sábado, 2 de março de 2013

Singela homenagem ao Dr. Rui da Matta Costa



Singela homenagem ao Dr. Rui da Matta Costa



Neste momento, tenho a difícil missão de dissertar sobre o admirável amigo Dr. Rui da Matta Costa, a quem sou muito grato. Fui seu secretário quando da sua gestão como Prefeito Municipal de Conquista de 1997 a 2000. Homem de rara inteligência, transmitia a todos um manancial de informações, conhecimentos, experiência de vida. Confesso: conviver com ele foi um grande aprendizado, muito do que sou hoje, devo a ele.

Dr. Rui faleceu no dia 25 de janeiro passado, com isso, Conquista perdeu o filho ilustre que exaltou sua história, transformou e enriqueceu radicalmente os meios políticos, jurídicos e a administrativos do Triângulo Mineiro. Dr. Rui encantou o estado com seus discursos patrióticos, líricos. Em detrimento do amor que nutria pelo pago amado, seus pronunciamentos foram verdadeiras pérolas literárias, carregadas de sentimento nativista e amor a terra berço.

Oriundo de família humilde mais extremamente honrada, honesta e trabalhadora, aquele garoto campesino teve dificuldades de estudar. Assim mesmo, mourejando no labor permanente da vida nos mais variados afazeres, “crescia em sabedoria e em graça diante de Deus e dos homens,” para transformar-se no porvir, em uma das mais ilustres e expressivas personalidades do nosso município.

O conquistense Dr. Rui da Matta Costa carrega a particularidade de ter exercido em sua terra natal, os três poderes que constitui a estrutura administrativa e judiciária nos moldes da Carta Magna e até mesmo, diante do pacto federativo, ou seja: Dr. Rui exerceu o Poder Legislativo como vereador, o Poder Executivo como prefeito, e o Poder Judiciário como Juiz de Direito da Comarca de Conquista. Além disso, também esteve frente ao Ministério Público local como Promotor de Justiça, além de ter exercido os mais variados cargos postos e funções, dentre muitos: aprendiz de farmácia, engraxate, auxiliar contábil, bancário e advogado. Com gestor público, seu governo perpetuou-se na história ao construir um conjunto habitacional e doar gratuitamente aos menos favorecidos. Preocupado com a dignidade dos pobres, construiu instalações sanitárias nas moradias desprovidas de sentina. Mas foi a vida forense que lhe valeu muito como prefeito. De lá, ele trouxe experiências, criou departamentos, secretarias, CPD e contribuiu denodamente para tornar a Delegacia de Policia Civil ON Line. Um gestor austero, probo, desempenhou seu mandato com espírito público e zeloso com o cabedal do município.

Homenagem

Em 2011, Dr. Rui foi agraciado com a “Medalha do Centenário de Conquista” por ocasião das comemorações do Centenário da cidade, honraria emanada do Poder Executivo Municipal. Anos antes, havia recebido a Comenda Desembargador Hélio Costa, honraria esta, oriunda da Comarca de Conquista e ratificada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Da mesma forma foi homenageado pela Câmara Municipal de Conquista com a Comenda Arsênio Rodrigues de Souza.

Para registro nos anais da história conquistense, deixamos aqui exarada essa singela homenagem a ilustre personalidade do Dr. Rui da Matta Costa.

Adeus menino descalço da Rua Grande! Adeus vereador, advogado, promotor, juiz, prefeito e principalmente filho ilustre, não só de Conquista, mais do estado de Minas Gerais. Adeus bom amigo Dr. Rui da Mata Costa.

“Há um menino, há um moleque, morando no meu coração. Toda vez que o homem balança ele vem para me dar a mão”. Milton Nascimento (bola de meia, bola de gude).

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Italiano Cláudio Zanet visitou Conquista





Italiano Cláudio Zanet visita Conquista

A cidade de Conquista literalmente parou entre os dias, 06 a 17 de abril para receber o italiano Cláudio Zanet. Foram 11 dias de muita movimentação, alegria e júbilo. 

Benvenuti a Conquista Cláudio Zanet

O Sr. Cláudio Zanet veio ao Brasil pela primeira vez, especialmente a Conquista, para conhecer os parentes da família Zago que migraram para o Brasil por volta de 1888. Aqui se instalaram, prosperam e criaram numerosa prole, sendo o patriarca e ex-prefeito de Conquista Francisco Zago Filho, irmãos e irmãs, seus primos em segundo grau.
Cláudio Zanet é aposentado, conta com 65 anos de idade, trabalhou muitos anos numa Usina Nuclear e em outras atividades similares, é da cidade de Sermoneta, província Latina, região do Lazio, Itália.


Cordato, eloquente e carismático, Cláudio esbanjou simpatia ao falar da Itália, sua história, tradições, culinária.  Sua descendência, a geografia e a beleza que dispõe sua querida cidade de Sermoneta.  Da mesma forma, disse que ficou encantado com Conquista, suas praças e jardins. Com exuberância do verde, com o casario e principalmente, com a hospitalidade do povo conquistense. 

Cláudio foi recebido pela Prefeita Véra Lúcia Guardieiro como Estadista

Dia (10/04), a prefeita Véra Lúcia Guardieiro recebeu em seu gabinete, o senhor Cláudio Zanet, que achava-se acompanhado dos parentes: Francisco Zago Filho, Francisquinho Zago, da senhorita Luiza Gerolim  e do professor Dimas da Cruz Oliveira, que além de cicerone, serviu de intérprete em todos os acontecimentos e encontros em que o visitante esteve envolvido.

Com a presença de vários secretários municipais e do pároco José Edilson, a prefeita Véra Lúcia Guardieiro recebeu o Sr. Cláudio de forma solene e institucional, dispensando especial atenção ao ilustre visitante. Na oportunidade, Véra agradeceu a visita e desejou a ele, uma feliz estadia entre nós. Emocionando, Cláudio agradeceu a acolhida, colocando-se à disposição do povo conquistense especialmente de seus parentes. Na ocasião Cláudio afirmou que permaneceria em Conquista até o dia 18 de abril, quando então retornaria a Itália, como de fato aconteceu.

Daí em diante, foi um verdadeiro corre-corre. Cláudio esteve sempre com agenda lotada, todos queriam conhecê-lo e desfrutar de sua simpatia. Um almoço aqui, outro ali. Um pouso aqui, outro acolá, a salutar convivência com os primos queridos da família Zago. O intercâmbio com outras famílias oriundas da Itália, quando se deparava com alguém de uma delas, era sempre motivo de muita alegria, enfim, visita aos principais pontos turísticos de Conquista e região: Museu, Biblioteca, Câmara Municipal, Estádio Municipal, praças e jardins, Zona Rural, Rádio Dinâmica FM, cidade de Uberaba, distrito de Guaxima e por fim, os finais de tarde e inicio de noite, sempre no convívio familiar e fraterno dos primos e primas, e a presença nas missas da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes.


 Arrivederci Cláudio

Em homeagem ao  Cláudio...

...O Coral Vozes de Conquista realizou um recital com reportório de músicas italianas.


Dois fatos marcantes aconteceram no limiar da despedida de Cláudio: o primeiro foi quando em sua homenagem, seus parentes e amigos se reuniram e o receberam no recinto da Palazzo Festas para num belíssimo recital com repertório de músicas italianas do Coral Vozes de Conquista. Foram momentos de muita emoção vividos por Cláudio. Ali se fizeram presente várias famílias de origem Italiana: Amatângelo, Boense, Bizinotto, Caramóri, Crozara, Fochezatto, Guardieiro, Gerolim, Monte, Mattiolli, Naghetini, Roncolato, Zago, Valente, além de outras famílias como: Damião, Sakr, Ferreira, Leal, Cruz Oliveira, Gonçalves e Santos. Um outro fato marcante foi a despedida de Cláudio junto a Administração Municipal. Na oportunidade a prefeita Véra Lúcia Guardieiro lhe disse que Conquista se sente lisonjeada com a ilustre visita. Que o Sr. Cláudio Zanet leve aos seus conterrâneos, a nossa singela mensagem: em Minas Gerais, no coração do Brasil, existe uma pequena cidade que é conhecida  e tratada como "Um cantinho da Itália em Minas".


E-mail com mensagem enviada por Cláudio a Sindaco (Prefeita) da cidade de Sermoneta-Itália:

Ti invio questi saluti da una citta´ dove tanti italiani ricordano la loro Patria con affetto, sono stato accolto con inimagginabile calore e con questa visita ho portato una curiosita`in questi cittadini di osservare le immagini del nostro paese e la tua foto su google< ti rinnovo i saluti anche da parte della sindachessa locale e dei suoni cittadini ciao a presto in Itália.

Te envio saudações desta cidade onde tantos italianos recordam sua terra natal com afeto.Fui recebido com imaginável carinho, e com esta visita eu trouxe uma curiosidade nestes cidadãos de observarem imagens de nosso Pais e suas fotos no Google.Te renovo as saudações também da parte da Prefeita local e de seus cidadãos.

Até breve em Itália!

Claudio Zanet


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Saudação aos 100 anos de Conquista.


Salve Conquista! 100 vezes Salve!!!

Neste momento importante da história, tenho dedicado todo meu amor, todo meu carinho e devoção a Conquista. Recentemente, me debrucei na história e escrevi, dirigi e sobre o Centenário de produzi o Documentário Conquista que veio a lume, dia 23/08, cujo local de exibição da sua primeira edição foi o plenário da Câmara Municipal de Conquista. Da mesma forma, empreguei todo meu modesto conhecimento e pálida técnica, para produção das fotografias que ornamentam o Selo do Centenário; lançado simultaneamente, tanto pela Prefeitura Municipal de Conquista, como pela Câmara Municipal, ou seja, as fotos do Cristo Redentor; a Cachoeira de Santa Maria; a Biblioteca Municipal Monsenhor José de Mello Resende; a Pousada Novo Alvorecer e por último a fotografia do majestoso prédio, outrora Estação Ferroviária de Conquista, hoje, plenário da Câmara Municipal.

Além disso, pretendo brevemente lançar o livro “Estação Conquista”. Modesto opúsculo totalmente dedicado a Conquista.

Nas páginas de O Conquistense, criamos a logomarca dos “100 Anos”, valorizamos os produtos da terra, como Vinho Giácomo, Goodsoy, Cachaça P.O. dentre outros que virão à tona. Também, estamos valorizando os filhos da terra, ou pessoas que lhe são gradas, presentes ou ausentes, divulgando seus valores, legado histórico, cultural e geográfico. Com isso, achamos que contribuímos com considerável parcela para o Centenário de Conquista.


Historicamente, Conquista é sinônimo de chegar, lutar, desbravar e vencer!


Este é nosso lema desde 1911, e até mesmo antes, os sonhos dos que te amam foram convergidos em lutas e realizações. Hoje, reunidos e jubilosos, vivenciamos o encerramento do ciclo secular e início de outro.

Neste momento de transição, devemos render e agradecer a Deus, e como seus filhos festejar, pois fizemos deste chão, um solo fecundo. De nossa história herdamos o símbolo de galhardia. Das lutas, herdamos a descoberta da força. Das realizações, herdamos a certeza das potencialidades. Do futuro, a crença e esperança de dias melhores. Da convivência, a visão do sinal claro do amor.

Conquista; Que por toda a tua existência, continue firme em seus propósitos expostos nas cores de nossa flâmula auriverde: No verde, esperança e respeito à natureza. No amarelo, valorização do potencial de seu maior patrimônio: seus filhos e seu solo fértil e vicejante.

É ocasião de comemorarmos. A alegria e a emoção que me arrebata nesta hora, tornam-me impotente ao escolher as palavras finais. No entanto, quero evocar uma poesia neste momento, pois o poeta tem a responsabilidade de transmitir ao mundo o sentimento de todos os homens.

Em Conquista terra natal de muitos vultos ilustres há um céu sobre a terra, "um céu sob outro céu, tão límpido e tão brando / que eterno sonho azul parece-me estar sonhando”. Eu vos afirmo: “o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”, como todos vocês que têm caminhado comigo nessa Conquista.

A história de Conquista tem duas páginas laureadas que jamais seus filhos esquecerão: A primeira, a luta encetada por Tancredo França, Antônio Alves da Silva e Antônio de Oliveira Maia, que daqui, rumaram para Campinas e posteriormente, Rio de Janeiro para conquistarem a criação do Município de Conquista consoante à divisão territorial e administrativa do Brasil que estava prestes a acontecer. A esses paladinos, devemos a nossa independência e criação.
 
A segunda, a maneira diferenciada com que atual gestora toca a Administração Municipal, rompendo com velhos costumes e mazelas, trazendo da iniciativa privada para vida pública, larga bagagem administrativa, com isso, Conquista voltou ao patamar da honra, do trabalho, do patriotismo e da fé. Daí à minha convicção: Conquista terá duas épocas administrativas: uma antes e, outra depois da gestão Véra Lúcia Guardieiro.

Parabéns Conquista, pelo seu primeiro Centenário!
Viva Conquista! “Um passado de glória. Um futuro de Esperança!”


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

A Fanfarra Voltou



O arrebol conquistense é diferenciado de qualquer outro lugar que conheço. O gorjeio matutino da passarada saudando o dia que chega, transforma o trajeto entre a nossa modesta moradia, e o local onde desenvolvemos o labor na azáfama diária de auferirmos o nosso justo ganho, num ambiente salubre e agradabilíssimo. Além disso, nos convida a reflexão e nos remete a paz.

Sempre recebi atenção e predileção especial da criançada, e foi exatamente uma delas, que de forma contundente me interpelou, quando pasmo, observava as Maritacas em algazarra nas copas das árvores do Jardim Paroquial. Quando me viu, gritou: Sô Leal! Como o sinhô pediu no Rádio, a fanfarra voltou! Que bom, respondi!

Mais surpreso ainda, foi quando adentrei a sala de trabalho e me deparei com uma foto fixada no rak : estava escrito na mesma, “Ninão e Leal”. Alguém me presenteara não com uma simples fotografia, mas com um amontoado de lembranças e recordações indeléveis.

A fotografia trouxe a lume, a história a mim contada por Ângelo Rodolfo Canassa, de saudosa memória. Dizia ele: “certa ocasião a Fanfarra Conquistense foi convidada para uma apresentação na cidade de Sacramento, visto que sua fama expandiu-se além fronteiras. Naquele dia, no coração de Sacramento, Conquista fez-se ouvir: seus clarins, tambores, taróis e atabaques, sob a batuta do mestre e maestro, Ninão. Que, como herói, saiu aplaudido de pé”.

Confesso! Senti saudades... Como faz falta o saudoso Amélio Guardieiro! Carinhosamente conhecido por “Ninão”. Onde está a professora e diretora Marisa Canassa? E o professor José Carlos Scandar de saudosa memória? Não ouço seu grito entusiasta. “Avante escola! Atenção”! E João Nunes porta-bandeira? Padre Pedro Magaline, magnânimo diretor!

Lembram-se da criança que me interpelou? Encontrei-a, portava um instrumento de sopro e, se dirigia para o Estádio Municipal, local onde estão se desenvolvendo os ensaios da fanfarra que ressurge, talvez das cinzas como uma Fênix. Graças ao abnegado patriotismo e entusiasmo de nosso governo municipal e de outros, alguns até veteranos, que lá estão para através dos seus exemplos, arregimentarem os jovens e adolescentes, enfim, o povo em geral, que sob a batuta do professor Luiz Alfredo Mendonça, farão ecoar novamente em 30 e agosto, o som dos nossos clarins.

Que rufem nossos tambores!   Avante Conquista!
Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Conquista dos meus amores: grandes são os filhos teus

Conquista é um dos mais felizes matrimônios da natureza com as obras dos homens. Do alto do Jardim Jatobá ou da escadaria do Cristo Redentor, a visão é de tirar o fôlego. Um espetáculo inesquecível, como me repetem todos aqueles que, em minha companhia, de lá correram os olhos sobre o casario entrecortado de árvores, ao correr a vista por suave colina onde se encontra encravada a cidade e, na outra margem do Rio Grande, as montanhas e os chapadões de São Paulo. Tampouco lhes sai da memória o passeio pelas ruas e avenidas largas e retilíneas, com suas casas novecentistas, algumas delas, representam o apogeu da cidade e traduções e estilos da belle époque. Outras, a nos mostrarem em sua simplicidade de linhas como pela via humilde se pode atingir a mais alta beleza.
 
Há poucos anos, exibiu-se no I Festival de Inverno do Parque Náutico de Jaguara, para cerca de apenas 100 pessoas, o filme gravado em Conquista, Ladrão de AR, de Cauê Angeli. O público formado majoritariamente por escritores, artistas e amantes das letras e das artes, ficou primeiro surpreso, e, depois, deslumbrado com as imagens de Conquista. Não faltou quem me dissesse que não podia sequer imaginar que no Triângulo Mineiro, houvesse uma cidade tão linda e tão diferente como paisagem, e não foram poucos os que se prometeram cumprir o dever de visitá-la. A reação dos que viram o filme confirmou em mim, ser Conquista um dos sítios com maior vocação turística da região sendo dois outros, Sacramento e a Serra da Canastra.


Legenda das Fotos: (direita) Poetisa Cely Vilhena, autora do romanceiro Conquista de Meus Amores. (acima) Poetisa Mafalda Monte, autora do Hino Oficial de Conquista.

Quem não cuida do que foi inventivo, afortunado, e harmonioso em seu passado, não merece o futuro. Por isso, a cidade volta a sorrir, volta a ser progressista e bem cuidada. Conquista foi um dos mais importantes entrepostos da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e Navegação, quando o trem era o caminho que ligava São Paulo ao sertão. Pelo plano inclinado da encosta que continua até a Rua Grande na parte antiga da cidade, desciam e subiam arrastadas ou sobre roletes, as mercadorias que lhe animavam o comércio, inclusive, automóveis que vinham dos Estados Unidos encaixotados em containeres.


Nesse pano inclinado, nessa rua e também nas vizinhas, brincaram as meninas, as maiores poetisas da cidade: Mafalda Monte e Cely Vilhena. Foi a conviver com esse casario e com o fluir do burburinho reinante, que elas descobriram que sua terra natal era um céu, se havia um céu sobre a terra, "um céu sob outro céu tão límpido e tão brando / que eterno sonho azul parece estar sonhando", a Conquista da qual jamais Cely se apartou emocionalmente em outras plagas, em outras paragens. Quanto a Mafalda, dedicou a ela o seu pleito maior, ou seja, a composição do Hino Oficial do Município de Conquista.

A alegria e a emoção que me arrebata nesta hora, tornam-me impotente ao escolher as palavras finais. No entanto, quero evocar uma poesia neste momento: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”, como todos vocês que têm caminhado comigo nessa Conquista. 

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Nossa História: Cine Luso Brasileiro, Cine Vera Cruz, Centro Cultural Janete Clair, Centro de Eventos Paulo Assunção Valentino

O Cine Teatro Vera Cruz, sucedeu ao antigo Cine Teatro Luso Brasileiro que surgiu no início da década de 20, por iniciativa de dois entusiastas do rádio e do cinema: os Srs. Adolpho Muccciolli, de origem ítalo-argentina e do coronel Manoel Marques, português de nascimento, fortíssimo negociante de cereais e objetos manufaturados e importados, além de ser representante de bancos estrangeiros em Conquista.

O atual prédio foi construído em substituição ao antigo, que abrigou por quase uma década, o Cine Teatro Luso Brasileiro, que ruiu em consequência de um incêndio ocorrido em 02 de novembro de 1927. Sua localização não podia ser melhor! Foi destinado o mesmo local, um amplo terreno na rua Principal, hoje, Agenor Fontoura Borges, que fica a cerca de 50 metros da escada de acesso à antiga Estação da Estrada de Ferro Mogiana. Em pouco tempo, ficou pronto, com toda sua pujança, fazendo inveja às cidades vizinhas de Sacramento e Uberaba e região.

Propalada a sua inauguração, nada melhor do que um programa festivo, que fatalmente atingiria os habitantes das cidades do Estado de São Paulo localizadas na margem esquerda do Rio Grande. O prédio era luxuoso e muito bonito em seu conjunto arquitetônico, o que fazia dele, uma obra prima da região. Uma Companhia de Revistas do Rio de Janeiro foi escolhida para uma temporada de 15 dias, quando da sua estréia, trazendo para cidade um grande fluxo de gente, que não resistiria à vontade de conhecer a sua fama.

Foram várias décadas de muito glamour, muita distração e entretenimento, ali, harmoniosa orquestra animava as películas e exibições de cinema mudo. Além de cinema, eram realizadas, gincanas, apresentações, teatrais, artísticas, musicais, que aconteceram até 1986, ocasião em que foram desativadas as exibições cinematográficas. Em 1988 por iniciativa do então prefeito Municipal Sérgio Guimarães Rezende, o prédio passou por uma superficial reforma e foi escrito um letreiro na faixada do prédio: “Centro Cultural Jannete Clair”, em homenagem a ilustre novelista conquistense. Um  registro: na ocasião o poder público não podia nomear através de Lei, pois o prédio era particular e pertencia a uma sociedade de cotistas, uma especie de S.A.

Hoje, o prédio pertence a Santa Casa de Misericórdia de Conquista, fruto do empenho e árduo trabalhado da diretoria presidida por Vera Colares, que pessoalmente, arregimentou, fomentou, lutou e conseguiu junto à Justiça o usucapião do mesmo, já que os antigos proprietários estavam aglutinados num sistema de cotas, nos moldes de uma Sociedade Anônima, além disso, a maioria deles já havia falecido.

Por iniciativa nossa e de artistas locais, várias matérias já foram veiculadas na imprensa, tais como: na Rede Integração, afiliada da Rede Globo, Globo News, no jornal Tribuna Livre órgão de imprensa da Câmara Municipal de Conquista, na Rádio Comunitária Dinâmica FM e no jornal O Conquistense, todas elas apelando e abordando a necessidade de restauração do prédio. Numa visão patriótica, cultural e futurista, a atual Administração Municipal após firmar comodato com a Santa Casa para utilização do prédio por 30 anos, lutou incessantemente e conseguiu alocar recursos para a restauração do mesmo, inclusive, com projeto de revitalização já elaborado e as obras iniciados pela empresa conquistense vencedora da licitação e concorrência, a Construtora Justino Ltda.


Então, o prédio agora um Próprio municipal, por força da Lei nº 988/11, de 18 de março de 2011, passou a ter a denominação de Centro de Eventos Paulo Assunção Valentino, em homenagem ao ilustre conquistense de saudosa memória, que durante a sua existência terrena, trilhou os mais variados seguimentos da vida pública, social e cultural da cidade. Achamos que restauração daquele espaço cultural, será o grande sonho de todo povo conquistense e seria a redenção da cultura local, bem como de grande valia para as artes.



Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Homenagem a Otávio Cattâni: um exímio contador de causos

O exercício da imprensa no interior do Brasil, certamente não propicia retorno financeiro satisfatório, porém, nos induz e às vezes nos contempla momentos e passagens inusitadas que certamente, só aqui, nas pequenas cidades, acontecem. São situações em que estamos sujeitos a presenciá-las a qualquer momento, sem nenhum aviso prévio.

Certa ocasião li no programa músico-cultural, que a cerca de 13 anos modestamente apresento aos domingos pela Rádio Dinâmica FM 105,9 de Conquista, Minas Gerais, uma crônica intitulada “O Encontro Inesperado” de autoria do guaximense Otávio Cattâni. A repercussão foi imensa, tanto que, tive que repetir a façanha vários domingos seguidos. Daí em diante, iniciei uma busca incessante à procura de Otávio Cattâni, para que o mesmo entrasse para rol dos colunistas do jornal “O Conquistense”, surgia então, uma grande amizade e com certeza, ele trousse mais brilhantismo e alegria aos nossos leitores.

O legado de Otávio Cattâni dispensa apresentação, vejamos o que diz o escritor Samir Cecílio sobre as proezas de Cattâni, contidas no artigo “A Contas dos Casos” publicado na imprensa uberabense: "Era pessoa que tinha espontaneidade da prosa. Estivesse onde estivesse, numa festa ou num velório, agregava em torno de si um auditório atento. Se o ambiente era de festa ou de tristeza não importava, ele com sua palavra fácil dava colorido e mais alegria ao acontecimento". Otávio somente se tornava casmurro quando o assunto era a viuvez, pois lembrava de seu único e grande amor, sua dileta e saudosa esposa Lurdinha, que falecera há anos.

Filho de Felipe Catânni e Angelina Cattâni, Otavio Cattâni nasceu em Guaxima, distrito de Conquista Minas Gerais, em 16 de dezembro de 1925, onde morou até os 18 anos, indo depois morar em São Paulo e posteriormente em Belo Horizonte, Uberlândia e por último em Uberaba.

Em 1955 casou-se com Maria de Lourdes Carvalho Mendonça, (Lurdinha). Deste enlace, deste sublime amor, tiveram uma família maravilhosa composta de dois filhos: Felipe Cattâni Neto e Marcelo Mendonça Cattâni. Os netos: Leonardo Frange S. Cattâni, Tiago Frange S. Cattâni, Diego Ciulada Cattâni e Felipe Ciulada Cattâni. As noras Alexandra Frange S. Cattâni e Eliana Ciulada Cattâni e o bisneto Davi Cattâni.

Otávio faleceu de mal súbito dia 27 de dezembro passado em Aracajú, onde foi passar o Natal na residência do filho Felipe Cattâni Neto. Contava então, com 85 anos de idade. Pai de família honrado, exemplar, amoroso, ligado às suas origens, grande observador da natureza humana, apegado às tradições e à família. Assim era Otávio Catânni.

Minha conivência com Otávio Cattâni foi breve, porém, seu falecimento deixou uma grande lacuna, um grande vazio, aflorando os laços indestrutíveis de estima e admiração que por ele mantinha. Que Deus o abençoe amigo. Daqui, continuaremos a publicar seus escritos...

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.