sexta-feira, 20 de abril de 2012

Nossa História: Cine Luso Brasileiro, Cine Vera Cruz, Centro Cultural Janete Clair, Centro de Eventos Paulo Assunção Valentino

O Cine Teatro Vera Cruz, sucedeu ao antigo Cine Teatro Luso Brasileiro que surgiu no início da década de 20, por iniciativa de dois entusiastas do rádio e do cinema: os Srs. Adolpho Muccciolli, de origem ítalo-argentina e do coronel Manoel Marques, português de nascimento, fortíssimo negociante de cereais e objetos manufaturados e importados, além de ser representante de bancos estrangeiros em Conquista.

O atual prédio foi construído em substituição ao antigo, que abrigou por quase uma década, o Cine Teatro Luso Brasileiro, que ruiu em consequência de um incêndio ocorrido em 02 de novembro de 1927. Sua localização não podia ser melhor! Foi destinado o mesmo local, um amplo terreno na rua Principal, hoje, Agenor Fontoura Borges, que fica a cerca de 50 metros da escada de acesso à antiga Estação da Estrada de Ferro Mogiana. Em pouco tempo, ficou pronto, com toda sua pujança, fazendo inveja às cidades vizinhas de Sacramento e Uberaba e região.

Propalada a sua inauguração, nada melhor do que um programa festivo, que fatalmente atingiria os habitantes das cidades do Estado de São Paulo localizadas na margem esquerda do Rio Grande. O prédio era luxuoso e muito bonito em seu conjunto arquitetônico, o que fazia dele, uma obra prima da região. Uma Companhia de Revistas do Rio de Janeiro foi escolhida para uma temporada de 15 dias, quando da sua estréia, trazendo para cidade um grande fluxo de gente, que não resistiria à vontade de conhecer a sua fama.

Foram várias décadas de muito glamour, muita distração e entretenimento, ali, harmoniosa orquestra animava as películas e exibições de cinema mudo. Além de cinema, eram realizadas, gincanas, apresentações, teatrais, artísticas, musicais, que aconteceram até 1986, ocasião em que foram desativadas as exibições cinematográficas. Em 1988 por iniciativa do então prefeito Municipal Sérgio Guimarães Rezende, o prédio passou por uma superficial reforma e foi escrito um letreiro na faixada do prédio: “Centro Cultural Jannete Clair”, em homenagem a ilustre novelista conquistense. Um  registro: na ocasião o poder público não podia nomear através de Lei, pois o prédio era particular e pertencia a uma sociedade de cotistas, uma especie de S.A.

Hoje, o prédio pertence a Santa Casa de Misericórdia de Conquista, fruto do empenho e árduo trabalhado da diretoria presidida por Vera Colares, que pessoalmente, arregimentou, fomentou, lutou e conseguiu junto à Justiça o usucapião do mesmo, já que os antigos proprietários estavam aglutinados num sistema de cotas, nos moldes de uma Sociedade Anônima, além disso, a maioria deles já havia falecido.

Por iniciativa nossa e de artistas locais, várias matérias já foram veiculadas na imprensa, tais como: na Rede Integração, afiliada da Rede Globo, Globo News, no jornal Tribuna Livre órgão de imprensa da Câmara Municipal de Conquista, na Rádio Comunitária Dinâmica FM e no jornal O Conquistense, todas elas apelando e abordando a necessidade de restauração do prédio. Numa visão patriótica, cultural e futurista, a atual Administração Municipal após firmar comodato com a Santa Casa para utilização do prédio por 30 anos, lutou incessantemente e conseguiu alocar recursos para a restauração do mesmo, inclusive, com projeto de revitalização já elaborado e as obras iniciados pela empresa conquistense vencedora da licitação e concorrência, a Construtora Justino Ltda.


Então, o prédio agora um Próprio municipal, por força da Lei nº 988/11, de 18 de março de 2011, passou a ter a denominação de Centro de Eventos Paulo Assunção Valentino, em homenagem ao ilustre conquistense de saudosa memória, que durante a sua existência terrena, trilhou os mais variados seguimentos da vida pública, social e cultural da cidade. Achamos que restauração daquele espaço cultural, será o grande sonho de todo povo conquistense e seria a redenção da cultura local, bem como de grande valia para as artes.



Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Homenagem a Otávio Cattâni: um exímio contador de causos

O exercício da imprensa no interior do Brasil, certamente não propicia retorno financeiro satisfatório, porém, nos induz e às vezes nos contempla momentos e passagens inusitadas que certamente, só aqui, nas pequenas cidades, acontecem. São situações em que estamos sujeitos a presenciá-las a qualquer momento, sem nenhum aviso prévio.

Certa ocasião li no programa músico-cultural, que a cerca de 13 anos modestamente apresento aos domingos pela Rádio Dinâmica FM 105,9 de Conquista, Minas Gerais, uma crônica intitulada “O Encontro Inesperado” de autoria do guaximense Otávio Cattâni. A repercussão foi imensa, tanto que, tive que repetir a façanha vários domingos seguidos. Daí em diante, iniciei uma busca incessante à procura de Otávio Cattâni, para que o mesmo entrasse para rol dos colunistas do jornal “O Conquistense”, surgia então, uma grande amizade e com certeza, ele trousse mais brilhantismo e alegria aos nossos leitores.

O legado de Otávio Cattâni dispensa apresentação, vejamos o que diz o escritor Samir Cecílio sobre as proezas de Cattâni, contidas no artigo “A Contas dos Casos” publicado na imprensa uberabense: "Era pessoa que tinha espontaneidade da prosa. Estivesse onde estivesse, numa festa ou num velório, agregava em torno de si um auditório atento. Se o ambiente era de festa ou de tristeza não importava, ele com sua palavra fácil dava colorido e mais alegria ao acontecimento". Otávio somente se tornava casmurro quando o assunto era a viuvez, pois lembrava de seu único e grande amor, sua dileta e saudosa esposa Lurdinha, que falecera há anos.

Filho de Felipe Catânni e Angelina Cattâni, Otavio Cattâni nasceu em Guaxima, distrito de Conquista Minas Gerais, em 16 de dezembro de 1925, onde morou até os 18 anos, indo depois morar em São Paulo e posteriormente em Belo Horizonte, Uberlândia e por último em Uberaba.

Em 1955 casou-se com Maria de Lourdes Carvalho Mendonça, (Lurdinha). Deste enlace, deste sublime amor, tiveram uma família maravilhosa composta de dois filhos: Felipe Cattâni Neto e Marcelo Mendonça Cattâni. Os netos: Leonardo Frange S. Cattâni, Tiago Frange S. Cattâni, Diego Ciulada Cattâni e Felipe Ciulada Cattâni. As noras Alexandra Frange S. Cattâni e Eliana Ciulada Cattâni e o bisneto Davi Cattâni.

Otávio faleceu de mal súbito dia 27 de dezembro passado em Aracajú, onde foi passar o Natal na residência do filho Felipe Cattâni Neto. Contava então, com 85 anos de idade. Pai de família honrado, exemplar, amoroso, ligado às suas origens, grande observador da natureza humana, apegado às tradições e à família. Assim era Otávio Catânni.

Minha conivência com Otávio Cattâni foi breve, porém, seu falecimento deixou uma grande lacuna, um grande vazio, aflorando os laços indestrutíveis de estima e admiração que por ele mantinha. Que Deus o abençoe amigo. Daqui, continuaremos a publicar seus escritos...

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

Tributo ao Dr. Hadel Wazir: médico e cidadão do mundo

Tenho a difícil missão de dissertar sobre a ilustre pessoa do Hadel Wazir falecido recentemente. Pois bem: no final do ano de 2002, recebi uma ligação telefônica propondo que eu recebesse na repartição pública onde trabalho, o Dr. Hadel Wazir. Surpreso com a proposta, mas feliz, disse que sim. O motivo do convescote seria um intercâmbio cultural, onde, o cerne do encontro, seria uma breve biografia da ilustre conquistense Ginette Stocco Emmer, ou melhor, Janete Clair, já que o mesmo foi contemporâneo e amigo da renomada novelista. Refeito, entendi o óbvio: Dr. Hadel queria que eu ampliasse o ciclo de publicações sobre Janete Clair, por considerar que o mais relevante a ser levado a público sobre ela, ainda não tinha sido feito.

Ao longo dos anos que sucederam o encontro, Dr. Hadel e eu, a cada visita que ele fazia a Conquista, nos encontrávamos no seu local predileto de refúgio e meditação: a centenária Estação Ferroviária de Conquista. Ali, naquele prédio de copiar lateral, nas fagueiras tardes conquistenses, mantínhamos longas conversas sobre fatos e acontecimentos ligados a Conquista, a sua gente.

Dr. Hadel e eu nos tornamos próximos e amigos. Dele recebi carinho, atenção e cuidados, nos tornarmos confidentes. Até mesmo a deferência de ser convidado a visitá-lo em São Paulo. Em detrimento dessa admiração mútua, chegou ao ponto de visitar o Parque Nacional da Serra da Capivara que fica localizado no meu estado de origem, o Piauí.

Era médico e cidadão do mundo. Conhecia muitos países, falava fluentemente vários idiomas. Por onde andou, divulgou Conquista, pois tinha amor arraigado a sua terra natal. A propósito: no Natal de 1970, mais precisamente em 26 de dezembro daquele ano, aconteceu um desastre de grandes proporções com o trem da Mogiana na localidade Engenheiro Lisboa, com um saldo de 21 mortos e 37 feridos. A maioria dos feridos foram socorridos e atendidos na Santa Casa de Misericórdia de Conquista, pelo médico Dr. Hadel Wazir que se encontrava de férias na cidade. Na oportunidade, o mesmo convocou o então jovem odontologista João Sampaio Anacleto, e juntos, num esforço sobre humano, atenderam a todos. Em consequência do seu desprendimento, altruísmo e competência médica, a Companhia Mogiana de Ferrovias e Navegação lhe enviou missiva de agradecimento e menção pelo socorro prestado aos seus usuários. Inclusive, propondo o ressarcimento pelos serviços médicos prestados. Tal foi a surpresa da Companhia Mogiana ao receber a resposta do Dr. Hadel Wazir: “não tenho nada a receber, apenas socorri meus irmãos conquistenses”.

Dr. Hadel Wazir nasceu em Conquista em 26 de junho de 1926. Era filho de Antônio Wazir e Nádia Wazir. Em São Paulo, desempenhou suas atividades profissionais como médico e empresário do setor, deixou um vasto círculo de amizade e muitos admiradores. Tinha o hábito de passar o Natal em Conquista. E foi justamente vindo de São Paulo para Conquista que veio a falecer de mal súbito dia 23 de dezembro passado, aos 84 anos de idade. Na ocasião, viajava de ônibus, no afã de rever os amigos, parentes e Conquista cidade que amou intensamente.

Além da inteligência, a lhaneza no trato, a firmeza nas convicções, dele ficou-me a fidalguia do bom conquistense. Pareceu-me sempre um homem dedicado, justo e bom. Isto justifica uma vida bem vivida. Que Deus o tenha bom amigo.

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Coronel Tancredo França: Paladino de nossa emacipação



Na saga de homens públicos sedentos de renome, que disputam o favor do povo para avançar na carreira política, destacam-se os patriotas sinceros e dignos dos mais altos cargos.

Ao elenco destes, pertence o ilustre Cel. Tancredo França. Filho do Cel. Manoel Cassiano de Oliveira França e de D. Amélia Cherubina França, o Cel. Tancredo França teve por berço natal a vizinha cidade de Sacramento.

Em 1º de novembro de 1900, foi eleito vereador especial do distrito de Desemboque, termo de Sacramento, cargo este, que nos sentimos na obrigação de dizê-lo, foi desempenhado com muita dedicação e critério. Por decreto de 25 de novembro de 1899, foi nomeado capitão-cirugião do 55º Regimento de Cavalaria do citado termo e, depois, nomeado comandante de um dos batalhões da Guarda Nacional ali existente.

Homem provido de espírito culto, caráter nobre, trabalhador incansável, extremamente cortez, revelava em tudo uma franqueza excepcional. O Cel. Tancredo possuía o condão de ganhar à primeira vista a simpatia das pessoas com quem tratava. Este dom precioso explica o apoio sincero que jamais lhe negaram os seus amigos e admiradores, os quais, o colocaram na direção do “Partido Republicano Mineiro de Conquista”.

Republicano extremado. Foi contemporâneo de Antônio Alves da Silva, Antônio de Oliveira Maia, João Martins Borges, José Ferreira Barbosa, Antônio Carlos Teixeira Junqueira, Sérgio Marques da Silva, Manoel Marques e tantos outros paladinos das lides políticas locais.

Em 30 de agosto de 1911, consoante a divisão administrativa do Brasil, criou-se o Município de Conquista, desmembrando-se este então Distrito, do Termo de Sacramento. Em 1º de junho de 1912, Conquista emancipou-se político e administrativamente, ocasião, em que o Cel. Tancredo França atingiu a mais elevada posição municipal, assumindo as funções de Presidente e Agente Executivo da Câmara Municipal.

Caráter alicerçado nos fecundos mananciais de virtudes públicas e privadas. Extremamente devotado à causa pública, o Cel. Tancredo era, de fato, o homem talhado para chefia do então pujante Partido Republicano Mineiro, do altivo Município de Conquista, que patrioticamente presidiu com extraordinário progresso moral e material.

No exercício do cargo de Presidente e Agente Executivo da Câmara, prestou com elevado critério e patriotismo relevantes serviços a Conquista. Esforçando-se pela realização dos melhoramentos locais, recebendo aplausos e louvores de toda a população da época, sendo inclusive, reconhecido como responsável direto pela emancipação de Conquista. Para ratificar essas ligeiras referências ao seu honrado nome, basta dizer-se que, na renovação de mandatos de vereadores municipais, para o triênio 1916-1918, foi ele reeleito por absoluta unanimidade de votos.

Homem modesto e exemplar chefe de família, sincero, patriota, caritativo, sem ostentação, amigo leal e prestimoso: eis, em poucas linhas, a figura do Cel. Tancredo França, cujo legado muito honra as páginas da história de Conquista.

A hospitaleira, laboriosa, patriótica e digníssima família França, cujos ascendentes, foram homens de grandes haveres, merece o nosso mais elevado sentimento de gratidão, respeito e consideração.

HOMENAGEM

A praça central da cidade de Conquista ostenta o nome de Tancredo França, bem como, a comunidade rural da antiga Fazenda Erial, há uma década, passou a chamar-se de comunidade rural Tancredo França. Em 1992 a Câmara Municipal de Conquista criou a Comenda Coronel Tancredo França, honraria que tem como objetivo homenagear aqueles que prestam ou prestaram relevantes serviços a Município de Conquista.


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Saudação Pública

A Associação Cultural e Artística Joaquim Pereira Cruz, entidade mantenedora da Rádio Comunitária Dinâmica FM, orgulha-se em ter em seus quadros, como Diretor, Associado, Locutor e Amigo, FIRMINO LIBORIO LEAL,
e cumprimenta-o pelo recebimento da Comenda  Medalha Estadual do Mérito Renascença, outorgada pelo Governo do Estado Piauí, em 24 de janeiro de 2010.

Que a honrosa condecoração o estimule ainda mais na caminhada, fazendo história, com mesmo dinamismo, profissionalismo, caráter e responsabilidade, e continuando a ser o homem simples e gigante, que inserido em nossa Conquista, muito nos enriquece no convívio social, na comunicação e noutros tantos atributos que Deus lhe concedeu.

Parabéns Firmino Libório Leal!

Associação Cultural e Artística Joaquim Pereira Cruz
Gestões: 2007/2010 e 2010/2012

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Repórter Leal



Firmino Libório Leal, nordestino do Piauí. Cidadão Conquistense de coração, irmão na Loja Estrela Conquistense do Venerável Mestre João Anacleto de Pádua meu avô (in memoriam). Empreendedor jornalístico em nossa comunidade, titular de livro, fotógrafo. Busca a matéria na sua integra, leva informação, propaganda, cultura, muita nostalgia com reportagens como a do nosso Último Trem, saudosa Mogiana com a Maria-Fumaça, que virou tema e nome do seu próximo livro.

O quão importante é esse trabalho que visa lucro sim senhor! Mas pouco ou quase nada é seu retorno financeiro. Ainda muitas vezes, vai lá parte do seu salário para concluir mais uma publicação. O maior pagamento que recebe é contemplar a alegria de mais uma Edição publicada que circula em nossa cidade e por muitos outros estados e municípios através de nobres assinantes e conterrâneos ou não, que são informados com noticias de nossa terra.

Radialista nas manhãs de domingo, a Rádio Dinâmica FM tem o prazer de apresentar o programa Recordar é Viver, com toda sua irreverência, apresenta músicas de Nelson Gonçalves, Roberto Carlos, Orlando Silva, muito eclética a escolha do repertório. Bossa Nova, Jovem Guarda e antigos sucessos da época romântica dos saudosos boleros.

Sempre atualizado e buscando oferecer a melhor leitura, vai inovar mais uma vez com o Jornal On Line. É O CONQUISTESE na internet para o mundo. Editor criador do site da Câmara Municipal de Conquista. Inquieto que é, agora monta também como Editor, o Site da Prefeitura Municipal de Conquista. Por isso, atesto sem sofisma: Firmino Libório é o nosso “Repórter Leal”.

Por: Fernando Scalon Anacleto

sábado, 28 de novembro de 2009

Tributo a Advíncula da Cunha

Filho primogênito de Evangelino Cunha e Eloáh Adrien Cunha. Nasceu na cidade de Jataí. Estado de Goiás, no dia primeiro de junho de 1914. Encabeçava uma prole de onze filhos.

Quando pequeno ganhou de sua mãe o apelido de “Barão”. Forma esta de tratamento que lhe foi dispensada sempre por todos os que privaram da sua mais estreita intimidade.

Advíncula era bem pequeno quando a família se transferiu para a cidade de Araxá e em seguida para Sacramento, época sempre referenciada por ele como de saudosa memória, que, às margens do Ribeirão Borá, nas proximidades da ponte do Rosário, ele viu sua prima “Lola” (Leonor Cunha) pela primeira vez. Na ocasião, ambos tinham, respectivamente, oito e seis anos de idade.

As crianças descalças molhavam os pés nas águas límpidas do riacho. Vendo-a luminosa, catita e orvalhada, desde aquele instante, Barão teve o pressentimento de que aquela linda e singular menina seria futuramente, e sem margem de dúvidas, a sua companheira para toda vida. Esse presságio o destino selou em 10 de junho de 1945, pois contraiu matrimônio com a eleita do seu coração, selando assim um compromisso oficializado de aproximadamente dez anos.

Desde jovem Advíncula auxiliava o pai nos afazeres do consultório dentário; profissão que Evangelino exercia, prestimoso e bastante procurado. Assim, na “função de Tiradentes” e como dentista ambulante, nosso homenageado começou a trabalhar na zona rural. Era contratado pelos fazendeiros para dar tratos dentários aos familiares e colonos. Vale ressaltar que era ele que executava também todos trabalho de prótese: moldava dentes, fazia pontes móveis e/ou fixas, dentaduras. Aparelhos para correção de arcadas mal-formadas, restaurações a ouro, além de realizar cirurgias em crianças que nasciam com lábio leporino e em casos graves de sinusite.

Por essa época fez-se: um kardecista convicto; um fervoroso maçon., tornou-se também um grande idealistas. Adepto da UDN (União Democrática Nacional), partido político da época.

Ante a necessidade de um maior convívio com a família, pois, ainda trabalhava fora de casa, Barão decidiu parar com os encargos de dentista ambulante e fixou residência e gabinete em Conquista, em agosto de 1950. Ao lar, “singelo e desatativado”, ajuntaram-se-lhes três filhos: Lincoln (1946), Áurea Marly (1948) e Luiz Adrião (1950). Contudo, este último faleceu precocemente nos primeiros dias de vida.
Assim que chegou em Conquista, junto com alguns companheiros de ideal fundou o Centro Espírita e Cultural Eurípedes Barsanulfo, constituindo-se seu primeiro presidente. Como maçom preclaro, foi um dos fundadores da Loja Maçônica Estrela Conquistense, inclusive, foi seu primeiro Venerável Mestre. Alguns anos mais tarde também trabalhou juntamente com doutor. Lindolfo Bernardes dos Santos e outros idealistas, para a implantação em Conquista do Ginásio Antônio Martins Fontoura Borges (hoje, Escola Estadual Doutor. Lindolfo Bernardes dos Santos).

Em Conquista e região Advíncula granjeou sólidos e eternos relacionamentos. Tinha predileção por literatura variada; gostava muito de escrever e inclusive há um vasto repertório de produções de sua lavra, tanto em prosa quanto em verso. Fez-se sem alarde, humildemente e sempre que necessário, em braço anônimo e pródigo para os necessitados de qualquer sorte: Legou-nos grandes lições de fraternidade e desprendimento.

Repentinamente, a primeiro de janeiro de 1978, viu-se enviuvado. Sua fiel e dedicada esposa partiu depois de 34 anos de casados. Apos isso, sempre aconselhado por todos os mais íntimos sobre a necessidade de nova companhia, Barão, contudo achava que a sua Lola era insubstituível. Porém tornou-se casmurro e por demais entristecido. A maioria dos seus causos era plena de saudades e recordações

Advícula tinha especial predileção por Conquista. À moda dos menestréis varava noites com nos papos. E a sua última noite passada em Conquista Foi regada a cerveja e serenata. Acompanhado dos “tocadores conquistenses”, muitos amigos foram homenageados De acordo como relato dos que o acompanharam, ele estava muito eloqüente e vivás. Sem que ninguém desconfiasse, era a despedida final.

No dia subsequente, Barão rumou a Sacramento, onde pernoitaria para, na manhã seguinte, ir a São Paulo. Porém, a vida quis diferente: ao voltar do mecânico onde levara o “fusca verde” para que fora vistoriado durante sua ausência, visitou uma prima adoentada, despedindo-se ganhou a rua. Não chegou a andar um quarteirão caiu e perdendo os sentidos foi imediatamente socorrido por pessoas amigas.

Sobre a cama vazia ficara apenas: a mala feita e a passagem já comprada... Permaneceu em coma quatro dias. No dia 31 de outubro de 1986 adentrou a Vida Maior, deixando um legado de grande beleza e valores éticos, através das palavras escritas e faladas, mas principalmente por exemplos vivos. Deus o abençoe hoje e sempre, Advíncula da Cunha.

Agradecemos a família do saudoso Advíncula da Cunha, especialmente a Dona Áurea Marly Cunha Gutierrez Salvador que colaborou com a matéria.

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.