quinta-feira, 26 de abril de 2012

Saudação aos 100 anos de Conquista.


Salve Conquista! 100 vezes Salve!!!

Neste momento importante da história, tenho dedicado todo meu amor, todo meu carinho e devoção a Conquista. Recentemente, me debrucei na história e escrevi, dirigi e sobre o Centenário de produzi o Documentário Conquista que veio a lume, dia 23/08, cujo local de exibição da sua primeira edição foi o plenário da Câmara Municipal de Conquista. Da mesma forma, empreguei todo meu modesto conhecimento e pálida técnica, para produção das fotografias que ornamentam o Selo do Centenário; lançado simultaneamente, tanto pela Prefeitura Municipal de Conquista, como pela Câmara Municipal, ou seja, as fotos do Cristo Redentor; a Cachoeira de Santa Maria; a Biblioteca Municipal Monsenhor José de Mello Resende; a Pousada Novo Alvorecer e por último a fotografia do majestoso prédio, outrora Estação Ferroviária de Conquista, hoje, plenário da Câmara Municipal.

Além disso, pretendo brevemente lançar o livro “Estação Conquista”. Modesto opúsculo totalmente dedicado a Conquista.

Nas páginas de O Conquistense, criamos a logomarca dos “100 Anos”, valorizamos os produtos da terra, como Vinho Giácomo, Goodsoy, Cachaça P.O. dentre outros que virão à tona. Também, estamos valorizando os filhos da terra, ou pessoas que lhe são gradas, presentes ou ausentes, divulgando seus valores, legado histórico, cultural e geográfico. Com isso, achamos que contribuímos com considerável parcela para o Centenário de Conquista.


Historicamente, Conquista é sinônimo de chegar, lutar, desbravar e vencer!


Este é nosso lema desde 1911, e até mesmo antes, os sonhos dos que te amam foram convergidos em lutas e realizações. Hoje, reunidos e jubilosos, vivenciamos o encerramento do ciclo secular e início de outro.

Neste momento de transição, devemos render e agradecer a Deus, e como seus filhos festejar, pois fizemos deste chão, um solo fecundo. De nossa história herdamos o símbolo de galhardia. Das lutas, herdamos a descoberta da força. Das realizações, herdamos a certeza das potencialidades. Do futuro, a crença e esperança de dias melhores. Da convivência, a visão do sinal claro do amor.

Conquista; Que por toda a tua existência, continue firme em seus propósitos expostos nas cores de nossa flâmula auriverde: No verde, esperança e respeito à natureza. No amarelo, valorização do potencial de seu maior patrimônio: seus filhos e seu solo fértil e vicejante.

É ocasião de comemorarmos. A alegria e a emoção que me arrebata nesta hora, tornam-me impotente ao escolher as palavras finais. No entanto, quero evocar uma poesia neste momento, pois o poeta tem a responsabilidade de transmitir ao mundo o sentimento de todos os homens.

Em Conquista terra natal de muitos vultos ilustres há um céu sobre a terra, "um céu sob outro céu, tão límpido e tão brando / que eterno sonho azul parece-me estar sonhando”. Eu vos afirmo: “o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”, como todos vocês que têm caminhado comigo nessa Conquista.

A história de Conquista tem duas páginas laureadas que jamais seus filhos esquecerão: A primeira, a luta encetada por Tancredo França, Antônio Alves da Silva e Antônio de Oliveira Maia, que daqui, rumaram para Campinas e posteriormente, Rio de Janeiro para conquistarem a criação do Município de Conquista consoante à divisão territorial e administrativa do Brasil que estava prestes a acontecer. A esses paladinos, devemos a nossa independência e criação.
 
A segunda, a maneira diferenciada com que atual gestora toca a Administração Municipal, rompendo com velhos costumes e mazelas, trazendo da iniciativa privada para vida pública, larga bagagem administrativa, com isso, Conquista voltou ao patamar da honra, do trabalho, do patriotismo e da fé. Daí à minha convicção: Conquista terá duas épocas administrativas: uma antes e, outra depois da gestão Véra Lúcia Guardieiro.

Parabéns Conquista, pelo seu primeiro Centenário!
Viva Conquista! “Um passado de glória. Um futuro de Esperança!”


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

A Fanfarra Voltou



O arrebol conquistense é diferenciado de qualquer outro lugar que conheço. O gorjeio matutino da passarada saudando o dia que chega, transforma o trajeto entre a nossa modesta moradia, e o local onde desenvolvemos o labor na azáfama diária de auferirmos o nosso justo ganho, num ambiente salubre e agradabilíssimo. Além disso, nos convida a reflexão e nos remete a paz.

Sempre recebi atenção e predileção especial da criançada, e foi exatamente uma delas, que de forma contundente me interpelou, quando pasmo, observava as Maritacas em algazarra nas copas das árvores do Jardim Paroquial. Quando me viu, gritou: Sô Leal! Como o sinhô pediu no Rádio, a fanfarra voltou! Que bom, respondi!

Mais surpreso ainda, foi quando adentrei a sala de trabalho e me deparei com uma foto fixada no rak : estava escrito na mesma, “Ninão e Leal”. Alguém me presenteara não com uma simples fotografia, mas com um amontoado de lembranças e recordações indeléveis.

A fotografia trouxe a lume, a história a mim contada por Ângelo Rodolfo Canassa, de saudosa memória. Dizia ele: “certa ocasião a Fanfarra Conquistense foi convidada para uma apresentação na cidade de Sacramento, visto que sua fama expandiu-se além fronteiras. Naquele dia, no coração de Sacramento, Conquista fez-se ouvir: seus clarins, tambores, taróis e atabaques, sob a batuta do mestre e maestro, Ninão. Que, como herói, saiu aplaudido de pé”.

Confesso! Senti saudades... Como faz falta o saudoso Amélio Guardieiro! Carinhosamente conhecido por “Ninão”. Onde está a professora e diretora Marisa Canassa? E o professor José Carlos Scandar de saudosa memória? Não ouço seu grito entusiasta. “Avante escola! Atenção”! E João Nunes porta-bandeira? Padre Pedro Magaline, magnânimo diretor!

Lembram-se da criança que me interpelou? Encontrei-a, portava um instrumento de sopro e, se dirigia para o Estádio Municipal, local onde estão se desenvolvendo os ensaios da fanfarra que ressurge, talvez das cinzas como uma Fênix. Graças ao abnegado patriotismo e entusiasmo de nosso governo municipal e de outros, alguns até veteranos, que lá estão para através dos seus exemplos, arregimentarem os jovens e adolescentes, enfim, o povo em geral, que sob a batuta do professor Luiz Alfredo Mendonça, farão ecoar novamente em 30 e agosto, o som dos nossos clarins.

Que rufem nossos tambores!   Avante Conquista!
Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Conquista dos meus amores: grandes são os filhos teus

Conquista é um dos mais felizes matrimônios da natureza com as obras dos homens. Do alto do Jardim Jatobá ou da escadaria do Cristo Redentor, a visão é de tirar o fôlego. Um espetáculo inesquecível, como me repetem todos aqueles que, em minha companhia, de lá correram os olhos sobre o casario entrecortado de árvores, ao correr a vista por suave colina onde se encontra encravada a cidade e, na outra margem do Rio Grande, as montanhas e os chapadões de São Paulo. Tampouco lhes sai da memória o passeio pelas ruas e avenidas largas e retilíneas, com suas casas novecentistas, algumas delas, representam o apogeu da cidade e traduções e estilos da belle époque. Outras, a nos mostrarem em sua simplicidade de linhas como pela via humilde se pode atingir a mais alta beleza.
 
Há poucos anos, exibiu-se no I Festival de Inverno do Parque Náutico de Jaguara, para cerca de apenas 100 pessoas, o filme gravado em Conquista, Ladrão de AR, de Cauê Angeli. O público formado majoritariamente por escritores, artistas e amantes das letras e das artes, ficou primeiro surpreso, e, depois, deslumbrado com as imagens de Conquista. Não faltou quem me dissesse que não podia sequer imaginar que no Triângulo Mineiro, houvesse uma cidade tão linda e tão diferente como paisagem, e não foram poucos os que se prometeram cumprir o dever de visitá-la. A reação dos que viram o filme confirmou em mim, ser Conquista um dos sítios com maior vocação turística da região sendo dois outros, Sacramento e a Serra da Canastra.


Legenda das Fotos: (direita) Poetisa Cely Vilhena, autora do romanceiro Conquista de Meus Amores. (acima) Poetisa Mafalda Monte, autora do Hino Oficial de Conquista.

Quem não cuida do que foi inventivo, afortunado, e harmonioso em seu passado, não merece o futuro. Por isso, a cidade volta a sorrir, volta a ser progressista e bem cuidada. Conquista foi um dos mais importantes entrepostos da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e Navegação, quando o trem era o caminho que ligava São Paulo ao sertão. Pelo plano inclinado da encosta que continua até a Rua Grande na parte antiga da cidade, desciam e subiam arrastadas ou sobre roletes, as mercadorias que lhe animavam o comércio, inclusive, automóveis que vinham dos Estados Unidos encaixotados em containeres.


Nesse pano inclinado, nessa rua e também nas vizinhas, brincaram as meninas, as maiores poetisas da cidade: Mafalda Monte e Cely Vilhena. Foi a conviver com esse casario e com o fluir do burburinho reinante, que elas descobriram que sua terra natal era um céu, se havia um céu sobre a terra, "um céu sob outro céu tão límpido e tão brando / que eterno sonho azul parece estar sonhando", a Conquista da qual jamais Cely se apartou emocionalmente em outras plagas, em outras paragens. Quanto a Mafalda, dedicou a ela o seu pleito maior, ou seja, a composição do Hino Oficial do Município de Conquista.

A alegria e a emoção que me arrebata nesta hora, tornam-me impotente ao escolher as palavras finais. No entanto, quero evocar uma poesia neste momento: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”, como todos vocês que têm caminhado comigo nessa Conquista. 

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Nossa História: Cine Luso Brasileiro, Cine Vera Cruz, Centro Cultural Janete Clair, Centro de Eventos Paulo Assunção Valentino

O Cine Teatro Vera Cruz, sucedeu ao antigo Cine Teatro Luso Brasileiro que surgiu no início da década de 20, por iniciativa de dois entusiastas do rádio e do cinema: os Srs. Adolpho Muccciolli, de origem ítalo-argentina e do coronel Manoel Marques, português de nascimento, fortíssimo negociante de cereais e objetos manufaturados e importados, além de ser representante de bancos estrangeiros em Conquista.

O atual prédio foi construído em substituição ao antigo, que abrigou por quase uma década, o Cine Teatro Luso Brasileiro, que ruiu em consequência de um incêndio ocorrido em 02 de novembro de 1927. Sua localização não podia ser melhor! Foi destinado o mesmo local, um amplo terreno na rua Principal, hoje, Agenor Fontoura Borges, que fica a cerca de 50 metros da escada de acesso à antiga Estação da Estrada de Ferro Mogiana. Em pouco tempo, ficou pronto, com toda sua pujança, fazendo inveja às cidades vizinhas de Sacramento e Uberaba e região.

Propalada a sua inauguração, nada melhor do que um programa festivo, que fatalmente atingiria os habitantes das cidades do Estado de São Paulo localizadas na margem esquerda do Rio Grande. O prédio era luxuoso e muito bonito em seu conjunto arquitetônico, o que fazia dele, uma obra prima da região. Uma Companhia de Revistas do Rio de Janeiro foi escolhida para uma temporada de 15 dias, quando da sua estréia, trazendo para cidade um grande fluxo de gente, que não resistiria à vontade de conhecer a sua fama.

Foram várias décadas de muito glamour, muita distração e entretenimento, ali, harmoniosa orquestra animava as películas e exibições de cinema mudo. Além de cinema, eram realizadas, gincanas, apresentações, teatrais, artísticas, musicais, que aconteceram até 1986, ocasião em que foram desativadas as exibições cinematográficas. Em 1988 por iniciativa do então prefeito Municipal Sérgio Guimarães Rezende, o prédio passou por uma superficial reforma e foi escrito um letreiro na faixada do prédio: “Centro Cultural Jannete Clair”, em homenagem a ilustre novelista conquistense. Um  registro: na ocasião o poder público não podia nomear através de Lei, pois o prédio era particular e pertencia a uma sociedade de cotistas, uma especie de S.A.

Hoje, o prédio pertence a Santa Casa de Misericórdia de Conquista, fruto do empenho e árduo trabalhado da diretoria presidida por Vera Colares, que pessoalmente, arregimentou, fomentou, lutou e conseguiu junto à Justiça o usucapião do mesmo, já que os antigos proprietários estavam aglutinados num sistema de cotas, nos moldes de uma Sociedade Anônima, além disso, a maioria deles já havia falecido.

Por iniciativa nossa e de artistas locais, várias matérias já foram veiculadas na imprensa, tais como: na Rede Integração, afiliada da Rede Globo, Globo News, no jornal Tribuna Livre órgão de imprensa da Câmara Municipal de Conquista, na Rádio Comunitária Dinâmica FM e no jornal O Conquistense, todas elas apelando e abordando a necessidade de restauração do prédio. Numa visão patriótica, cultural e futurista, a atual Administração Municipal após firmar comodato com a Santa Casa para utilização do prédio por 30 anos, lutou incessantemente e conseguiu alocar recursos para a restauração do mesmo, inclusive, com projeto de revitalização já elaborado e as obras iniciados pela empresa conquistense vencedora da licitação e concorrência, a Construtora Justino Ltda.


Então, o prédio agora um Próprio municipal, por força da Lei nº 988/11, de 18 de março de 2011, passou a ter a denominação de Centro de Eventos Paulo Assunção Valentino, em homenagem ao ilustre conquistense de saudosa memória, que durante a sua existência terrena, trilhou os mais variados seguimentos da vida pública, social e cultural da cidade. Achamos que restauração daquele espaço cultural, será o grande sonho de todo povo conquistense e seria a redenção da cultura local, bem como de grande valia para as artes.



Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Homenagem a Otávio Cattâni: um exímio contador de causos

O exercício da imprensa no interior do Brasil, certamente não propicia retorno financeiro satisfatório, porém, nos induz e às vezes nos contempla momentos e passagens inusitadas que certamente, só aqui, nas pequenas cidades, acontecem. São situações em que estamos sujeitos a presenciá-las a qualquer momento, sem nenhum aviso prévio.

Certa ocasião li no programa músico-cultural, que a cerca de 13 anos modestamente apresento aos domingos pela Rádio Dinâmica FM 105,9 de Conquista, Minas Gerais, uma crônica intitulada “O Encontro Inesperado” de autoria do guaximense Otávio Cattâni. A repercussão foi imensa, tanto que, tive que repetir a façanha vários domingos seguidos. Daí em diante, iniciei uma busca incessante à procura de Otávio Cattâni, para que o mesmo entrasse para rol dos colunistas do jornal “O Conquistense”, surgia então, uma grande amizade e com certeza, ele trousse mais brilhantismo e alegria aos nossos leitores.

O legado de Otávio Cattâni dispensa apresentação, vejamos o que diz o escritor Samir Cecílio sobre as proezas de Cattâni, contidas no artigo “A Contas dos Casos” publicado na imprensa uberabense: "Era pessoa que tinha espontaneidade da prosa. Estivesse onde estivesse, numa festa ou num velório, agregava em torno de si um auditório atento. Se o ambiente era de festa ou de tristeza não importava, ele com sua palavra fácil dava colorido e mais alegria ao acontecimento". Otávio somente se tornava casmurro quando o assunto era a viuvez, pois lembrava de seu único e grande amor, sua dileta e saudosa esposa Lurdinha, que falecera há anos.

Filho de Felipe Catânni e Angelina Cattâni, Otavio Cattâni nasceu em Guaxima, distrito de Conquista Minas Gerais, em 16 de dezembro de 1925, onde morou até os 18 anos, indo depois morar em São Paulo e posteriormente em Belo Horizonte, Uberlândia e por último em Uberaba.

Em 1955 casou-se com Maria de Lourdes Carvalho Mendonça, (Lurdinha). Deste enlace, deste sublime amor, tiveram uma família maravilhosa composta de dois filhos: Felipe Cattâni Neto e Marcelo Mendonça Cattâni. Os netos: Leonardo Frange S. Cattâni, Tiago Frange S. Cattâni, Diego Ciulada Cattâni e Felipe Ciulada Cattâni. As noras Alexandra Frange S. Cattâni e Eliana Ciulada Cattâni e o bisneto Davi Cattâni.

Otávio faleceu de mal súbito dia 27 de dezembro passado em Aracajú, onde foi passar o Natal na residência do filho Felipe Cattâni Neto. Contava então, com 85 anos de idade. Pai de família honrado, exemplar, amoroso, ligado às suas origens, grande observador da natureza humana, apegado às tradições e à família. Assim era Otávio Catânni.

Minha conivência com Otávio Cattâni foi breve, porém, seu falecimento deixou uma grande lacuna, um grande vazio, aflorando os laços indestrutíveis de estima e admiração que por ele mantinha. Que Deus o abençoe amigo. Daqui, continuaremos a publicar seus escritos...

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

Tributo ao Dr. Hadel Wazir: médico e cidadão do mundo

Tenho a difícil missão de dissertar sobre a ilustre pessoa do Hadel Wazir falecido recentemente. Pois bem: no final do ano de 2002, recebi uma ligação telefônica propondo que eu recebesse na repartição pública onde trabalho, o Dr. Hadel Wazir. Surpreso com a proposta, mas feliz, disse que sim. O motivo do convescote seria um intercâmbio cultural, onde, o cerne do encontro, seria uma breve biografia da ilustre conquistense Ginette Stocco Emmer, ou melhor, Janete Clair, já que o mesmo foi contemporâneo e amigo da renomada novelista. Refeito, entendi o óbvio: Dr. Hadel queria que eu ampliasse o ciclo de publicações sobre Janete Clair, por considerar que o mais relevante a ser levado a público sobre ela, ainda não tinha sido feito.

Ao longo dos anos que sucederam o encontro, Dr. Hadel e eu, a cada visita que ele fazia a Conquista, nos encontrávamos no seu local predileto de refúgio e meditação: a centenária Estação Ferroviária de Conquista. Ali, naquele prédio de copiar lateral, nas fagueiras tardes conquistenses, mantínhamos longas conversas sobre fatos e acontecimentos ligados a Conquista, a sua gente.

Dr. Hadel e eu nos tornamos próximos e amigos. Dele recebi carinho, atenção e cuidados, nos tornarmos confidentes. Até mesmo a deferência de ser convidado a visitá-lo em São Paulo. Em detrimento dessa admiração mútua, chegou ao ponto de visitar o Parque Nacional da Serra da Capivara que fica localizado no meu estado de origem, o Piauí.

Era médico e cidadão do mundo. Conhecia muitos países, falava fluentemente vários idiomas. Por onde andou, divulgou Conquista, pois tinha amor arraigado a sua terra natal. A propósito: no Natal de 1970, mais precisamente em 26 de dezembro daquele ano, aconteceu um desastre de grandes proporções com o trem da Mogiana na localidade Engenheiro Lisboa, com um saldo de 21 mortos e 37 feridos. A maioria dos feridos foram socorridos e atendidos na Santa Casa de Misericórdia de Conquista, pelo médico Dr. Hadel Wazir que se encontrava de férias na cidade. Na oportunidade, o mesmo convocou o então jovem odontologista João Sampaio Anacleto, e juntos, num esforço sobre humano, atenderam a todos. Em consequência do seu desprendimento, altruísmo e competência médica, a Companhia Mogiana de Ferrovias e Navegação lhe enviou missiva de agradecimento e menção pelo socorro prestado aos seus usuários. Inclusive, propondo o ressarcimento pelos serviços médicos prestados. Tal foi a surpresa da Companhia Mogiana ao receber a resposta do Dr. Hadel Wazir: “não tenho nada a receber, apenas socorri meus irmãos conquistenses”.

Dr. Hadel Wazir nasceu em Conquista em 26 de junho de 1926. Era filho de Antônio Wazir e Nádia Wazir. Em São Paulo, desempenhou suas atividades profissionais como médico e empresário do setor, deixou um vasto círculo de amizade e muitos admiradores. Tinha o hábito de passar o Natal em Conquista. E foi justamente vindo de São Paulo para Conquista que veio a falecer de mal súbito dia 23 de dezembro passado, aos 84 anos de idade. Na ocasião, viajava de ônibus, no afã de rever os amigos, parentes e Conquista cidade que amou intensamente.

Além da inteligência, a lhaneza no trato, a firmeza nas convicções, dele ficou-me a fidalguia do bom conquistense. Pareceu-me sempre um homem dedicado, justo e bom. Isto justifica uma vida bem vivida. Que Deus o tenha bom amigo.

Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Coronel Tancredo França: Paladino de nossa emacipação



Na saga de homens públicos sedentos de renome, que disputam o favor do povo para avançar na carreira política, destacam-se os patriotas sinceros e dignos dos mais altos cargos.

Ao elenco destes, pertence o ilustre Cel. Tancredo França. Filho do Cel. Manoel Cassiano de Oliveira França e de D. Amélia Cherubina França, o Cel. Tancredo França teve por berço natal a vizinha cidade de Sacramento.

Em 1º de novembro de 1900, foi eleito vereador especial do distrito de Desemboque, termo de Sacramento, cargo este, que nos sentimos na obrigação de dizê-lo, foi desempenhado com muita dedicação e critério. Por decreto de 25 de novembro de 1899, foi nomeado capitão-cirugião do 55º Regimento de Cavalaria do citado termo e, depois, nomeado comandante de um dos batalhões da Guarda Nacional ali existente.

Homem provido de espírito culto, caráter nobre, trabalhador incansável, extremamente cortez, revelava em tudo uma franqueza excepcional. O Cel. Tancredo possuía o condão de ganhar à primeira vista a simpatia das pessoas com quem tratava. Este dom precioso explica o apoio sincero que jamais lhe negaram os seus amigos e admiradores, os quais, o colocaram na direção do “Partido Republicano Mineiro de Conquista”.

Republicano extremado. Foi contemporâneo de Antônio Alves da Silva, Antônio de Oliveira Maia, João Martins Borges, José Ferreira Barbosa, Antônio Carlos Teixeira Junqueira, Sérgio Marques da Silva, Manoel Marques e tantos outros paladinos das lides políticas locais.

Em 30 de agosto de 1911, consoante a divisão administrativa do Brasil, criou-se o Município de Conquista, desmembrando-se este então Distrito, do Termo de Sacramento. Em 1º de junho de 1912, Conquista emancipou-se político e administrativamente, ocasião, em que o Cel. Tancredo França atingiu a mais elevada posição municipal, assumindo as funções de Presidente e Agente Executivo da Câmara Municipal.

Caráter alicerçado nos fecundos mananciais de virtudes públicas e privadas. Extremamente devotado à causa pública, o Cel. Tancredo era, de fato, o homem talhado para chefia do então pujante Partido Republicano Mineiro, do altivo Município de Conquista, que patrioticamente presidiu com extraordinário progresso moral e material.

No exercício do cargo de Presidente e Agente Executivo da Câmara, prestou com elevado critério e patriotismo relevantes serviços a Conquista. Esforçando-se pela realização dos melhoramentos locais, recebendo aplausos e louvores de toda a população da época, sendo inclusive, reconhecido como responsável direto pela emancipação de Conquista. Para ratificar essas ligeiras referências ao seu honrado nome, basta dizer-se que, na renovação de mandatos de vereadores municipais, para o triênio 1916-1918, foi ele reeleito por absoluta unanimidade de votos.

Homem modesto e exemplar chefe de família, sincero, patriota, caritativo, sem ostentação, amigo leal e prestimoso: eis, em poucas linhas, a figura do Cel. Tancredo França, cujo legado muito honra as páginas da história de Conquista.

A hospitaleira, laboriosa, patriótica e digníssima família França, cujos ascendentes, foram homens de grandes haveres, merece o nosso mais elevado sentimento de gratidão, respeito e consideração.

HOMENAGEM

A praça central da cidade de Conquista ostenta o nome de Tancredo França, bem como, a comunidade rural da antiga Fazenda Erial, há uma década, passou a chamar-se de comunidade rural Tancredo França. Em 1992 a Câmara Municipal de Conquista criou a Comenda Coronel Tancredo França, honraria que tem como objetivo homenagear aqueles que prestam ou prestaram relevantes serviços a Município de Conquista.


Crônica do livro “Estação Conquista” que se encontra no prelo.