descendência, a geografia e a beleza que dispõe sua querida cidade de Sermoneta.  Da mesma forma, disse que ficou encantado com Conquista, suas praças e jardins. Com exuberância do verde, com o casario e principalmente, com a hospitalidade do povo conquistense. 

Cláudio foi recebido pela Prefeita Véra Lúcia Guardieiro como Estadista

Dia (10/04), a prefeita Véra Lúcia Guardieiro recebeu em seu gabinete, o senhor Cláudio Zanet, que achava-se acompanhado dos parentes: Francisco Zago Filho, Francisquinho Zago, da senhorita Luiza Gerolim  e do professor Dimas da Cruz Oliveira, que além de cicerone, serviu de intérprete em todos os acontecimentos e encontros em que o visitante esteve envolvido.

Com a presença de vários secretários municipais e do pároco José Edilson, a prefeita Véra Lúcia Guardieiro recebeu o Sr. Cláudio de forma solene e institucional, dispensando especial atenção ao ilustre visitante. Na oportunidade, Véra agradeceu a visita e desejou a ele, uma feliz estadia entre nós. Emocionando, Cláudio agradeceu a acolhida, colocando-se à disposição do povo conquistense especialmente de seus parentes. Na ocasião Cláudio afirmou que permaneceria em Conquista até o dia 18 de abril, quando então retornaria a Itália, como de fato aconteceu.

Daí em diante, foi um verdadeiro corre-corre. Cláudio esteve sempre com agenda lotada, todos queriam conhecê-lo e desfrutar de sua simpatia. Um almoço aqui, outro ali. Um pouso aqui, outro acolá, a salutar convivência com os primos queridos da família Zago. O intercâmbio com outras famílias oriundas da Itália, quando se deparava com alguém de uma delas, era sempre motivo de muita alegria, enfim, visita aos principais pontos turísticos de Conquista e região: Museu, Biblioteca, Câmara Municipal, Estádio Municipal, praças e jardins, Zona Rural, Rádio Dinâmica FM, cidade de Uberaba, distrito de Guaxima e por fim, os finais de tarde e inicio de noite, sempre no convívio familiar e fraterno dos primos e primas, e a presença nas missas da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes.


 Arrivederci Cláudio

Em homeagem ao  Cláudio...

...O Coral Vozes de Conquista realizou um recital com reportório de músicas italianas.


Dois fatos marcantes aconteceram no limiar da despedida de Cláudio: o primeiro foi quando em sua homenagem, seus parentes e amigos se reuniram e o receberam no recinto da Palazzo Festas para num belíssimo recital com repertório de músicas italianas do Coral Vozes de Conquista. Foram momentos de muita emoção vividos por Cláudio. Ali se fizeram presente várias famílias de origem Italiana: Amatângelo, Boense, Bizinotto, Caramóri, Crozara, Fochezatto, Guardieiro, Gerolim, Monte, Mattiolli, Naghetini, Roncolato, Zago, Valente, além de outras famílias como: Damião, Sakr, Ferreira, Leal, Cruz Oliveira, Gonçalves e Santos. Um outro fato marcante foi a despedida de Cláudio junto a Administração Municipal. Na oportunidade a prefeita Véra Lúcia Guardieiro lhe disse que Conquista se sente lisonjeada com a ilustre visita. Que o Sr. Cláudio Zanet leve aos seus conterrâneos, a nossa singela mensagem: em Minas Gerais, no coração do Brasil, existe uma pequena cidade que é conhecida  e tratada como "Um cantinho da Itália em Minas".


E-mail com mensagem enviada por Cláudio a Sindaco (Prefeita) da cidade de Sermoneta-Itália:

Ti invio questi saluti da una citta´ dove tanti italiani ricordano la loro Patria con affetto, sono stato accolto con inimagginabile calore e con questa visita ho portato una curiosita`in questi cittadini di osservare le immagini del nostro paese e la tua foto su google< ti rinnovo i saluti anche da parte della sindachessa locale e dei suoni cittadini ciao a presto in Itália.

Te envio saudações desta cidade onde tantos italianos recordam sua terra natal com afeto.Fui recebido com imaginável carinho, e com esta visita eu trouxe uma curiosidade nestes cidadãos de observarem imagens de nosso Pais e suas fotos no Google.Te renovo as saudações também da parte da Prefeita local e de seus cidadãos.

Até breve em Itália!

Claudio Zanet


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Saudação aos 100 anos de Conquista.


Salve Conquista! 100 vezes Salve!!!

Neste momento importante da história, tenho dedicado todo meu amor, todo meu carinho e devoção a Conquista. Recentemente, me debrucei na história e escrevi, dirigi e sobre o Centenário de produzi o Documentário Conquista que veio a lume, dia 23/08, cujo local de exibição da sua primeira edição foi o plenário da Câmara Municipal de Conquista. Da mesma forma, empreguei todo meu modesto conhecimento e pálida técnica, para produção das fotografias que ornamentam o Selo do Centenário; lançado simultaneamente, tanto pela Prefeitura Municipal de Conquista, como pela Câmara Municipal, ou seja, as fotos do Cristo Redentor; a Cachoeira de Santa Maria; a Biblioteca Municipal Monsenhor José de Mello Resende; a Pousada Novo Alvorecer e por último a fotografia do majestoso prédio, outrora Estação Ferroviária de Conquista, hoje, plenário da Câmara Municipal.

Além disso, pretendo brevemente lançar o livro “Estação Conquista”. Modesto opúsculo totalmente dedicado a Conquista.

Nas páginas de O Conquistense, criamos a logomarca dos “100 Anos”, valorizamos os produtos da terra, como Vinho Giácomo, Goodsoy, Cachaça P.O. dentre outros que virão à tona. Também, estamos valorizando os filhos da terra, ou pessoas que lhe são gradas, presentes ou ausentes, divulgando seus valores, legado histórico, cultural e geográfico. Com isso, achamos que contribuímos com considerável parcela para o Centenário de Conquista.


Historicamente, Conquista é sinônimo de chegar, lutar, desbravar e vencer!


Este é nosso lema desde 1911, e até mesmo antes, os sonhos dos que te amam foram convergidos em lutas e realizações. Hoje, reunidos e jubilosos, vivenciamos o encerramento do ciclo secular e início de outro.

Neste momento de transição, devemos render e agradecer a Deus, e como seus filhos festejar, pois fizemos deste chão, um solo fecundo. De nossa história herdamos o símbolo de galhardia. Das lutas, herdamos a descoberta da força. Das realizações, herdamos a certeza das potencialidades. Do futuro, a crença e esperança de dias melhores. Da convivência, a visão do sinal claro do amor.

Conquista; Que por toda a tua existência, continue firme em seus propósitos expostos nas cores de nossa flâmula auriverde: No verde, esperança e respeito à natureza. No amarelo, valorização do potencial de seu maior patrimônio: seus filhos e seu solo fértil e vicejante.

É ocasião de comemorarmos. A alegria e a emoção que me arrebata nesta hora, tornam-me impotente ao escolher as palavras finais. No entanto, quero evocar uma poesia neste momento, pois o poeta tem a responsabilidade de transmitir ao mundo o sentimento de todos os homens.

Em Conquista terra natal de muitos vultos ilustres há um céu sobre a terra, "um céu sob outro céu, tão límpido e tão brando / que eterno sonho azul parece-me estar sonhando”. Eu vos afirmo: “o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”, como todos vocês que têm caminhado comigo nessa Conquista.

A história de Conquista tem duas páginas laureadas que jamais seus filhos esquecerão: A primeira, a luta encetada por Tancredo França, Antônio Alves da Silva e Antônio de Oliveira Maia, que daqui, rumaram para Campinas e posteriormente, Rio de Janeiro para conquistarem a criação do Município de Conquista consoante à divisão territorial e administrativa do Brasil que estava prestes a acontecer. A esses paladinos, devemos a nossa independência e criação.
 
A segunda, a maneira diferenciada com que atual gestora toca a Administração Municipal, rompendo com velhos costumes e mazelas, trazendo da iniciativa privada para vida pública, larga bagagem administrativa, com isso, Conquista voltou ao patamar da honra, do trabalho, do patriotismo e da fé. Daí à minha convicção: Conquista terá duas épocas administrativas: uma antes e, outra depois da gestão Véra Lúcia Guardieiro.

Parabéns Conquista, pelo seu primeiro Centenário!
Viva Conquista! “Um passado de glória. Um futuro de Esperança!”


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

A Fanfarra Voltou



O arrebol conquistense é diferenciado de qualquer outro lugar que conheço. O gorjeio matutino da passarada saudando o dia que chega, transforma o trajeto entre a nossa modesta moradia, e o local onde desenvolvemos o labor na azáfama diária de auferirmos o nosso justo ganho, num ambiente salubre e agradabilíssimo. Além disso, nos convida a reflexão e nos remete a paz.

Sempre recebi atenção e predileção especial da criançada, e foi exatamente uma delas, que de forma contundente me interpelou, quando pasmo, observava as Maritacas em algazarra nas copas das árvores do Jardim Paroquial. Quando me viu, gritou: Sô Leal! Como o sinhô pediu no Rádio, a fanfarra voltou! Que bom, respondi!

Mais surpreso ainda, foi quando adentrei a sala de trabalho e me deparei com uma foto fixada no rak : estava escrito na mesma, “Ninão e Leal”. Alguém me presenteara não com uma simples fotografia, mas com um amontoado de lembranças e recordações indeléveis.

A fotografia trouxe a lume, a história a mim contada por Ângelo Rodolfo Canassa, de saudosa memória. Dizia ele: “certa ocasião a Fanfarra Conquistense foi convidada para uma apresentação na cidade de Sacramento, visto que sua fama expandiu-se além fronteiras. Naquele dia, no coração de Sacramento, Conquista fez-se ouvir: seus clarins, tambores, taróis e atabaques, sob a batuta do mestre e maestro, Ninão. Que, como herói, saiu aplaudido de pé”.

Confesso! Senti saudades... Como faz falta o saudoso Amélio Guardieiro! Carinhosamente conhecido por “Ninão”. Onde está a professora e diretora Marisa Canassa? E o professor José Carlos Scandar de saudosa memória? Não ouço seu grito entusiasta. “Avante escola! Atenção”! E João Nunes porta-bandeira? Padre Pedro Magaline, magnânimo diretor!

Lembram-se da criança que me interpelou? Encontrei-a, portava um instrumento de sopro e, se dirigia para o Estádio Municipal, local onde estão se desenvolvendo os ensaios da fanfarra que ressurge, talvez das cinzas como uma Fênix. Graças ao abnegado patriotismo e entusiasmo de nosso governo municipal e de outros, alguns até veteranos, que lá estão para através dos seus exemplos, arregimentarem os jovens e adolescentes, enfim, o povo em geral, que sob a batuta do professor Luiz Alfredo Mendonça, farão ecoar novamente em 30 e agosto, o som dos nossos clarins.

Que rufem nossos tambores!   Avante Conquista!
Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Conquista dos meus amores: grandes são os filhos teus

Conquista é um dos mais felizes matrimônios da natureza com as obras dos homens. Do alto do Jardim Jatobá ou da escadaria do Cristo Redentor, a visão é de tirar o fôlego. Um espetáculo inesquecível, como me repetem todos aqueles que, em minha companhia, de lá correram os olhos sobre o casario entrecortado de árvores, ao correr a vista por suave colina onde se encontra encravada a cidade e, na outra margem do Rio Grande, as montanhas e os chapadões de São Paulo. Tampouco lhes sai da memória o passeio pelas ruas e avenidas largas e retilíneas, com suas casas novecentistas, algumas delas, representam o apogeu da cidade e traduções e estilos da belle époque. Outras, a nos mostrarem em sua simplicidade de linhas como pela via humilde se pode atingir a mais alta beleza.
 
Há poucos anos, exibiu-se no I Festival de Inverno do Parque Náutico de Jaguara, para cerca de apenas 100 pessoas, o filme gravado em Conquista, Ladrão de AR, de Cauê Angeli. O público formado majoritariamente por escritores, artistas e amantes das letras e das artes, ficou primeiro surpreso, e, depois, deslumbrado com as imagens de Conquista. Não faltou quem me dissesse que não podia sequer imaginar que no Triângulo Mineiro, houvesse uma cidade tão linda e tão diferente como paisagem, e não foram poucos os que se prometeram cumprir o dever de visitá-la. A reação dos que viram o filme confirmou em mim, ser Conquista um dos sítios com maior vocação turística da região sendo dois outros, Sacramento e a Serra da Canastra.


Legenda das Fotos: (direita) Poetisa Cely Vilhena, autora do romanceiro Conquista de Meus Amores. (acima) Poetisa Mafalda Monte, autora do Hino Oficial de Conquista.

Quem não cuida do que foi inventivo, afortunado, e harmonioso em seu passado, não merece o futuro. Por isso, a cidade volta a sorrir, volta a ser progressista e bem cuidada. Conquista foi um dos mais importantes entrepostos da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e Navegação, quando o trem era o caminho que ligava São Paulo ao sertão. Pelo plano inclinado da encosta que continua até a Rua Grande na parte antiga da cidade, desciam e subiam arrastadas ou sobre roletes, as mercadorias que lhe animavam o comércio, inclusive, automóveis que vinham dos Estados Unidos encaixotados em containeres.


Nesse pano inclinado, nessa rua e também nas vizinhas, brincaram as meninas, as maiores poetisas da cidade: Mafalda Monte e Cely Vilhena. Foi a conviver com esse casario e com o fluir do burburinho reinante, que elas descobriram que sua terra natal era um céu, se havia um céu sobre a terra, "um céu sob outro céu tão límpido e tão brando / que eterno sonho azul parece estar sonhando", a Conquista da qual jamais Cely se apartou emocionalmente em outras plagas, em outras paragens. Quanto a Mafalda, dedicou a ela o seu pleito maior, ou seja, a composição do Hino Oficial do Município de Conquista.

A alegria e a emoção que me arrebata nesta hora, tornam-me impotente ao escolher as palavras finais. No entanto, quero evocar uma poesia neste momento: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”, como todos vocês que têm caminhado comigo nessa Conquista. 

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.